Sem favoritismo, possíveis saídas e Ioannidis: tudo o que disse Rui Borges
- Que análise faz ao jogo?
- Acho que o grupo é merecedor de estar nesta final, lutar pelo troféu e vencê-lo. Temos de fazer muito e temos de demonstrá-lo dentro de campo contra uma equipa que vai dar a vida, num momento histórico para o Torreense, para a maioria dos seus atletas. Temos de estar preparados para a exigência do jogo. Têm demonstrado a sua qualidade ao longo da época, mostraram toda a sua qualidade na primeira Liga, são merecedores. Não foram aqueles 15 dias que ditam a nossa época, foi fantástica em termos de qualidade, competições, lutámos por tudo até ao final. É certo que não fomos campeões, que era o nosso objetivo. Este é um troféu especial, uma atmosfera especial. É exigência máxima, merecemos, tal como o Torreense merece estar aqui.
- Ioannidis está apto? E como analisa o ataque cedo do Sporting ao mercado?
- Ioannidis não estará pronto para o jogo. Está 100% recuperado, mas não integrou o treino totalmente connosco. Por tudo o que foi a paragem o melhor é não o utilizarmos. Começará a época a 100% e isso é importante para ele e para nós. Relativamente ao mercado… fala-se muito. Só posso falar do Zalazar, já falei dele, o clube também. O mercado é todos os dias, temos de estar cientes. Estamos identificados para a próxima época e o trabalho está a ser fantástico em todos os departamentos.
- Fala-se das saídas de Trincão e Maxi, além de Pote e Hjulmand. Que impacto têm estas possíveis saídas?
- Gostava de ter todos, que o Morita e o Quenda não fossem. É o que é, é o mercado a funcionar, fico feliz por os ver ligados a grandes clubes, porque é sinal de valorização individual de um coletivo que foi muito bom ao longo da época. É bom para os treinadores sentirem que valorizam os ativos, gosto muito de todos eles, não queria perder nenhum, mas sei que é o futebol. Sou muito feliz nesse aspeto. O Sporting será sempre Sporting. Depois do jogo logo veremos o mercado.
- Com tem gerido a carga emotiva?
- Não tenho estado muito focado nesse aspeto porque são jogadores profissionais. Todos outros têm contrato com o Sporting e sabem que têm de se apresentar no clube na próxima época. São jogadores do Sporting e continuam a sê-lo, tirando o Quenda e o Morita, que mentalmente podem estar mais sensíveis. Querem acabar a época com mais uma conquista. A motivação deles está no auge e não preciso de estar muito preocupado nesse sentido. Querem saber é se o mister os vai meter a jogar [risos].
- Poder conquistar duas taças consecutivas? Deixa-me feliz por esta época, por tudo o que fizemos, foi muito bom. Não conseguimos ser campeões, é certo. Não chegou, o adversário foi melhor, mas não apaga o que foi uma grande época de todos eles. São merecedores de acabar a época com um troféu. É acrescentar mais um ao currículo do clube, continuar a marcar a história do Sporting de alguma forma.
- Quem vai jogar na baliza e está preparado para a saída do Morten?
- Eu poderia dizer que já decidi ou que não decidi, mas eles não sabem, por isso seria ingrato da minha parte dizer quem jogava. Em relação ao Morten, é um jogador que tem contrato com o clube, estava-me a chatear para se apresentar dois dias à frente, porque ainda vai jogar a seleção neste final de época. É jogador do Sporting, conto com ele, vamos ver o que o mercado ditará, ficarei feliz se continuar, se não continuar é o que é. Não ficarei muito feliz, porque gosto muito dele e tem demonstrado muita qualidade, é o nosso líder, deu a cara pelo grupo e isso é muito importante. Precisamos cada vez mais desses líderes no balneário.
- Se estivesse na posição do mister Luís Tralhão, dava prioridade à subida de divisão ou à Taça de Portugal? E o que significa para si e para o Sporting, o facto do Sporting ser o segundo clube com mais presença na Seleção para o Mundial?
