José Mourinho atirou a toalha ao chão em Rio Maior - foto: Sérgio Miguel Santos
José Mourinho atirou a toalha ao chão em Rio Maior - foto: Sérgio Miguel Santos

Um Benfica sem fome mesmo em jejum

Por fora e de fora: Mourinho já nem se refugia na matemática para falar da luta pelo título, e os responsáveis encarnados têm de pensar seriamente no apetite com que querem ponderar o plantel

Agora já não restam grandes dúvidas, nem mesmo para José Mourinho: o Benfica está fora da luta pelo título, depois de ter sido incapaz de aproveitar o deslize do líder FC Porto frente ao Famalicão.Quando tinha soberana ocasião de ficar a cinco pontos do primeiro lugar, a equipa encarnada não foi além de um empate no reduto do Casa Pia, ainda para mais depois de ter feito o mais difícil, chegar à vantagem em Rio Maior.

As águias continuariam a correr (muito) por fora, mas se o golo de Ríos tivesse valido três pontos o cenário seria consideravelmente menos desanimador. Ainda para mais tendo em conta a visita a Alvalade, agendada para o próximo dia 19 de abril.

Tramado pela lei do ex, o Benfica fez o suficiente para vencer a equipa de Álvaro Pacheco, mas isso não quer dizer que tenha sido convincente. O golo de Rafael Brito é reflexo de uma evidência comum: no meio de alguma infelicidade houve igualmente muito demérito encarnado. Não há outra forma de o dizer: o Benfica autoexcluiu-se da luta pelo título.

Embora averso a derrotas, o conjunto orientado por Mourinho tem sido também pouco triunfante, como voltou a mostrar em Rio Maior. Uma equipa com poucas ideias no ataque, sobretudo pela incapacidade crónica para conseguir ligar por dentro, que está diretamente associada ao perfil dos jogadores que compõem o plantel.

Entre Schjelderup, Lukebakio e Rafa - ou mesmo Bah, Dahl, Enzo Barrenechea, Ríos... -, quem é que joga por dentro? O jogo exterior poderia atenuar esta carência, mas nem aí a estratégia é afirmativa, ainda que Schjelderup assuma agora o estatuto de jogador mais influente e Prestianni tenha mostrado, uma vez mais, que é dos poucos que contraria uma certa monodimensionalidade. Ao argentino falta algum equilíbrio emocional, mas ao menos tem a fome que José Mourinho assume faltar a uns quantos jogadores.

No Benfica a gula é carência, mas seria um erro tremendo ignorar outros pecados capitais na combinação de jogadores. A época 2025/26 ainda não terminou, até pela importância do segundo lugar no orçamento da próxima, mas os responsáveis encarnados têm de fazer uma reflexão profunda sobre aquilo que querem para a campanha 2026/27, da qual Mourinho diz querer fazer parte.

Talvez não esteja tudo mal, mas nunca é bom sinal quando falta fome mesmo em jejum.