Ruben Amorim foi recentemente oficializado como treinador do AC Milan. Foto MarkxPainx/IMAGO
Ruben Amorim foi recentemente oficializado como treinador do AC Milan. - Foto: IMAGO

Treinadores portugueses na ribalta!

O Lado Invisível é um espaço de opinião quinzenal de Rui Lança, diretor executivo de outros desportos do Al Ittihad, da Arábia Saudita

Este verão promete boas notícias para os treinadores portugueses no que diz respeito à sua presença e permanência nas ligas do Top 5 europeu. Para já, os sinais são encorajadores e, mais do que premiar os próprios treinadores, representam uma enorme campanha de marketing e credibilidade para o futebol português na Europa. No Brasil e no Médio Oriente, essa valorização do treinador português continua bem viva.

À data de hoje, teremos dois treinadores portugueses na LaLiga, e não podemos ignorar o facto de um deles liderar um dos clubes mais mediáticos do planeta. Teremos também um treinador em Itália num dos principais candidatos ao título, dois treinadores na Ligue 1, mantemos a nossa aversão à Bundesliga e teremos um treinador na Premier League.

É verdade que manteremos o mesmo número relativamente à época passada, com seis treinadores portugueses nas ligas Top 5. No entanto, a qualidade do posicionamento é hoje muito diferente. Ter dois treinadores portugueses em clubes com ambições reais de conquistar campeonatos e competir pelos maiores troféus europeus volta a colocar o treinador português nos maiores holofotes do futebol mundial.

Juntando a isto os vários treinadores portugueses que continuam a destacar-se no Brasileirão, nos campeonatos do Médio Oriente, os três no Championship e em diversos contextos africanos, Portugal volta a posicionar-se na linha da frente de uma das exportações mais valiosas do seu futebol: conhecimento e talento.

Acresce ainda a mais do que provável entrada de um treinador português para a Seleção Nacional de Portugal. Independentemente da avaliação que cada um faça sobre quem sai ou quem poderá entrar, a verdade é que essa decisão permitirá ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol construir uma narrativa assente na valorização da competência do treinador nacional para liderar o principal ativo do futebol português.

Num país com pouco mais de 10 milhões de habitantes, conseguir produzir de forma consistente treinadores, dirigentes e atletas numa indústria tão global e competitiva não deveria ser encarado como algo normal. Deveria ser visto como uma das maiores vantagens competitivas do futebol e desporto português. Conseguimos produzir talento de quem lidera, organiza e joga.

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