Proença: «Rejeitámos a proposta da FIFA desde a primeira hora»
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), confirmou esta quinta-feira a oposição firme do organismo à proposta da FIFA, liderada por Gianni Infantino, que pretendia permitir a entrada de capital privado na organização do Campeonato do Mundo.
Em declarações ao Canal 11, o responsável que a posição portuguesa foi inequívoca desde o início. «A posição da FPF foi muito clara, desde a primeira altura», afirmou, explicando que a proposta colidia com os valores fundamentais da federação.
«É evidente que a proposta apresentada pela própria FIFA punha em causa alguns pilares fundamentais da atuação da própria federação. Temas como boa governança; como a não alienação daquilo que é o património associativo para património capital social único, é algo de que não abdicamos», detalhou.
A decisão de Portugal foi tomada em sintonia com as restantes 54 federações que integram a UEFA. «Foi também alinhado com as restantes 54 federações que compõem a UEFA que tomámos esta decisão, em defesa do futebol», acrescentou.
Apesar da controvérsia, Pedro Proença assegurou que a coorganização do Mundial 2030 por Portugal, Espanha e Marrocos não está em risco. «Está tudo tranquilo. Não há qualquer tipo de alteração, relativamente a esse tema», garantiu, reforçando que a oposição se tratava de uma «questão de princípio».
Para a FPF, a ideia de transferir património do movimento associativo para entidades privadas é inaceitável. «A alienação de parte de um capital que, para nós, deve estar dentro do movimento associativo para entidades privadas não cabe dentro dos princípios que devem reger o futebol mundial», reiterou.
O recuo da FIFA na proposta foi visto como uma vitória, resultante da forte mobilização europeia. «Felizmente, houve um passo atrás. Houve uma mobilização muito grande, por parte das 55 federações que compõem o ecossistema da UEFA e, portanto, direi que ganhou o futebol», concluiu Pedro Proença.