José Mourinho, treinador do Benfica (foto: Sérgio Miguel Santos/Kapta+)
José Mourinho, treinador do Benfica (foto: Sérgio Miguel Santos/Kapta+)

Mourinho dececionado: «Há jogadores que não comem futebol...»

Treinador do Benfica foi muito crítico após o empate em Rio Maior, esta segunda-feira

José Mourinho comentou o empate frente ao Casa Pia, esta segunda-feira, visivelmente triste, em declarações na Sport TV.

Galeria de imagens 20 Fotos

«Mais do que o lance [do golo do Casa Pia]... diria mais: nós perdemos não dois pontos, mas as últimas possibilidades que tínhamos de lutar pelo título e deixámos de depender de nós próprios para ficar em segundo lugar. Não gostei da primeira parte, ao intervalo falámos do que teríamos de mudar taticamente e tentei que eles percebessem…porque há alguns que às vezes parece que não comem futebol, que não respiram futebol, parece que se esquecem às vezes das realidades… Fiz-lhes um bocadinho de matemática. Não ganhando este jogo, a luta difícil, mas possível pelo título, acabava, e deixávamos de depender de nós próprios para ficar em segundo lugar, era o que estava em jogo.»

O treinador viu um Benfica bem melhor na segunda parte, mas houve displicência.

«Melhorámos muito na segunda parte, criámos muitas oportunidades. Mas quando se está a ganhar a um adversário que não faz um remate à baliza, arriscaria que tivémos 75 ou 80 por cento de posse de bola, uma coisa absurda, e depois de estarmos a ganhar 1-0, aí concordo que há displicência. Não há aquela energia, aquela fome de quem está a jogar muito, a jogar tudo. Diria que para ficar em terceiro lugar até podemos perder os jogos todos, ou quase. Para quem está a jogar tudo, é um lance [do golo] que não pode acontecer.»

Diria que para ficar em terceiro lugar até podemos perder os jogos todos, ou quase.

O treinador dos encarnados não deixou de criticar o comportamento do árbitro.

«Obviamente que jogámos o suficiente para ganhar o jogo, mas às vezes há jogos como este, contra equipas que dizem que querem ganhar, mas não querem, querem empatar. Não condeno isso. Condeno o árbitro que o permite, o senhor que dá seis minutos de desconto num jogo como estes, mas não o adversário que está a jogar, esse sim, com fome de não descer de divisão, com fome de mais um ponto. Estou profundamente dececionado, não gostei de nenhuma das três equipas. O Casa Pia teve fome de um ponto e lutou por isso. O árbitro não teve influência no resultado, mas teve muita num jogo pobre. O Benfica foi pobre na primeira parte, em termos da sua atitude, melhorou depois a todos os níveis, mas depois acaba o jogo e entre aspas o campeonato com uma situação displicente, que não podes ter quando estás a ganhar 1-0»

Estou profundamente dececionado, não gostei de nenhuma das três equipas.

Mourinho recordou «fatores externos» que influenciaram outros jogos.

«Há muitos fatores, e só me vou esquecer quando a época acabar. O Benfica exige que pensemos nos jogos e neste campeonato, mas há muitos fatores que influenciaram este campeonato, não vamos fugir a essa verdade. Fatores externos a nós e que tiveram impacto gigante neste campeonato. Sem termos nunca até agora a tristeza da derrota, temos muitos empates com tristeza de derrota, muitos com influências externas. Não há gente má ali, desrespeituosa, não existe ali [na equipa]. O que existe são determinados perfis, que independemente da conta bancária e dos títulos, tem fome, e outra gente que parece que leva esta vida de uma forma leve. Isso entristece-me. Não são más pessoas, maus profissionais, mas falta-lhes verdadeiramente aquele carácter.»

O que existe são determinados perfis, que independemente da conta bancária e dos títulos, tem fome, e outra gente que parece que leva esta vida de uma forma leve.

O que dizer aos adepto?

«Na segunda parte, houve ambição, contra uma equipa que defendia, mandava-se para o chão, perdia tempo, e o árbitro a deixar… foi difícil. Mas tens um lance em que não podes dar a mínima possibilidade ao adversário… os adeptos estão frustrados, mas não seguramente mais que eu e que as pessoas que vivem isto também com personalidade profissional.»