Patrice Motsepe, presidente da CAF, com o homólogo da Federação Senegalesa de Futebol, Abdoulaye Fall - Foto: X/CAF Media
Patrice Motsepe, presidente da CAF, com o homólogo da Federação Senegalesa de Futebol, Abdoulaye Fall - Foto: X/CAF Media

Tensão na visita do presidente da CAF ao Senegal após polémica retirada do título da CAN

Presença de Patrice Motsepe na capital em Dakar em vista como forma de apaziguamento

Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), encontra-se em Dakar, numa visita oficial que ocorre cerca de um mês após a controversa decisão de retirar o título de campeão africano de 2025 ao Senegal, atribuindo-o a Marrocos.

A chegada do líder do futebol africano ao Senegal aconteceu durante a noite de terça para quarta-feira, tendo sido recebido em Dakar por Abdoulaye Fall, presidente da Federação Senegalesa de Futebol (FSF). A visita surge num clima de tensão, na sequência da decisão que gerou indignação no país.

De acordo com um comunicado da CAF, a agenda de Motsepe inclui uma visita à ilha de Gorée, seguida de uma receção pelo presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye. Está também agendada uma conferência de imprensa, para as 17h30 desta quarta-feira, na qual se espera que o presidente da CAF aborde temas sensíveis, nomeadamente a atribuição da CAN 2025 a Marrocos.

Esta deslocação é vista como uma tentativa de apaziguamento. Recorde-se que, no final de março, Motsepe já tinha anunciado a intenção de visitar tanto o Senegal como Marrocos para sublinhar a importância de «trabalhar em conjunto para desenvolver o futebol africano». A instituição tem sido alvo de fortes críticas desde a polémica decisão do comité de recurso da CAF.

A Federação Senegalesa de Futebol, por sua vez, recorreu da decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), cuja deliberação é aguardada para os próximos meses. O ambiente tornou-se ainda mais tenso quando, a 18 de março, o governo senegalês exigiu, através de um comunicado, a abertura de um inquérito internacional «por suspeitas de corrupção nos órgãos dirigentes» da instituição pan-africana.

Em resposta a estas acusações, Patrice Motsepe assegurou na altura que nenhum país africano recebe tratamento «preferencial», elogiando a «independência» dos seus órgãos disciplinares.