Tensão na visita do presidente da CAF ao Senegal após polémica retirada do título da CAN
Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), encontra-se em Dakar, numa visita oficial que ocorre cerca de um mês após a controversa decisão de retirar o título de campeão africano de 2025 ao Senegal, atribuindo-o a Marrocos.
A chegada do líder do futebol africano ao Senegal aconteceu durante a noite de terça para quarta-feira, tendo sido recebido em Dakar por Abdoulaye Fall, presidente da Federação Senegalesa de Futebol (FSF). A visita surge num clima de tensão, na sequência da decisão que gerou indignação no país.
Dr Patrice Motsepe, le Président de la CAF, est arrivé à Dakar, au Sénégal, ce mercredi. Il a été accueilli par le Président de la Fédération Sénégalaise de Football, M. Abdoulaye Fall, ainsi que par les dirigeants du football sénégalais. pic.twitter.com/DJwtTKt093
— CAF Media (@CAF_Media) April 8, 2026
De acordo com um comunicado da CAF, a agenda de Motsepe inclui uma visita à ilha de Gorée, seguida de uma receção pelo presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye. Está também agendada uma conferência de imprensa, para as 17h30 desta quarta-feira, na qual se espera que o presidente da CAF aborde temas sensíveis, nomeadamente a atribuição da CAN 2025 a Marrocos.
Esta deslocação é vista como uma tentativa de apaziguamento. Recorde-se que, no final de março, Motsepe já tinha anunciado a intenção de visitar tanto o Senegal como Marrocos para sublinhar a importância de «trabalhar em conjunto para desenvolver o futebol africano». A instituição tem sido alvo de fortes críticas desde a polémica decisão do comité de recurso da CAF.
A Federação Senegalesa de Futebol, por sua vez, recorreu da decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), cuja deliberação é aguardada para os próximos meses. O ambiente tornou-se ainda mais tenso quando, a 18 de março, o governo senegalês exigiu, através de um comunicado, a abertura de um inquérito internacional «por suspeitas de corrupção nos órgãos dirigentes» da instituição pan-africana.
Em resposta a estas acusações, Patrice Motsepe assegurou na altura que nenhum país africano recebe tratamento «preferencial», elogiando a «independência» dos seus órgãos disciplinares.