Di María representou o Man. United em 2014/15 - Foto: IMAGO

Di María explica o que o fez «odiar» o Manchester United

Antigo criativo do Benfica relembra relação com Louis van Gaal na época em que esteve ao serviço dos 'red devils' e da vida na cidade inglesa

Ángel Di María, antiga figura do Benfica, atribuiu, em entrevista à BBC Sport, a passagem mal-sucedida pelo Manchester United ao antigo treinador, Louis van Gaal, afirmando que o técnico holandês o fez «odiar» a sua estadia em Old Trafford ao focar-se apenas nos aspetos negativos do seu jogo.

O esquerdino, que contou com duas passagens pelos encarnados, de 2007 a 2010 e de 2023 a 2025, recordou a transferência para o clube inglês em agosto de 2014, proveniente do Real Madrid, por um valor recorde britânico de 59,7 milhões de libras, cerca de 70 milhões de euros. Apesar de um início promissor, com três golos e quatro assistências nos primeiros seis jogos, a relação deteriorou-se rapidamente.

«As coisas começaram muito bem», recordou Di María. «Tudo estava a fluir. Depois comecei a ter problemas com o Van Gaal e a partir daí tudo se desmoronou», afirmou o campeão do Mundo pela Argentina, em 2022. O argentino, que marcou um total de quatro golos em 33 jogos pelo clube, explicou que as constantes críticas do treinador minaram a confiança que tinha. «Ele nunca me mostrava o que eu fazia bem, apenas os aspetos negativos, repetidamente. Acabei por me fartar», confessou.

A BBC Sport contactou o treinador, a quem pediu um comentário sobre as palavras de Di María. O antigo selecionador dos Países Baixos afirmou que a contratação do argentino foi uma decisão do clube que ele considerou um erro e que, apesar de o ter testado em várias posições, não conseguiu encontrar uma em que fosse eficaz. Van Gaal também afirmou que é um treinador de «estrutura», com uma «visão do jogo que coloca tarefas em cada jogador e um papel que precisam de desempenhar», acrescentando que não conseguiu «encontrar a posição em que Di María fosse eficaz».

Fatores externos também contribuíram para o descontentamento do jogador. Uma tentativa de assalto à casa em que vivia, em Cheshire, onde se encontrava com a família, e a difícil adaptação à vida em Manchester foram decisivos. «A vida lá era muito diferente. Escurece muito cedo e depois começou o frio. Tudo foi uma bola de neve», explicou Di María, acrescentando: «Quando tudo isso acontece; quando não estás a jogar, quando as coisas não te correm bem, quando tens problemas dentro do clube, acaba por te afetar muito. Fez-me odiar estar lá.»

Jorgelina Cardoso, esposa de Di María, também expressou publicamente o desagrado com a vida na cidade inglesa numa entrevista ao Daily Mail em 2022, descrevendo a comida como «nojenta» e as pessoas como «estranhas». «Eu disse-lhe ‘de maneira nenhuma, de maneira nenhuma’, mas ele continuava a dizer que ficaríamos um pouco mais seguros financeiramente e que tínhamos de ir. Discutimos sobre isso. Foi horrível», revelou.

Di María comparou a situação com uma que viveu em Paris: «Também fui assaltado em Paris e mesmo assim fiquei mais dois ou três anos, porque a vida lá era boa. Em Manchester, tudo foi uma bola de neve. Eu queria dar prioridade à minha família e foi por isso que saí», acrescentou.

Em março, Van Gaal começou a deixar Di María fora do onze inicial. Nessa altura, o jogador já tinha sofrido pequenas lesões e sido expulso num jogo da Taça de Inglaterra contra o Arsenal. No final da temporada, a sua decisão estava tomada. Recusou-se a participar na digressão de pré-época do clube nos Estados Unidos e forçou uma transferência para o Paris Saint-Germain por 50 milhões de euros.

«Ele disse que eu nunca apareci [para a pré-época], mas eu já tinha dito que queria sair e que não me ia apresentar no clube», clarificou o jogador, que no verão passado regressou ao clube de infância, o Rosario Central, depois de duas temporadas ao serviço do Benfica. «Fiquei em Rosario até que uma decisão fosse tomada.»

Apesar da experiência negativa, Di María afirma não ter arrependimentos sobre a decisão inicial de se juntar ao Manchester United. «Queria ir para o United. O futebol, a chegada aos estádios, o ambiente, o amor dos adeptos, não me arrependo de nada. Eu jogava com o Manchester United na PlayStation. Costumava jogar com o Rooney e, de repente, ele estava ao meu lado», partilhou.

Apesar de reconhecer o peso da camisola 7, utilizada por figuras como Cristiano Ronaldo, David Beckham, Eric Cantona ou George Best, o jogador desvalorizou a importância. «Claro que eu compreendia que o número sete era o mais importante no Manchester United. Mas para mim, era apenas um número, tal como usei o 22 no Madrid», disse. «Mas no que toca à Premier League, ao ambiente, à vida no clube, fiquei com uma sensação muito boa porque havia pessoas fantásticas que sempre me trataram bem, que sempre me apoiaram e me ajudaram em tudo. Por isso, estou grato», concluiu.

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