Trubin, guarda-redes do Benfica
Trubin, guarda-redes do Benfica - Foto: IMAGO

Trubin defende Sudakov e explica confusão com adeptos do Benfica

Guarda-redes encarnado desvalorizou campanha sem derrotas na Liga, elogiou Mourinho e relembrou duelo «doloroso» contra o Sporting

Anatoliy Trubin fez uma retrospetiva de três anos ao serviço do Benfica no podcast do antigo guarda-redes ucraniano Denys Bokyo. O guardião de 24 anos recordou um período de adaptação «muito difícil» à primeira experiência fora da Ucrânia.

Três anos volvidos, Trubin entende a «mentalidade portuguesa» e exalta o estilo de vida que mantém em Lisboa. «No geral, é tudo ótimo. Temos sol dez meses por ano, para um ucraniano não há dias frios. Jogo num dos melhores de Portugal e Europa», frisou.

O guarda-redes ucraniano admitiu, ainda assim, o aspeto que pretende melhorar: «Faltam os resultados. Quero ajudar a equipa a jogar o campeonato.»

Trubin justificou o facto de ainda não ter conquistado a Liga: «Na primeira época houve muitas derrotas sem explicação. Ganhámos ao Sporting [2-1] e ao FC Porto [1-0] na primeira volta, mas depois perdíamos e empatávamos. Na última época tivemos a oportunidade de conquistar a Liga até à última jornada, mas não ganhámos ao Sporting na penúltima. Psicologicamente era difícil, uma vitória era tudo o que precisávamos. Foi uma experiência dolorosa.»

O peso da rivalidade com o FC Porto

«O ambiente é única. Nunca tinha sentido algo assim antes. Nos jogos com o FC Porto fora eles querem destruir-te. Atiram pirotecnica, garrafas, tudo. Consegues sentir a animosidade.»

Trubin detalhou, posteriormente, o que falhou em 2025/26 e relativizou a campanha sem derrotas rubricada pelas águias. «Não é suficiente para um clube do Benfica não perder. Perdemos muitos pontos contra equipas do fundo da tabela. O campeonato é decidido contra essas equipas. São muitos empates. erros individuais, concedemos alguns golos nos últimos 5/7 minutos.»

A frustração do guarda-redes ucraniano culminou num episódio mais quente com os adeptos do Benfica no final do empate polémico em Famalicão (2-2), a 2 de maio. Trubin foi insultado, mandou calar a massa adepta e recusou agradecer-lhes.

O guardião relativizou o momento de tensão: «Não posso dizer que foi algum tipo de quezília. O Benfica é um clube de topo que exige vitórias e bons resultados. Os adeptos estão habituados e querem vitórias. Ficou 2-2, não ganhámos, houve algumas emoções e foi por isso que aconteceu como aconteceu. Não foi uma luta. Entendo que alguns adeptos estivessem insatisfeitos, talvez com o jogo, talvez comigo.»

«Talvez não havia necessidade de demonstrar nada, mas talvez tenha acumulado alguns resultados negativos. Precisas de estar focado», alertou. Trubin recordou também as palavras de encorajamento endereçadas por José Mourinho no final da partida em Famalicão, entre histórias sobre o técnico luso: «Num jogo estava suspenso, estava no autocarro e começou a dizer a partir de um computador 'conseguem ouvir-me?'»

O guarda-redes do Benfica destacou a «grande oportunidade» de poder ter trabalhado com o antigo técnico dos encarnados. «Não posso dizer que é muito emocional, mas na altura certa surpreendeu-nos, foi muito bom. No geral ele é muito calmo e diz o que é preciso. Gostei muitos do treino», reiterou.

Trubin recordou ainda uma conversa com o técnico luso que serviu de alerta: Ele disse 'sei que és um jogador muito inteligente, mais introvertido, sei que vês tudo, mas tens de dizer e de abrir-te'. É psicologia. Preciso de crescer, ser um líder e comunicar melhor.»

O guardião de 24 anos abriu o livro também sobre a temporada de estreia do compatriota Heorhii Sudakov no Benfica. Trubin recordou que ficou «muito feliz» quando surgiu a possibilidade de voltar a partilhar balneário com um «amigo» no verão de 2025.

Anatoliy Trubin e Sudakov, colegas ucranianos do Benfica
Anatoliy Trubin e Sudakov, colegas ucranianos do Benfica

Sudakov mudou-se mesmo para a Luz e Trubin foi uma peça importante no período de adaptação a Portugal: «Quando jogas foras não tens muitas pessoas. Disse tudo o que ele tinha de fazer, fui tradutor, expliquei como funcionavam as coisas no clube.»

O rendimento do criativo decaiu ao longo da época e a reta final ficou marcada por sucessivos jogos passados no banco de suplentes. Trubin destacou as qualidades do amigo, mas admitiu que este não encaixava no Modelo de Mourinho: «Não posso dizer que ele seja inferior a qualquer outro médio do nosso plantel. E não quero, de forma alguma, comentar as opções do treinador. O Mourinho tem a sua própria visão do jogo.»

«Infelizmente, o Sudakov não teve os minutos que ele, eu e, provavelmente, todos os ucranianos desejaríamos. Este pode ser um período difícil, mas penso que isto vai fazê-lo crescer. O importante é que não quebre psicologicamente e continue a trabalhar e a acreditar», frisou.

Trubin considerou que Sudakov «pode tornar-se num jogador muito importante para o Benfica». O guarda-redes garantiu que o compatriota não desistiu: «Ninguém consegue estar de bom humor quando não joga, mas ainda assim é preciso trabalhar, ir para o treino seguinte com ambição, com energia positiva. É isso que ele tem feito, está realmente de parabéns, mas eu tentei dar o meu melhor para o apoiar com algumas palavras.»

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