Pau Víctor bisou e selou a vitória do SC Braga no terreno do Alverca, em duelo da 5.ª jornada — Foto: Filipe Amorim/LUSA
Pau Víctor bisou e selou a vitória do SC Braga no terreno do Alverca, em duelo da 5.ª jornada — Foto: Filipe Amorim/LUSA

Banho fresco renovou ideias aos guerreiros e Pau fez o resto (crónica)

Chiquinho deu vantagem aos ribatejanos. Descanso foi bom conselheiro para a cambalhota arsenalista, com bis do avançado espanhol

O SC Braga sofreu... por culpa própria. Apesar dos méritos do Alverca, naturalmente, a verdade é que a primeira parte dos arsenalistas assentou numa base tantas vezes vista: posse de bola a rodos (na casa dos 70 por cento em tempo de intervalo), mas pouca audácia no ataque ao último terço.

O conjunto orientado por Sérgio Ferreira demonstrou ter a lição bem estudada, aceitou o domínio dos minhotos e demonstrou uma organização defensiva que garantiu maior amplitude à retaguarda. Dessa forma, os ribatejanos foram estancando as intenções dos guerreiros — belo remate de Mario Dorgeles (7'), a rasar o poste, e falhas por centímetros de Vítor Carvalho e Adrian Bajrami na sequência de um livre batido por Mario Dorgeles (10') — e quando tiveram a primeira oportunidade para explorarem a profundidade foram... letais.

A ideia de Figueiredo foi boa, o passe ainda melhor, o critério de Chiquinho supremo: o brasileiro fez um passe longo, o português entrou na área, pelo lado direito, tentou trocar as voltas a Diego Rodrigues (que surgiu na compensação defensiva), mas o médio dos bracarenses (que na última jornada tinha sido herói ao apontar o golo do triunfo no dérbi com o Vitória de Guimarães) travou o 10 dos alverquenses à margem das leis e o penálti foi tão claro quanto o céu azul do final de tarde escaldante que se fez sentir no Ribatejo. O próprio Chiquinho — que regressou à equipa após ter cumprido dois jogos de suspensão — assumiu a responsabilidade e não tremeu: 1-0.

O momento mexeu com a cabeça dos jogadores do SC Braga, mas a verdade é que todas as tentativas até ao intervalo não tiveram consequência. Diego Rodrigues atirou à figura de Matheus Mendes (28'), Demir Tiknaz não tirou bem as medidas (39'), Diogo Travassos ainda tem de ir levar tinta ao poste (45+1') e Demir Tiknaz puxou o lustro a Matheus Mendes (45+2). Isaac James foi o último protagonista desta fase, mas Bernardo Fontes estava atento (45+5').

Na etapa complementar... a cambalhota. O calor convidava a um banho gelado em tempo de descanso e dos balneários veio um SC Braga ainda mais dominador, mas, acima de tudo, certeiro.

Pau Víctor deu a melhor sequência a uma jogada de luxo de Demir Tiknaz e empatou (50'), com o camisola 10 dos bracarenses a bisar pouco depois (57'), após Matheus Mendes negar os intentos a Fran Navarro e o poste ser o grande inimigo de Víctor Gómez.

Depois, e até final, foi controlar e saber sofrer. Porque o Alverca nunca atirou a toalha ao chão.

O melhor em campo: Pau Víctor (SC Braga)

A camisola 10 diz bem da influência, especialmente na ausência de Ricardo Horta, mas o avançado espanhol não oferece apenas criatividade ao coletivo. É, também, letal na hora da finalização e voltou a ser decisivo. Estava no sítio certo para abrilhantar ainda mais o lance de Demir Tiknaz e fez exatamente o mesmo para completar a reviravolta num lance em que a bola teimava em não entrar...

A figura: Chiquinho (Alverca)

Fugiu em velocidade para corresponder à solicitação de Figueiredo e teve a destreza e a técnica necessárias para tirar Diego Rodrigues do caminho antes de ser derrubou. Da marca dos 11 metros foi eficaz e fez levantar as bancadas do anfiteatro ribatejano. Depois disso tentou sempre deixar mais marca, mas não mais teve oportunidades claras para reforçar o seu papel de destaque no coletivo.

As notas dos jogadores do Alverca:

Matheus Mendes (6), Steven Baseya (5), Sergi Gómez (5), Yaya Bojang (5), Toni Tamarit (5), Ian Luccas (5), Rayan Lucas (5), Isaac James (5), Chiquinho (6), Vivaldo Semedo (5), Figueiredo (6), Dawda Camara (5), Davy Gui (5), Zakaria Kessary (5), André Vidigal (5) e Cedric Nuozzi (—).

As notas dos jogadores do SC Braga:

Sérgio Ferreira (treinador do Alverca):

Fomos uma equipa solidária na primeira parte, sabendo que o SC Braga gosta de ter bola, e fomos para o intervalo em vantagem. Somos muito infelizes na forma como entrámos na segunda parte e não se pode sofrer dois golos com tanta facilidade. Depois fomos estando em cima, com oportunidades, mas faltou-nos o golo.

Carlos Vicens (treinador do SC Braga):

Foi um jogo com controlo da nossa parte e com chegadas à área contrária, a diferença foi não termos concretizado na primeira parte. Na segunda parte tivemos energia e concretizámos. As substituições também são para isto, todos têm de estar prontos para ajudar a equipa. Na parte final faltou-nos alguma maturidade.

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