Selecionador dos Estados Unidos satisfeito pela suspensão retirada ao seu jogador. Cortesia: FIFA

UEFA ataca FIFA por amnistia a Balogun

Donald Trump pediu a Infantino que retirasse o cartão vermelho do avançado norte-americano e até agradeceu o gesto na sua rede social. Se o gesto do presidente dos Estados Unidos não surpreende, já a entidade liderada por Infantino está debaixo de fogo

A UEFA emitiu um duro comunicado a condenar a decisão da FIFA de amnistiar Folarin Balogun, avançado dos EUA, permitindo-lhe disputar os oitavos de final do Mundial contra a Bélgica, apesar de ter sido expulso na fase anterior frente à Bósnia e Hergegovina. O organismo presidido por Alexsander Ceferin critica a FIFA, acusando-a de ter sido influenciada pelo poder de Donald Trump para levantar o castigo ao jogador norte-americano.

Numa nota oficial, a UEFA considera que a decisão de perdoar o castigo ao jogador «ultrapassou uma linha vermelha».

Trump agradece a Infantino

Segundo a AFP, Donald Trump ligou a Gianni Infantino, presidente da FIFA, a pedir para reverter a suspensão aplicada a Folarin Balogun. O avançado dos Estados Unidos foi autorizado a defrontar a Bélgica nos oitavos de final do Mundial, numa decisão que surpreendeu a federação belga. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu pouco depois da decisão através da rede social Truth Social. «Obrigado à FIFA por fazer o que era correto e por reverter uma grande injustiça!», escreveu.

«A decisão de ontem de suspender por um período de prova de um ano a implementação da suspensão automática de um jogo após o cartão vermelho mostrado ao jogador Folarin Balogun ultrapassou uma linha vermelha.»

O organismo europeu sublinha a importância das regras para a integridade da competição, afirmando que, neste caso, a sua aplicação não está aberta a interpretações.

«O futebol, como qualquer outro desporto, baseia-se em regras, que são o alicerce de uma competição justa, honesta e transparente. Por vezes, as regras estão abertas à interpretação. Neste caso, não. Uma suspensão automática mínima de um jogo após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a promulgação da decisão de um órgão competente. É um princípio consagrado nos regulamentos, que não pode estar sujeito a exceções, muito menos a meio de um torneio em que vários outros jogadores estiveram na mesma situação e cumpriram regularmente a sua suspensão.»

Gianni Infantino e Donald Trump

A UEFA alerta ainda que a credibilidade da prova está em causa e que esta decisão abre um precedente perigoso para o resto do torneio.

«Quando a certeza das regras já não é garantida pelos seus guardiões, a integridade do jogo está em jogo e a credibilidade de uma competição é minada. Igualmente, tal decisão cria um precedente no torneio em curso, onde situações semelhantes exigirão agora um tratamento igual, em detrimento da competição.»

Por fim, a UEFA classifica a medida como «sem precedentes, incompreensível e injustificável», expressando a sua «incredulidade» perante uma decisão que afeta não só o Mundial, mas o futebol no seu todo.

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