Ficou desfigurado após ataque de chimpanzés e agora sonha com LA2028
O lutador Dunia Sibomana-Rodriguez, de 18 anos, sagrou-se recentemente campeão africano pela sua terra natal, a República Democrática do Congo, e prepara-se agora para competir pela Universidade da Carolina do Norte, com os Jogos Olímpicos de LA 2028 no horizonte.
O jovem atleta conquistou não só o título sénior na categoria de 57 kg, mas também o de sub-20 nos Campeonatos Africanos, realizados em Alexandria, no Egito. Este feito representa um sonho tornado realidade para Sibomana-Rodriguez, que ambiciona representar o seu país nos Jogos Olímpicos de 2028.
«Sempre foi o meu sonho voltar e lutar pelo Congo, e finalmente consegui, o que me deixou feliz», afirmou o atleta numa entrevista exclusiva ao Olympics.com. «Retribuir ao meu país... isso aquece-me o coração», acrescentou.
"When I first saw my reflection in a mirror, I was overwhelmed." Twelve years later, at the age of eighteen, Dunia Sibomana-Rodriguez reflects on this moment in a lengthy interview with the New York Post. What he discovered after 16 surgeries was the face of a young Congolese man… pic.twitter.com/Bsp2zeaHRj
— African Gorilla Safaris LTD (@africansafaris8) May 25, 2026
A jornada de Dunia foi marcada por uma tragédia aos seis anos de idade. Enquanto brincava com o seu irmão e primo perto de casa, na República Democrática do Congo, foi atacado por chimpanzés. Foi o único sobrevivente do trio. Cerca de dois anos depois, foi levado para os Estados Unidos com um visto médico, onde foi submetido a 16 cirurgias, incluindo uma complexa reconstrução facial no Stony Brook University Hospital, em Nova Iorque. A sua vinda foi apoiada pela organização sem fins lucrativos Smile Rescue Fund For Kids.
Nos Estados Unidos, foi adotado pelo treinador de luta livre Miguel Rodriguez e pela sua esposa, Marissa. Foi através do desporto que Dunia encontrou um novo foco e superou as adversidades. Começou a praticar luta livre no ensino básico e, desde então, acumulou títulos a nível regional, estadual e nacional, aos quais junta agora o de campeão africano.
Dunia Sibomana-Rodriguez, who survives deadly chimpanzee attack at 6 becomes national wrestling champion at 18 pic.twitter.com/LmxbhvZzlh
— SKI (@skiistiredasf) April 18, 2026
O seu pai adotivo, Miguel, destaca o papel do desporto na sua recuperação. «O Dunia enfrentou tantos desafios... alguns que nem conseguimos descrever. Sentimos que ele superou grande parte da adversidade, dos acidentes, de tudo o que lhe aconteceu no passado, através do desporto», explicou.
Para o próprio Dunia, a luta livre foi uma escola de vida. «A luta ensinou-me muito; ensinou-me a manter o equilíbrio e a ter determinação. Tudo», refletiu o jovem, sublinhando a importância do trabalho árduo: «A única coisa que se vai ver no tapete é o que se faz nos treinos e no ginásio. O trabalho que se investe é o resultado que se obtém».
#Infosnet : Mariage,
— Joseph Dimandja (@Joseph1Dimandja) June 12, 2026
Félicitations cher frère, Dunia Sibomana-Rodriguez autrement Monsieur le champion. @Mariagesnet pic.twitter.com/1XphBBtLjg
Apesar de também ter praticado futebol e atletismo, os sucessos na luta livre tornaram esta a sua modalidade de eleição. Agora, com uma bolsa desportiva, está prestes a iniciar uma nova etapa na Universidade da Carolina do Norte. «A Carolina vai ser um passo muito grande para mim», admitiu com um sorriso.
Com os Jogos Olímpicos em mente, os próximos desafios incluem o Campeonato do Mundo de Sub-20 na Eslováquia, em agosto, e o Mundial de Sub-23 em Las Vegas. O seu pai adotivo acredita no seu potencial olímpico: «Sentimos que o Dunia pode perfeitamente integrar a equipa [do Congo] e fazer parte dos Jogos Olímpicos em LA. Só temos de o preparar para isso. Não é uma tarefa fácil; agora as pessoas em África já sabem quem ele é».
A luta livre tem sido fundamental para Dunia, não só dentro do tapete, mas também fora dele, ajudando-o a superar inúmeros desafios. O seu pai adotivo, Rodriguez, acredita que o desporto construiu a confiança do atleta, que agora «vê o mundo — e toda a gente — da mesma forma». Esta confiança, segundo Rodriguez, foi alimentada pela sua equipa, família, treinadores e comunidade.
«Sentimos que a luta livre lhe deu tanta confiança», afirmou Rodriguez, acrescentando que o sucesso no desporto o ajudou na vida pessoal. «Sentimos que isso o construiu. A luta livre foi definitivamente uma grande parte disso: o sucesso que ele teve no tapete ajudou-o fora dele.»
Recentemente, dias após uma entrevista ao Olympics.com, Dunia teve a honra de fazer o primeiro lançamento num jogo no Yankee Stadium, um reflexo do forte apoio que tem recebido da sua comunidade na área metropolitana de Nova Iorque. O próprio atleta descreve este apoio como essencial para ultrapassar as dificuldades.
For Day 2 of HOPE Week, the Yankees honored Dunia Sibomana-Rodriguez & The Smile Rescue Fund for Kids with a surprise go-away party at the stadium 💙 pic.twitter.com/c4Kjb9zv2A
— YES Network (@YESNetwork) June 16, 2026
«A minha comunidade apoia-me muito e... está sempre lá para ajudar em qualquer coisa», disse Dunia. «É tudo o que se poderia pedir a uma comunidade. Ajudou-me muito durante o liceu e em tudo o resto fora da luta livre também.»
Apesar de ter crescido nos EUA, Dunia mantém uma forte ligação com o seu país de origem, a República Democrática do Congo, onde ainda tem um irmão. Após os Campeonatos Africanos, foi recebido como um herói numa visita ao país, com uma manchete a descrevê-lo como «O regresso do filho pródigo».
Este laço com as suas origens é reforçado pelo sucesso internacional, e o atleta sonha em representar o Congo nos Jogos Olímpicos de 2028 em Los Angeles. «Representar a minha equipa... representar o Congo [em LA 2028]», começou por dizer. «Vai ser... não sei. As palavras não conseguirão explicar.»
«Quero que eles se sintam orgulhosos», acrescentou. «Seria uma grande memória e uma grande conquista para mim.»