Tara Moore, tenista britânica (IMAGO)
Tara Moore, tenista britânica (IMAGO)

Tenista suspensa por doping exige indemnização multimilionária

Tara Moore impedida de voltar a competir até 2028

A tenista Tara Moore, antiga número um britânica de pares, que cumpre uma suspensão de quatro anos por doping, exige uma indemnização de 20 milhões de dólares (cerca de 16,95 milhões de euros à taxa de câmbio atual) ao WTA Tour. A atleta alega que a organização falhou em alertá-la para o risco de contaminação por carne na Colômbia.

Num processo judicial apresentado este mês num tribunal federal de Nova Iorque, Moore argumenta que a WTA «possuía conhecimento de um perigo específico e bem documentado de carne contaminada em Bogotá, Colômbia, mas optou por se permanecer em silêncio, não alertando os seus atletas sobre esse risco».

A tenista de 33 anos foi suspensa preventivamente em maio de 2022, após um controlo positivo para dois esteroides anabolizantes, boldenona e nandrolona, na sequência de um torneio disputado na Colômbia no mês anterior. Moore sempre defendeu que a presença das substâncias se deveu ao consumo de carne contaminada durante a estadia no país.

Ilibação inicial foi revogada

Inicialmente, em dezembro de 2023, um tribunal independente ilibou a atleta de qualquer culpa ou negligência, 19 meses após a suspensão. No entanto, a Agência Internacional para a Integridade do Ténis (ITIA), que supervisiona o programa antidoping da modalidade, recorreu desta decisão para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD).

Em julho, o TAD deu razão à ITIA, impondo uma sanção de quatro anos a Moore, com dedução do tempo já cumprido em suspensão preventiva. Isto significa que a tenista, que já foi 77.ª do mundo em pares e 145.ª em singulares, só poderá regressar à competição no início da temporada de 2028.

Os últimos três anos e meio partiram-me em tantos pedaços. Enquanto a minha família e amigos se apressavam a apanhar os meus cacos, colaram-me de novo na forma de uma pessoa diferente.

Num comunicado, o TAD explicou a sua decisão: «Após rever as provas científicas e legais, a maioria do painel do TAD considerou que a jogadora não conseguiu provar que a concentração de nandrolona na sua amostra era consistente com a ingestão de carne contaminada». O painel concluiu que Moore «não conseguiu estabelecer que a violação das regras antidoping não foi intencional».

Após a decisão, a tenista britânica, que reside nos Estados Unidos, recorreu às redes sociais para criticar o sistema, afirmando que «o sistema antidoping está falido» e classificando o processo como «subjetivo». «Os últimos três anos e meio partiram-me em tantos pedaços. Enquanto a minha família e amigos se apressavam a apanhar os meus cacos, colaram-me de novo na forma de uma pessoa diferente».

A ação judicial de Moore alega que «o sistema do TAD presume a culpa do atleta e impõe ao acusado o fardo quase impossível de provar a inocência». A tenista recorreu da decisão de julho, mas a apelação foi rejeitada em novembro, com o tribunal a adotar o enquadramento legal do TAS.

Em reação ao processo, um porta-voz da WTA afirmou que «a mediação foi conduzida por um árbitro neutro e não há base para anular a sua decisão», acrescentando que não faria mais comentários enquanto o assunto estivesse pendente.

Certo é que a preocupação com a contaminação por carne continua a ser um tema relevante no circuito. Como medida de precaução, o Open do México, em Acapulco, não servirá carne no restaurante dos jogadores esta semana para mitigar receios de doping.