É extremamente positivo para o futebol português que surja um jogo com este peso — Foto: IMAGO
É extremamente positivo para o futebol português que surja um jogo com este peso — Foto: IMAGO

Um clássico do futebol português

SC Braga vs V. Guimarães ou V. Guimarães vs SC Braga rivaliza notoriamente e sem qualquer imodéstia com os jogos entre os três chamados grandes. Sentido de pertença é o espaço de opinião de André Coelho Lima, jurista, empresário e associado do Vitória SC

1 — Este sábado teve lugar o chamado dérbi do Minho, que é, tem de ser, muito mais que apenas o dérbi do Minho. Desde logo porque o Minho (se assim se considerar o distrito de Braga), ao ter cinco equipas na Liga  (tinha seis até à descida do Vizela), tem obrigatoriamente vinte dérbis, pelo que, apesar deste ser o mais antigo e com mais significado, era bom que nos deixássemos destes epítetos centralistas de mera identificação regional.

E depois porque o SC Braga vs V. Guimarães ou V. Guimarães vs SC Braga é claramente um dos melhores jogos do campeonato português, rivaliza notoriamente e sem qualquer imodéstia com os jogos entre os três chamados grandes. E isto é bom, não é mau.

É extremamente positivo para o futebol português que surja um jogo com este peso, com este historial, com esta envolvência, além dos jogos disputados entre os três clubes mais titulados.

Queria neste ponto prestar a minha homenagem à Sport TV que — finalmente — percebeu isto e associou-se à dimensão deste jogo com horas de emissão antes do jogo, com criatividade e envolvimento, respeitando a dimensão desportiva deste confronto histórico.

2 — Perdemos. E quanto a isso não há nada a dizer. Ou melhor, haveria muito a dizer, mas nada que ultrapasse que essa é a realidade fria do resultado final. Mas perdemos como podíamos perfeitamente ter ganho.

Este resultado, não nos removendo matematicamente as expectativas europeias, coloca-as num grau de dificuldade muito elevado. Mas que grande jogo foi! Há dois protagonistas do jogo que queria elogiar de modo muito particular: Luís Pinto e Carlos Vicens. Estiveram manifestamente à altura da dimensão do jogo, apresentaram duas equipas bastante ofensivas (como aliás o resultado demonstra), apresentando um futebol de nível muito elevado, com uma disponibilidade física admirável até ao apito final.

Estes dois treinadores de uma nova geração, mostraram estar à altura da dimensão e dos pergaminhos do jogo, superando-os aliás. E apesar da dificuldade do resultado para o meu Vitória, a objetividade obriga-me a relatar aquilo que vi e a destacar o que entendo dever ser destacado; que está muito para além do  jogo e do resultado, situando-se antes na importância estratégica deste encontro, e destas duas equipas, na perspetiva do  futebol nacional.

3 — O meu Vitória apresentou-se destemido, dominador, com um controlo absoluto da bola e do curso do jogo. Não conseguiu materializar em lances de perigo o domínio evidente que teve em campo mas, efetivamente, apresentou-se em Braga com a classe dos grandes. E isto não pode deixar de ser dito apesar do resultado não ter sido aquele que pretendíamos.

Diogo Sousa, Noah Saviolo e Thiago Balieiro são casos sérios para o futuro do futebol português, Beni Mukendi é dos melhores médios a jogar em Portugal, uma aposta fantástica de António Miguel Cardoso, que tão criticado foi pelo que investiu neste jogador. O Vitória apresenta uma equipa muito jovem (jogaram quatro jogadores provenientes da equipa B), com um futebol ofensivo e destemido, que não correu bem como podia perfeitamente ter corrido.

O jogo que o Vitória apresenta, de pressão alta e linhas avançadas, expõe-nos mais ao perigo de sofrer golos, isso viu-se com o paradoxo de o Braga marcar golos, em sua casa, em contra-ataque. São os riscos deste tipo de jogo, se o queremos, temos de estar preparados para as suas consequências.

4 — Jogos Olímpicos de Inverno. Uma palavra para o magnífico certame que foram os Jogos Milão-Cortina. Um evento que junta apenas os países do frio e que teve como vencedor absoluto a Noruega — em medalhas de ouro (18) e em número total de medalhas (41) — seguida dos EUA (33) e dos Países Baixos (20). Queria manifestar a estranheza pela total inexistência de Portugal neste tipo de desportos, no que isso revela de falta de programação e de sentido de competitividade no nosso país.

Claro que sabemos não existir nem tradição nem condições em Portugal para a prática destas modalidades, mas sabemos igualmente que essas circunstâncias não são propriamente relevantes a este nível (foram vários os países abaixo do equador com participações relevantes).

Claro que o medalha de ouro brasileira, de Lucas Pinheiro Braathen, em esqui alpino, encontra explicação pelo facto de ter pai norueguês, mas as três medalhas de Espanha já são significativas de um caminho que, com tempo e programação, deveríamos igualmente percorrer.

Os nossos três participantes nestes Jogos Olímpicos de Inverno — Vanina Guerrillot, Emeric Guerrillot (esqui alpino) e José Cabeça (esqui de fundo) — demonstram bem o tipo de aposta que podemos fazer, em tantos portugueses espalhados pelo Mundo, numa programação atempada e estruturada. Com objetivos. Já para Paris-2030.