Últimas oportunidades de Mourinho e Benfica
Já passaram mais de oito meses e meio, uma eternidade no futebol, ainda José Mourinho vivia em Istambul e treinava o Fenerbahçe, desde que o Benfica venceu o Sporting por 1-0, com golo de Pavlidis, e conquistou a Supertaça, no Estádio Algarve. Os encarnados, entretanto, não mais venceram os adversários mais fortes em Portugal e, já com o special one, somaram um empate com os leões, um empate e uma derrota com o SC Braga e dois empates e uma derrota com o FC Porto.
Em Alvalade, domingo, José Mourinho tem a penúltima oportunidade para reescrever, positivamente, esse registo com os mais fortes, num dérbi que, para todos os efeitos, será a última oportunidade para o Benfica continuar a alimentar a esperança de acabar, pelo menos, em segundo lugar e, com isso, qualificar-se para a Liga dos Campeões. O Benfica, recorde-se, ainda jogará com o SC Braga, na penúltima jornada do campeonato.
No início de março, antes do clássico com o FC Porto, na Luz, Mourinho foi irónico ao comentar a incapacidade do Benfica de vencer os rivais. «Aconteceu porque os treinadores do Sporting e do FC Porto são melhores que eu», disparou o treinador, que ainda no sábado, antes da partida com o Nacional, puxou dos galões para responder às críticas e aos críticos: «Apesar de ter sido muito criticado — se calhar é mais trucidado — relativamente ao meu estilo de liderança e à minha maneira de comunicar, se houver algum com 27 títulos que me queira criticar, eu aceito. Com menos de 26, acho que eu é que estou certo.»
Mourinho, ainda no dia em que considerou Rui Borges e Farioli melhores que ele, assinalou que o Benfica já tinha vencido Nápoles e Real Madrid e jogado bem várias vezes e que a equipa, apesar de não ter vencido leões e dragões, tinha competido «a sério».
«Perdemos um [com o FC Porto], mas poderíamos não ter perdido, empatámos dois desses jogos, mas poderíamos ter vencido. Essa proximidade à vitória é o suficiente para os adeptos irem à Luz e confiarem que podemos ganhar», acrescentou, então, o treinador.
O desafio, até ao final da época, é vencer todos os jogos — está em causa não apenas o orgulho como também o segundo lugar. Ninguém atira a toalha ao chão, como assinalou o treinador, que reclamou mérito, por exemplo, na qualificação da equipa para o play-off de apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões quando poucos ou nenhuns acreditariam. Mourinho mantém, por isso e como é normal, a exigência no máximo, reforçando, no fundo, as palavras de Rui Costa.
«É proibido abandonar a época. Somos obrigados a acreditar até ser possível —é obrigação de cada jogador e de cada pessoa que trabalha no Benfica, pela responsabilidade de representar o clube e pelo respeito que tem de haver pelos adeptos», afirmou o presidente dos encarnados, na semana passada, na Assembleia da República. Anteontem, também na AR, acrescentou: «Vamos para este jogo a pensar no campeonato e naquilo que temos de fazer no campeonato. Não é preciso estar a esconder que um dérbi é um dérbi, tem essa componente também, é sobre isso que vamos jogar esse jogo. O resto [consequências de eventual terceiro lugar no campeonato] logo veremos.»
Se para Mourinho e Benfica esta será, respetivamente, a última oportunidade para vencer o Sporting e para alimentar esperança no segundo lugar, para muitos jogadores os derradeiros cinco jogos são, também, oportunidades para justificar a continuidade no plantel. Alguns precisam mesmo de responder ao mais alto nível para recuperar a confiança do treinador, abalada depois do empate com o Casa Pia, em Rio Maior.
Há muito em jogo, como tal, no último dérbi da época.