Tudo vale a pena pela mítica Taça de Portugal: uma cidade que não pregou olho!
Quem foi ao Estádio Nacional poderá orgulhar-se eternamente de ter assistido ao vivo ao jogo mais importante da história do Torreense. Mas quem não se deslocou ao Jamor também teve oportunidade de ficar diretamente ligado às celebrações azuis-grenás. Não só aqueles que viram o encontro frente ao Sporting na Fanzone existente em Torres Vedras, mas também os que preferiram outros locais para assistir ao desafio, mas que, depois do apito final, inundaram as ruas de Torres Vedras para dar ainda mais cor a uma festa... espontânea.
Após a festa no palco da final da Taça de Portugal, a comemoração foi também rija no Oeste. O Carnaval é e será mítico, mas a conquista de uma prova rainha merecia uma resposta à altura de todos os nativos de Torres Vedras. Não poderia ser de outra forma e... assim foi. Mal soou o apito final, as artérias da cidade começaram a encher-se de gente. Uns de carro, outros apeados. Uns mais aconchegados devido ao cair da noite, outros mais desprotegidos no que a indumentária diz respeito. Mas o momento também dava azo à célebre tirada do ninguém leva a mal.
CHEGADA DO AUTOCARRO
Pouco passava das 23h30 quando o momento mais aguardado por todos aconteceu: a chegada do autocarro que transportava a equipa. A viatura rumou, de imediato, ao Estádio Manuel Marques. Ou, em bom rigor, às imediações do recinto. Zona que estava, naturalmente, absolutamente lotada. E primeiro que o condutor conseguisse andar uns meros 10 metros... os minutos eram muitos.
A juntar ao bom comportamento da população, deve também referir-se a excelente organização levada a cabo pela Polícia de Segurança Pública. As forças de segurança traçaram um plano que foi integralmente cumprido e não houve registos de incidências. O que é sempre salutar nestas ocasiões. Excessos, sim, mas contidos.
A multidão, em delírio, fez como que um cordão humano ao autocarro, mas a proximidade era tal que os jogadores conseguiam, pelos vidros da viatura, estender as mãos e agradecer o extraordinário banho de carinho que iam recebendo. E que era totalmente justo, diga-se. Afinal, eles foram (e serão eternamente) os grandes heróis.
LOUCURA NA CÂMARA MUNICIPAL
Mais de uma hora depois (seguramente!), a comitiva chegou à Câmara Municipal de Torres Vedras. Após a receção oficial, liderada por Sérgio Galvão, edil local, houve direito à consagração na varanda da autarquia. Lá em baixo... imagine, estimado leitor: uma autêntica loucura. Palmas a rodos, cânticos infindáveis e glorificação de todos aqueles que elevaram o Sport Clube União Torreense ao mais alto patamar da sua história centenária.
Do hino do clube ao famoso We Are The Champions... houve de tudo. A música não mais parou, os jogadores e restante estrutura envolveram-se por completo e, na parte final, ainda desceram a escadaria para voltarem a interagir com todos aqueles que não pararam de gritar bem alto o nome do clube. Foi (mesmo) bonita a festa, pá!
TODOS SÃO ADEPTOS. IMAGINE-SE O AUTARCA...
Não há adepto do Torreense que não esteja nas nuvens. Mas depois também há adeptos que, fruto das suas responsabilidades na vida social, têm também motivos paralelos para festejar. É o caso de Sérgio Galvão, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, que falou em exclusivo a A BOLA sobre a história escrita pelo clube no Jamor.
«É um dia especial, único e inesquecível. É um feito absolutamente extraordinário. Mérito total dos jogadores e de toda a estrutura do Torreense, que tem feito um trabalho excecional nos últimos anos», admitiu, não sem antes lançar já o desafio vindouro e que pode dar origem a outra grande festa: «O Torreense está de parabéns e espero que na próxima quinta-feira, diante do Casa Pia, consigamos resolver a eliminatória a nosso favor. Estaremos todos em Rio Maior a apoiar o Torreense.»
O céu que o clube tocou eleva também o Município para outro patamar mediático. «Obviamente que a projeção que o Torreense consegue trazer ao concelho é algo que não se consegue quantificar. Estamos a viver um sonho! Era difícil dizer que o Torreense iria vencer o Sporting, mas claro que também temos a obrigação de continuar a ajudar o clube. Claro que tínhamos de abrir as portas da autarquia para projetarmos esta festa. Eram milhares de pessoas que queriam esta festa e é muito bom vermos esta envolvência entre cidade e clube», notou.
ANDRÉ SABINO: «NOITE MÁGICA»
Os méritos são muitos, os louros podem ser repartidos por muitos, mas há algo que é unânime: André Sabino é um dos principais rostos do sucesso do Torreense. O diretor geral tem realizado um trabalho absolutamente notável, reconhecido um pouco por todo o lado, e à chegada da comitiva à Câmara Municipal de Torres Vedras, na madrugada de ontem, não escondeu a emoção que lhe ia na alma.
«É um dia extraordinário, não há palavras para descrever. Festa? Só mostra a força do Torreense. Agora é transportar esta festa para mais uma noite mágica na próxima quinta-feira», atirou o dirigente, já com os olhos postos no jogo frente ao Casa Pia, que pode catapultar o Torreense para a elite nacional.
Na ocasião, o nosso jornal ainda extraiu mais uma frase a Luís Tralhão. O treinador foi pragmático, mas falou de coração totalmente aberto: «A ficha está a cair. É um dos dias mais felizes da minha vida desportiva.»
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