Tour: de volta à última vez em que Pogacar foi... humano (vídeos)
A décima etapa da Volta a França, entre Aurillac e Le Lioran, promete reacender a rivalidade entre os principais candidatos à classificação geral, com um final idêntico ao de 2024, onde Jonas Vingegaard superou Tadej Pogacar num sprint direto.
Nessa etapa há dois anos (então a 11.ª), cujos derradeiros 36 quilómetros coincidem, precisamente, com os do percurso da jornada desta terça-feira, a expectativa era de que a vitória fosse decidida pela fuga, mas acabou por se transformar numa batalha intensa entre os favoritos. Agora, o traçado apresenta uma abordagem ainda mais exigente, com sete subidas categorizadas, o que aumenta a expectativa.
Throwback to last time at Le Lioran, Jonas Vingegaard came back against Tadej Pogacar and beat him in a sprint finish! 🤯💨 pic.twitter.com/wPe4ld4429
— Cycling on TNT Sports (@cyclingontnt) July 13, 2026
O traçado da etapa (166,6 km) é ideal para a formação de uma fuga forte desde o início, com os primeiros 65 quilómetros em relevo ondulante, que dificilmente permitirá ao pelotão encontrar um ritmo estável. Depois, começam as subidas categorizadas: quatro (duas de 2.ª e duas de 3.ª) que servirão para aumentar o desgaste antes de uma parte final muito mais dura, com 80 km em que raramente haverá um metro plano.
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Desde logo, o Puy Mary (1.ª cat.; 7,8 km a uma inclinação média de 5,8% e 1,7 km finais a 9,4%), seguido pelo Col du Pertus, a subida mais difícil do dia (1.ª cat.; 4,3 km a 8,5%, com 2 km iniciais a 10,2% e últimos 1,5 a 9,7%). Na aproximação à meta, o Col de Font de Cère (3.ª cat.; 6,1 km a 4,8%), seguido de descida rápida a anteceder uma derradeira rampa (700 metros).
Apesar de o terreno ser propício a uma fuga, a estratégia agressiva da UAE Emirates, demonstrada ao anular a fuga nas etapas 3 e 6 para proporcionar a vitória a Pogacar (a última, a do até agora decisivo dia do Tourmalet), reduz significativamente as hipóteses aos aventureiros. A equipa poderá impor um ritmo elevado ao longo do dia, permitindo a Pogacar atacar para o terceiro triunfo na secção final explosiva.
Neste contexto, o esloveno surge como o principal favorito. Embora tenha sido derrotado por Vingegaard em 2024, alegadamente por deficiente alimentação, uma repetição desse cenário parece improvável, mesmo que, à imagem do que sucedeu há dois anos, após ataques mútuos (ainda que a Pogacar baste defender-se) voltem a defrontar-se no sprint final. Em condições normais, o camisola amarela (também a envergava na etapa em 2024, mas com apenas 1.14 minutos de vantagem sobre o nórdico, que ocupava a terceira posição atrás de Remco Evenepoel) é mais forte num mano-a-mano ao sprint.
Jonas Vingegaard carrega a carga anímica negativa da derrota esmagadora na etapa-rainha dos Pirenéus, talvez mais do que a força física que necessita para desafiar Pogacar em Le Lioran. Após a participação no Giro, é uma dúvida a melhoria de desempenho sugerida pelo dinamarquês e a sua equipa com o avançar do Tour, e ainda que a evolução se efetive, seja suficiente para bater e recuperar a substancial desvantagem que já tem para o rival.
Outros nomes a ter em conta neste tipo de etapa são Remco Evenepoel (Red Bull), que foi terceiro neste mesmo final em 2024 e procura um resultado semelhante para consolidar a posição no pódio, contando com o (suposto) apoio do companheiro de equipa Florian Lipowtz; Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), que tem um percurso adequado e poderá ser um elementos de dispersão no previsto duelo Pogacar-Vingegaard; tal como Juan Ayuso (Lidl-Trek), que após limitou as perdas na primeira semana poderá estar a aproximar-se da melhor forma, contando com o companheiro de equipa Mattias Skjelmose para influir na corrida.