Tudor desvaloriza ameaça da descida: «A pressão a sério está lá fora»
Igor Tudor, treinador do Tottenham, afirmou que a ameaça de despromoção não constitui «pressão a sério» e instou os seus jogadores a assumirem responsabilidades numa fase crucial da temporada. O técnico croata, que sucedeu a Thomas Frank, viu a sua equipa perder os dois jogos sob o seu comando, primeiro no dérbi do norte de Londres contra o Arsenal e depois numa exibição fraca frente ao Fulham, de Marco Silva, deixando os spurs a apenas quatro pontos da zona de descida.
Com o aproximar do jogo de quinta-feira contra o Crystal Palace, a pressão aumenta, mas Tudor desvalorizou a situação. «Toda a gente compreende a situação. Algo está errado se não se compreende. O meu trabalho é afastar a pressão, mas o trabalho deles é aceitar que a pressão existe», declarou na conferência de imprensa de antevisão.
O treinador relativizou a pressão, comparando-a com desafios mais significativos da vida. «A pressão está em todo o lado, mas é preciso amar este trabalho. A pressão a sério está lá fora. Pessoas que precisam de ganhar dinheiro para as suas famílias ou que trabalham como médicos, a fazer operações e a decidir sobre a vida e a morte. Isso é que é pressão a sério», argumentou.
Tudor apelou à coragem e à responsabilização do plantel: «É preciso estar pronto para aceitar isto e dar a cara. Assumir a responsabilidade. Ter a coragem de enfrentar estas coisas. É a melhor maneira de o fazer, a única maneira. Espero que tenhamos, e tenho a certeza, porque vi nos treinos, os jogadores para dar um passo em frente, assumir a responsabilidade e fazer-nos começar a ter, antes de mais, boas exibições e, depois, também a somar pontos.»
A reação de Igor Tudor após a derrota em Craven Cottage gerou críticas, com alguns a defenderem que o treinador deveria focar-se em aumentar a confiança dos jogadores. No entanto, o croata defendeu a sua postura, sublinhando a importância de não banalizar a derrota. «É para não aceitar a derrota como algo normal. É essa a razão», explicou. «É uma questão de mentalidade. Quando se joga com os amigos, pode-se ter a mentalidade de 'ok , vamos jogar ténis e depois perdemos'. Ou pode-se ser diferente.»
O técnico acrescentou ainda que, após os jogos, a desilusão é uma reação natural e necessária. «Depois dos jogos, é preciso estar zangado e desapontado. Não se pode ser o tipo que entra e diz que está tudo perfeito, sorri e que nada aconteceu», frisou. Nesta fase da época, Tudor admitiu que o estilo de jogo já não é a prioridade, mas sim a conquista de pontos.