Tem razão, Rui Borges: lesões são mesmo caso de estudo
Primeira volta concluída, com o FC Porto instalado no primeiro lugar. Percurso a todos os títulos fantástico da equipa de Francesco Farioli, que em 17 jornadas somou 16 vitórias e apenas um empate. E até esta (única) perda de dois pontos motiva lamentos por parte dos dragões. Seja pelo remate à barra de Rodrigo Mora, já na compensação, que podia ter valido a vitória, seja pelo alegado penálti não assinalado, por falta de António Silva sobre Deniz Gul.
Certo é que o FC Porto está (muito) bem e recomenda-se. Os azuis e brancos não facilitam — apenas quatro golo sofridos é registo fabuloso em qualquer parte do mundo — , a equipa está cada vez mais confiante e os adeptos cada vez mais crentes na reconquista do título de campeão nacional. Diria mesmo que só uma maldição poderá fazer com que o troféu rume ao museu de Sporting ou Benfica.
E, neste cenário, inevitavelmente vem à equação a época transata, na qual Farioli acabou por perder o campeonato dos Países Baixos. A cinco jornadas do final, o Ajax (73) tinha nove pontos de vantagem sobre o PSV (64) e em apenas quatro rondas (30.ª, 31.ª, 32.ª e 33.ª) cedeu 10 pontos (!), entrando já para a última jornada atrás do rival de Eindhoven.
Uma quebra que alimenta a esperança dos rivais. Que, contudo, têm de se transcender. O que não é nada previsível.
O Benfica continua ainda à procura de uma equipa consistente, por mais que argumentos que a genialidade de José Mourinho encontre para justificar insucessos, e o Sporting, este sim, debate-se com uma maldição. Maldição, entre aspas, sublinhe-se, já que começa a ser difícil aceitar como naturais tantos problemas físicos. Diria mesmo que razão tem Rui Borges: tantas lesões são um caso de estudo.
Percebo o desabafo do treinador após perder Quaresma e Ioannidis e ser eliminado pelo V. Guimarães nas meias-finais da Taça da Liga, mas o que está a suceder aos leões não é normal. Até porque na temporada transata, igualmente a meio da campanha, aos leões deparou-se um cenário idêntico. O que mais que poder indicar um padrão deve motivar um… estudo. Seja ao nível da preparação ou da recuperação. Os especialistas que se pronunciem.
Aceito até que seja mesmo coincidência, o azar pode explicar o fenómeno, mas o que Rui Borges fez em Alvalade, socorrendo-se de uma meia dúzia de miúdos da equipa B — alguns dos quais já nem moram em Alcochete… — e contando só com um reforço digno desse nome, Rui Silva, em janeiro para terminar a época com a dobradinha, foi um autêntico milagre. E estes não se repetem…