Southampton pede mais tempo para responder a acusações de espionagem
O Southampton solicitou um prolongamento do prazo para conduzir uma investigação interna após ter sido formalmente acusado pela English Football League (EFL) de espiar o Middlesbrough, seu adversário no play-off de acesso à Premier League. O clube enfrenta a possibilidade de sanções que vão desde uma multa até à exclusão da competição.
A acusação da EFL baseia-se na alegação de que os Saints violaram as regras ao «observar, ou tentar observar, a sessão de treino de outro clube nas 72 horas que antecedem um jogo agendado» e por não terem agido «com a máxima boa-fé» para com um clube adversário.
A queixa partiu do Middlesbrough, que afirma que um membro da equipa técnica do Southampton foi apanhado a observar e a gravar um treino nas suas instalações de Rockliffe Park na passada quinta-feira. O incidente terá ocorrido apenas dois dias antes do empate a zero entre as duas equipas no Riverside Stadium, a contar para a primeira mão da meia-final do play-off.
Até ao momento, o Southampton não negou as alegações. De resto, o treinador Tonda Eckert abandonou a conferência de imprensa após o jogo de sábado ao ser repetidamente questionado sobre se teria enviado um analista de desempenho para espiar o treino do Boro, recusando-se a responder.
Face à gravidade da situação, a EFL solicitou uma audiência urgente à comissão disciplinar independente, apesar de o prazo normal de resposta ser de 14 dias. A urgência prende-se com o calendário apertado, uma vez que a segunda mão se joga esta terça-feira (20h00) no St. Mary's e a final do play-off, contra o Hull City em Wembley, está marcada para 23 de maio.
Phil Parsons, CEO do Southampton, confirmou a cooperação do clube. «O clube está a cooperar totalmente com a EFL e com a comissão disciplinar, ao mesmo tempo que realiza uma investigação interna para garantir que todos os factos e o contexto são devidamente compreendidos», afirmou, justificando o pedido de mais tempo com «a intensidade do calendário e o curto intervalo entre os jogos».
A comissão disciplinar independente tem um leque variado de sanções à sua disposição, que incluem uma multa, uma dedução de pontos ou mesmo a expulsão do Southampton do play-off. A necessidade de uma resolução rápida é crucial, pois existe a possibilidade de o Middlesbrough ser reintegrado na competição, além do direito a recurso.
Este caso recorda o episódio envolvendo o Leeds em 2019, que foi multado em 200 mil libras (cerca de 230 mil euros) por espionar adversários. No entanto, na altura não existia uma regra específica contra a espionagem, tendo o Leeds sido punido apenas por faltar à «boa-fé». Após esse incidente, a EFL introduziu a regra 127, que proíbe explicitamente a observação de treinos de adversários. O facto de o Southampton ser acusado de violar ambas as regras pode ser um fator agravante, assim como a espionagem ter ocorrido antes de um jogo decisivo de play-off.
A decisão final poderá depender de detalhes como o nível de conhecimento da equipa técnica sénior sobre o sucedido e o que foi efetivamente gravado ou transmitido. Uma eventual dedução de pontos poderá ser contestada pelo Middlesbrough caso o Southampton consiga a promoção para a Premier League.