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Trump defende Kane, «amigo do golfe»: «Pegaram no melhor jogador e puseram-no a defender»
Donald Trump voltou a ser protagonista no Mundial, tecendo comentários sobre a organização do torneio, o telefonema a propósito de Folarin Balogun e até Harry Kane, entre vários assuntos que escolheu abordar. O presidente dos Estados Unidos recebeu Gianni Infantino, presidente da FIFA, num evento na Trump Tower, em Nova Iorque, em que falaram cerca de meia hora, mas ninguém pôde fazer perguntas.
Trump elogiou Infantino pela «grande decisão» ao permitir a suspensão do castigo de um jogo de Folarin Balogun. A medida, que gerou grande controvérsia no Mundial, surgiu após um telefonema de Trump ao presidente da FIFA sobre o cartão vermelho ao avançado norte-americano, no jogo com a Bósnia, que o tiraria do embate com a Bélgica.
O presidente voltou a confirmar ter telefonado a Infantino para pedir a revisão do caso.
«Fui forçado a ligar ao Gianni e a fazer apenas uma recomendação. Eu disse: 'Gianni, gostaria de fazer uma recomendação. Deixa o tipo jogar'», afirmou, para depois recuar. «Não, não disse isso. Disse: 'Gostaria de apresentar uma queixa'. Na verdade, não o fiz, não fazia ideia do que ia acontecer, mas é muito melhor como tudo se resolveu, porque não há controvérsia», acrescentou.
Trump continuou, elogiando a decisão que atribuiu a Infantino: «Eles [Bélgica] ganharam o jogo e a nossa equipa teve todos os seus jogadores. Tu [Gianni] tomaste outra grande decisão, se pensares bem. Sei que nunca terás o crédito. Mas se ele [Gianni] não o permitisse, então a [seleção dos EUA] diria: 'Teríamos ganho o jogo se tivéssemos os nossos melhores jogadores'. Portanto, o Gianni tomou mais uma das suas muitas boas decisões».
Infantino pareceu protestar, murmurando que não foi ele a tomar a decisão, mas de forma quase inaudível, notou o The Athletic, presente na sala.
Trump aproveitou ainda para criticar as táticas defensivas do selecionador de Inglaterra, Thomas Tuchel, na derrota da meia-final contra a Argentina (1-2), para defender o «amigo» Harry Kane, com quem uma vez jogou golfe. Comentou a decisão de Tuchel de o colocar a defender quando a sua equipa estava em vantagem contra a Argentina na meia-final. «O Harry tem sido fantástico. Acho que talvez tenham cometido um erro quando o tornaram [a Kane] um jogador defensivo. Estavam a vencer, pegaram no seu melhor jogador e puseram-no na defesa. Temos de ser um pouco ofensivos, certo? O que é que eu sei sobre futebol sobre treinar? Mas foi um pouco invulgar», comentou.
"England made a mistake" 👀
— Sky Sports News (@SkySportsNews) July 18, 2026
Donald Trump has branded England's semi-final tactics as 'unusual' and wanted to see players such as Harry Kane be more 'offensive' 🏴 pic.twitter.com/07a7nCchni
Infantino foi o primeiro a discursar, afirmando que o Mundial «excedeu todas as expectativas» e que cumpriu uma promessa feita a Trump em 2018. «Disse-me que a América acolheria o mundo e, de facto, acolheu o mundo. Todos os que vieram aqui desfrutaram e todos os que ficaram em casa também desfrutaram», declarou Infantino, dirigindo-se a Trump.
Mas nem todos, de facto. O líder da FIFA não mencionou a decisão dos EUA de impedir logo ao início a entrada do árbitro somali Omar Artan, alegadamente por «associação a suspeitos de pertencerem a organizações terroristas». Também foram omitidas as dificuldades sentidas pela seleção do Irão, cujo capitão, Mehdi Taremi, classificou a organização do torneio como um «desastre» devido às restrições de vistos.
Infantino descreveu a FIFA como «a fornecedora oficial de felicidade da humanidade», ao que Trump interrompeu: «A menos que a equipa perca».
O presidente da FIFA prosseguiu com rasgados elogios: «Tudo isto não teria sido possível, e digo-o porque é a verdade, porque não precisa que as pessoas o elogiem, Senhor Presidente, este Mundial não teria sido um sucesso tão incrível sem si». Infantino acrescentou: «Este é o maior evento humano, social e cultural que a humanidade já testemunhou. Por isso, agradeço-lhe. Um país será campeão do mundo, mas o mundo já ganhou, a América ganhou, a FIFA ganhou».
Messi , Ronaldo e a França
O presidente norte-americano aproveitou também para comentar o desempenho de várias outras estrelas do torneio. Elogiou a capacidade de passe do capitão argentino Lionel Messi, descrevendo-o como um jogador que «nasceu com algo extra especial», e colocou Cristiano Ronaldo no mesmo patamar. «Fiquei a conhecê-lo ao longo destes anos e ele é um ótimo tipo», disse sobre o português.
O presidente expressou ainda surpresa pela derrota da França por 0-2 contra a Espanha na meia-final. «Pareciam imbatíveis e depois não venceram a Espanha. Acontece na vida. Estás no auge e depois deixas de estar», refletiu.
Trump revelou também que Infantino lhe confidenciou que a FIFA está a considerar expandir o Mundial para incluir mais 16 equipas, e encorajou o presidente da FIFA a escolher novamente os EUA como anfitriões. «Desta vez, deixamos o México e o Canadá de fora», brincou.
Trump irá assistir à final do Mundial no domingo e foi anunciado por Infantino que entregará o troféu ao vencedor em conjunto com o presidente da FIFA. O mesmo já foi visto no ano passado, quando entragaram ao Chelsea o troféu do Mundial de Clubes.
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