- Valoriza o trabalho com o Sporting não só com o Rui Borges, mas ao longo dos anos e a valorização do futebol português. Deixa-nos muito felizes e continuará a ser uma sequência de olhar cada vez mais para o que é nosso. Feliz, triste porque queria que estivesse mais gente, o Pote merecia, o Edu também é um caso a ter em conta para o futuro da Seleção, tem feito uma época fantástica. Outros que vão crescer, o Mangas numa fase inicial apareceu muito bem e acredito que estivesse ligado. Acima de tudo a valorização do jogador português naquilo que é Sporting e deixa-me feliz. Torreense? Metia os melhores, sem dúvida alguma, porque acho que a parte de dizer que estão numa luta pela subida, têm três quatro dias para respirar e jogar, mas são jogos que o mister não precisa de motivar os seus jogadores. Não vai haver cansaço. Os jogadores vão querer disputar o jogo no seu máximo e vão ter uma motivação para lá do normal o que nos vai dificultar a nossa tarefa. Temos de ser sérios, sete jogos sem perder, três golos sofridos, cinco jogos sem sofrer. Temos de estar concentrados.
- O que mais impressionou no Torreense e o que é mais importante controlar?
- Bolas paradas, têm dois centrais muito fortes, bons batedores. Contra-ataque e ataque rápido, são muito rápidos, temos de estar preparados para essas transições. Evitar ao máximo que elas existam. Depois a equipa ser muito competitiva no momento defensivo, têm um bom guarda-redes também. Vamos ter essa dificuldade, vamos ter de estar no nosso melhor e como disse o Morten, é perceber o nosso trajeto. Tivemos dificuldades com o Paços e desceu à Liga 3. Vai ditar bem as nossas dificuldades, temos o exemplo de ter defrontado o Casa Pia e de ter acabado com mais remates. Temos de ser sérios e rigorosos.
- Esse discurso do não favoritismo é uma forma de afastar a pressão?
- Não, é sermos sérios e não entrarmos em facilitismos. É uma boa pressão, que queremos, gostamos e assumimos. Agora favoritismo é difícil, porque é uma final, tanto uma equipa como a outra teve os seus méritos. Depois há a parte individual, passei por todos os escalões e sei o que é disputar um jogo contra equipas da Taça de Portugal. Tive como jogador e treinador, sem bem da dificuldade que criam às equipas favoritas. Não olho como uma equipa de escalão inferior, até porque está a disputar o acesso à Liga, portanto é respeito máximo. É um jogo de festa, e bonita, e ainda bem que assim é e seja por muitos anos. Temos de ser sérios porque ainda não ganhámos nada e queremos.
- Disse que havia dúvidas entre Rui Silva ou Virgínia para a baliza. É sinal de que o Virgínia pode estar de saída e isso seria um prémio?
- Virgínia tem contrato com o Sporting. Vocês põem já meia equipa fora do Sporting e meia dentro [risos]. É uma decisão minha, como todas ao longa da época. Difícil era eu estar em casa a ver na televisão, feliz por disputar mais uma final e com a maior das seriedades. Percebo da vossa parte o favoritismo, mas é olhar como qualquer outro. Perdemos pontos com equipas que desceram à Liga 2, portanto alerta máximo. É difícil porque os jogos que mais me stressam são os da Taça de Portugal, porque sei quão difícil é defrontar equipas de escalão inferior.
- Como viu as queixas de Luís Tralhão do calendário e ambas as equipas chegam nas mesmas condições?
- Para mim chegam nas mesmas condições, quando as equipas querem estar entre os melhores têm de perceber o que é o calendário. O futebol é isto, se lhes perguntassem se queriam disputar a final da Taça de Portugal e o play-off de subida no final da época, eles assinavam na hora, mas é o que é. É natural, não é por aí que vai deixar o Torreense mais ou menos competitivo, se querem estar entre os melhores sabem das consequências, tal como nós estivemos na Champions. Temos de saber lidar com isso.
- Jogadores vão procurar saber os resultados da Premier League ao intervalo?
- Não, acredito que hoje em dia é difícil conseguir abafar o que quer que seja, mas acredito que a equipa e os jogadores não estejam preocupados naquele momento. A motivação deles e o foco é acabar a época com um troféu que é nosso e essa parte vai ser algo que no fim do jogo a informação pode passar de forma mais limpa, mas não é isso que vai intrometer no foco.
Abraço especial e parabéns a todas as conquistas das modalidades do Sporting, ainda não tinha tido esse valor da minha parte, e é muito merecido. Não individualizar muito, porque felizmente são muitas conquistas. O Sporting deixa-me muito feliz a olhar para as modalidades, a ver de forma diferente, algumas até que não via antes, deixar esse abraço especial e os parabéns. Abraço e os parabéns também a duas equipas que fazem parte do meu trajeto, a Académica pela subida porque é merecedor por toda a cidade e adeptos. Merece estar no patamar. E o Académico de Viseu que me abriu as portas do futebol profissional. Feliz por vê-los na primeira liga e pela sua capacidade de crescimento ao longo dos anos.