«Uau, este miúdo sabe jogar!»: A BOLA à descoberta do novo reforço do FC Porto
Aos poucos, da surpresa à confirmação da transferência, o nome de Eirik Granaas, de 16 anos, entrou no léxico dos adeptos portistas. É o apenas o segundo norueguês na história do FC Porto –100 anos depois de Fridolf Resberg, que era, na realidade, um diplomata -,o segundo mais novo jogador a estrear-se na Eliteserien, a liga norueguesa, com 15 anos e 90 dias. É reforço-sensação dos azuis e brancos, numa primeira fase para a equipa B, mas próximo do olhar de Farioli e da estrutura do futebol profissional portista.
À boleia de Anders Jensen, diretor desportivo do Fredrikstad acostumado a cruzar-se com grandes craques nórdicos, A BOLA foi descobrir a história de Eirik Granaas e da sua sensacional mudança para Portugal. A idade do médio é quase um detalhe. Aos 16 anos, Anders Jensen vê nele um jogador maduro por dentro. «Vão encontrar um jogador muito maduro, muito inteligente, esperto», descreve. Jensen garante que Granaas joga sempre com a mesma personalidade, seja qual for o nível. «Vai jogar o seu próprio futebol com o seu próprio caráter, independentemente do nível em que jogue», reforça. Fala de um médio que quer a bola, assume o jogo, conduz, decide e, ainda assim, não se desliga da equipa: «É um excelente jogador de equipa».
Vai jogar o seu próprio futebol com o seu próprio caráter, independentemente do nível em que jogue
O físico ainda não impressiona. E é precisamente aí que Jensen vê algo especial. «Ainda não é o maior fisicamente. É aí que sinto que é o mais impressionante no Eirik, porque ele não é o maior jogador, mas, de cabeça, está muito acima da sua idade», sublinha. «Vi o Eirik pela primeira vez quando ele tinha 13 anos», recorda. O jogador que viu brilhar na Eliteserien «é o mesmo» que o convenceu nessa altura. No antigo clube, o Mjondalen IF, jogava nos sub‑17, mas o Fredrikstad não esperou. Contratou-o e levou-o logo para o estágio de pré-época com a equipa principal, aos 14 anos: «No início, os jogadores olharam para ele como ‘mascote’. Bastou vê-lo com bola para mudar o discurso: ‘Uau, este miúdo sabe jogar’».
No início, os jogadores olharam para ele como ‘mascote’. Bastou vê-lo com bola para mudar o discurso: ‘Uau, este miúdo sabe jogar’
A partir daí, tudo acelerou. Começou a treinar-se cada vez mais vezes com os seniores, estreou-se num amigável no inverno de 2025 e, «a partir de março/abril do ano passado, tudo aconteceu muito depressa». «Ficou na equipa principal porque os treinadores e os jogadores o respeitavam e ele correspondia em treino e jogo. Na altura da estreia tornou‑se o mais jovem de sempre a atuar na Eliteserien, bateu o recorde de Martin Odegaard, jogou as eliminatórias da Liga Europa frente ao Midtjylland e marcou ao Aalesund», junta.
Jensen resume assim: «Não é normal. Muitos têm qualidades ou físico, mas nem todos têm a mentalidade para entrar num balneário sénior e serem respeitados. Essa é a diferença do Eirik».
Seleção A no plano 2030
A mudança é grande: de adolescente norueguês perto de casa para jovem profissional num país novo, com outra língua e outra pressão. Ainda assim, o diretor desportivo está tranquilo. «Se fosse outro jogador jovem, talvez pensasse: ‘Será que está pronto?’. Mas com o Eirik, estou muito calmo. Ele vai adaptar-se bem a um novo ambiente», garante. O segredo passa por continuar a confiar em si, ouvir «os bons conselhos das pessoas que o rodeiam» e aproveitar o facto de ter «bons professores e treinadores no FC Porto». Aprender uma nova cultura «só vai acrescentar à sua experiência» e, se tudo correr como esperado, «pode ser um sucesso muito bom também no FC Porto».
No horizonte está o sonho maior: ver Granaas na seleção A da Noruega, talvez já no Mundial de 2030, que terá jogos no Estádio do Dragão. «Nada me deixaria tão orgulhoso como vê-lo com a camisola da seleção da Noruega», confessa, lembrando que o médio fica «extremamente orgulhoso» sempre que representa o país. Em breve, vestirá a camisola azul e branca do FC Porto, mas a mensagem que Jensen deixa a Portugal é simples: chega um talento raro, com cabeça de sénior num corpo de adolescente.