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Tuchel deixou jogadores de Inglaterra em choque
A eliminação da Inglaterra nas meias-finais do Mundial 2026, após uma derrota por 1-2 frente à Argentina com reviravolta e ao cair do pano, está a gerar controvérsia, com as opções táticas do selecionador Thomas Tuchel a serem o principal alvo de críticas e a causarem estupefação entre os próprios jogadores, segundo o The Athletic.
Depois de Anthony Gordon ter colocado a equipa inglesa em vantagem, o alemão optou por uma abordagem defensiva, fazendo entrar três defesas — Ezri Konsa, Dan Burn e Nico O’Reilly — para tentar segurar o 1-0. A estratégia, contudo, saiu gorada, com a Argentina a conseguir a reviravolta no marcador com dois golos tardios (85' e 90+2').
Apesar de Tuchel ter afirmado não ter «quaisquer arrependimentos», o sentimento no balneário inglês era bem diferente. Fontes próximas da equipa revelaram que a decisão de recuar no terreno, em vez de explorar o contra-ataque, deixou alguns jogadores perplexos. Havia a convicção de que a Argentina estava vulnerável e que a entrada de jogadores mais velozes, como Bukayo Saka, Ollie Watkins ou Noni Madueke, que permaneceram no banco, poderia ter sentenciado a partida.
A surpresa aumentou quando, mesmo após o golo do empate argentino, Tuchel demorou a lançar Marcus Rashford e Ivan Toney, fazendo-o apenas quatro minutos depois de a sua equipa já estar em desvantagem. As críticas estendem-se à substituição de Declan Rice por um defesa, em vez de outro médio, uma vez que o golo de Enzo Fernández surgiu precisamente na zona do terreno que seria, teoricamente, ocupada por um médio defensivo. Ironicamente, o golo da vitória argentina, apontado por Lautaro Martínez, surgiu de um cabeceamento sem marcação, apesar de a Inglaterra ter em campo seis defesas, quatro dos quais centrais.
«Devíamos ter continuado a pressionar...»
O defesa Marc Guéhi expressou a sua frustração com a mentalidade da equipa após o golo inaugural. «Depois de marcarmos o 1-0, parece que tentámos apenas aguentar, o que a este nível não é suficiente, por isso estou destroçado. Devíamos ter continuado. Devíamos ter continuado a pressionar. A sensação foi que marcámos e a mentalidade passou a ser recuar e defender», lamentou.
Fontes anónimas próximas da seleção inglesa foram ainda mais diretas. «Tuchel foi contratado pela sua tática em jogos a eliminar e falhou», disse uma ao The Athletic, enquanto outra acrescentou: «Ninguém conseguiu perceber.» Apesar da polémica, o selecionador alemão mantém o apoio do diretor-executivo da Federação Inglesa, Mark Bullingham, e já manifestou a intenção de cumprir o seu contrato, válido até ao final do Euro 2028.
Confrontado com a sua responsabilidade na eliminação, Tuchel defendeu-se: «Milhões de treinadores, depois do jogo, pensam que sabem mais. Eu tenho de tomar uma decisão, foi assim que analisei o jogo. Sem arrependimentos. A equipa deu tudo e fez um dos nossos melhores jogos, provavelmente o nosso melhor dadas as circunstâncias.»
Em defesa de Tuchel saiu o seu compatriota Jurgen Klopp, que relativizou as críticas. «As pessoas falam sempre depois do jogo como se treinar fosse fácil. Vejo as críticas a Tuchel por tentar defender o 1-0 contra a Argentina, mas deixem-me dizer-vos uma coisa: se ele não o fizesse, se continuasse a atacar e sofresse um golo, as mesmas pessoas estariam aqui a dizer: 'Porque é que ele não controlou o jogo?'», afirmou Klopp.
O treinador alemão acrescentou ainda outro fator à equação: «E depois há outra realidade. Esta equipa da Argentina, a crença, a mentalidade — por vezes parece que algo de especial está com eles nestes momentos. E quando se tem Lionel Messi, o que se pode fazer? Ele tem 39 anos e ainda é o melhor jogador do mundo. Sim, podemos falar de táticas, de decisões, mas por vezes também temos de aceitar que a genialidade decide jogos...»