Rui Borges, treinador de 44 anos do Sporting
Rui Borges, treinador de 44 anos do Sporting

Sporting: os detalhes do plano de Rui Borges para atacar Arsenal e o campeonato

A mensagem que o treinador passou ao grupo e que teve resultados práticos na Reboleira e o manifesto para a reta final do campeonato, sem heróis individuais, antes um batalhão coeso pronto para a luta

Chegou a hora de todas as decisões. Entre o glamour dos palcos da Liga dos Campeões e a realidade crua das batalhas internas, Rui Borges já traçou o plano para o ataque final. A Champions do Sporting, já avisou o treinador, é o campeonato mas há também a Taça e sem descurar, ainda assim, a réstia de esperança de poder reverter em Londres o 0-1 de Alvalade com o Arsenal, o que seria ainda mais histórico por colocar os leões onde nunca estiveram: nas meias finais da liga milionária. A vitória na Reboleira foi arrancada a ferros mas assente na mensagem que o treinador passou ao grupo. E já estabeleceu o plano para as batalhas decisivas. A BOLA revela o que o transmontano pediu e vai continuar a pedir ao grupo.

Era proibido perder com o Estrela da Amadora. Mesmo que faltasse inspiração não poderia faltar atitude. E não faltou, como Rui Borges disse na antevisão do jogo e como fez questão de pedir ao plantel. Mais do que tática, o treinador leonino desenhou um manifesto de sobrevivência e ambição que colminou na vitória por 1-0, golo de Daniel Bragança aos 59'.

Rui Borges acredita que é possível percorrer o caminho para o tricampeonato e nesta altura em que a época pesa nas pernas pode não apresentar a nota artística já mostrada. O aviso foi dado e a mensagem vai continuar a ser passada: o plano para as decisões assenta na resiliência. O rendilhado pode acontecer, deseja-se que aconteça, mas exige-se capacidade de luta em todos os lances. É o futebol de choque, de ganhar as segundas bolas e de saber fechar a porta quando o adversário carrega, tal como o Estrela carregou muitas vezes.

Inspiração e transpiração

A exibição na Reboleira agradou ao treinador, não porque a equipa apresentou futebol brilhante, que não apresentou, mas pela maturidade e inteligência. Rui Borges sabe que jogar entre dois duelos com o Arsenal exige uma gestão emocional ao máximo e o código para esta reta final é simples: a equipa tem de saber sofrer e o plantel já absorveu essa mensagem, como se viu no sábado. Nesta estratégia, a beleza do futebol jogado, se necessário, pode ser sacrificada pela eficácia. Rui Borges quer que o Sporting mantenha a posse e o domínio nas estatísticas, como na Amadora — superior na posse, no número total de remates, nos cantos e toques na área adversária —, mas exige que nos momentos de aperto a equipa se transforme num bloco compacto, unido para fazer de cada duelo individual uma autêntica final.

Sentimento gregário

Um dos pilares fundamentais da estratégia de Borges para este ataque final é a gestão do fator humano. O treinador não quer heróis individuais, antes um batalhão coeso. O apelo ao sentimento gregário do plantel é arma secreta e o técnico já deixou claro que, para ultrapassar o calendário infernal e numa altura em que a fadiga se acumula nas pernas e dificulta a respiração e o pensamento, o contributo de todos é vital.

Espírito de grupo, como uma família, é o que deve guiar a equipa e é o que Borges pede. Seja ao titular indiscutível ou àquele que entra para os minutos finais. O nível de compromisso tem de ser o mesmo e o líder da equipa técnica dos verdes e brancos conta com todos, reforçando a ideia de que o tricampeonato não será ganho por onze, mas por todos. A estratégia está lançada: inteligência e maturidade da cabeça aos pés e a faca nos dentes até ao apito final.