Internacional cabo-verdiano explicou que celebração estava planeada... desde o início do Mundial

Sidny e a loucura do golaço à Argentina: «A minha mãe desmaiou quando marquei»

Internacional cabo-verdiano recordou monumento assinado no Mundial-2026 que espoletou loucura em Miami... e precipitou festejo especial com a namorada. Prémio de melhor golo da prova na mira

Sidny Lopes Cabral entrou para a história dos Mundiais aos 103' do duelo entre Cabo Verde e Argentina, nos 16 avos de final do Mundial, a 3 de julho. O ala de 23 anos assinou um golaço inacreditável em ângulo apertado para empatar as contas no prolongamento.

A Argentina voltaria a marcar antes dos 120', mas nem autogolo de Diney Borges (111') manchou a campanha notável de Cabo Verde na estreia em Mundiais. Sidny recordou duelo contra a seleção das pampas, conselho de antigo capitão e mensagem de um dos ídolo, em conversa com vários meios de comunicação social.

—  Como é que está a viver o rescaldo da campanha de Cabo Verde no Mundial?

 Sinto-me muito bem com o que alcançámos e muito honrado pelo respeito que recebemos de toda a gente pela forma como jogámos. Honestamente, eu sabia que as pessoas me conheciam, mas normalmente eram adeptos portugueses ou do Benfica. Toda a gente me conhece agora e quer tirar uma fotografia. Estou muito feliz com o nosso desempenho e, claro, com o meu golo. Não consigo acreditar que marquei um golo tão bonito.

—  O que é que pensou no momento do remate vitorioso contra a Argentina?

 Quando driblei para dentro e vi algum espaço, só pensei ‘vou rematar’. Apontei para o ângulo superior e bati na bola na perfeição. Quando rematei, olhei para cima, vi a bola a ir para o ângulo superior e pensei ‘O que é que eu acabei de fazer?’ Nem sequer acreditei. Não sabia o que fazer. Olhei para os meus colegas de equipa, toda a gente estava a gritar e com as mãos na cabeça, feliz. Eu só corria, não estava a pensar. Depois apercebi-me que tinha marcado um golo muito bonito.

Vi a bola a ir ao ângulo e pensei 'O que é que eu acabei de fazer?

—  Porque é que decidiu correr para a bancada?

—  Disse à minha namorada e à minha mãe antes do jogo que se marcasse ia ter com elas. Disse-o desde o primeiro jogo contra a Espanha, mostrava sempre antes de cada jogo onde é que elas se iam sentar e dizia ‘Se marcar, vou ter convosco’. Quando me apercebi que tinha marcado, corri para elas. Quando cheguei lá, vi a minha mãe a chorar, ela não se apercebeu que eu estava lá. Toda a gente estava ocupada com ela porque desmaiou quando marquei. Depois a minha namorada veio ter comigo, dei-lhe um abraço e disse-lhe ao ouvido: ‘Eu disse-te que ia marcar, amo-te’.

— Como é que se conheceram?

— Era muito novo, estava na quinta divisão da Alemanha. Era à distância, mas ela apoiou-me sempre, independentemente de onde eu estivesse ou do que fizesse. No início, quando falámos, eu estava no banco na quinta divisão.Ela esteve sempre lá para mim nos momentos difíceis e apoiou-me muito e visitava-me todos os meses. Ela ajudou-me muito no meu processo para chegar onde estou agora.

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— Há pouco mais de um ano jogava na terceira divisão alemã. Quais foram as principais razões para esta tamanha evolução?

— Trabalho árduo e fé. Sempre acreditei em mim, mesmo quando estava na quinta divisão. Quando estava a chorar no meu quarto porque queria voltar para a Holanda continuava a acreditar que ia chegar ao topo. Trabalhei sempre arduamente, fiz sempre mais do que os meus colegas de equipa.

Messi, Bubista e... Vozinha

— Como é que foi defrontar Lionel Messi?
— Inacreditável. Não me apercebi que joguei contra ele durante o jogo. Estás focado no jogo, mas depois olhas para ele e pensas: ‘eu joguei mesmo contra o Messi?’. Mas não ficas um adepto porque tens de vencê-lo. Depois do jogo não consegui falar com ele. Estava triste, a chorar e não queria falar com ninguém. O Otamendi veio ter comigo depois do jogo e deu-me algumas palavras simpáticas ‘Alegra-te, não chores, fizeste uma coisa fantástica, o que vocês conseguiram é muito bom’. Depois do jogo recebi uma mensagem do Marcelo. É um dos meus maiores ídolos. Quando recebi a mensagem dele, não conseguia acreditar. Sempre o admirei quando era mais novo. Ele é lateral-esquerdo, joga com os dois pés e tinha uma técnica muito boa boa. Ele disse que votou em mim para o melhor golo do torneio.

— Pensa que pode ganhar prémio de melhor golo do Mundial?
— Espero que sim. Espero que ninguém marque um golo melhor do que o meu.

— Trocou de camisola com Otamendi?
— Sim.

— Qual foi a importância do selecionador Bubista na caminhada de Cabo Verde?

— Foi o mais importante. A forma como ele nos tranquilizou antes do primeiro jogo contra a Espanha... Talvez alguns jogadores estivessem stressados ou em pânico por irmos jogar num Mundial contra a Espanha e ele disse : ‘Acreditem em vocês próprios, somos uma família, temos de estar juntos. Sei que jogamos contra a Espanha, favorita ganhar o Campeonato do Mundo, mas eles são apenas 11 homens. Quando o jogo começa, é 11 contra 11. Não é a Espanha, o grande, contra Cabo Verde do 1%.'

— Mais do que uma grande história, este pode ser o início da afirmação internacional de Cabo Verde?
—  Conhecemos as nossas qualidade e sabemos o que queremos. Mostrámos ao mundo que Cabo Verde é um país pequeno, mas somos um país grande. Temos grande qualidade no nosso país, temos grandes personalidades, grandes pessoas. Por isso, vamos tentar mostrar isto em todos os Campeonatos do Mundo e até tentar fazer melhor do que neste Campeonato do Mundo.

— Como é que acompanharam o percurso do Vozinha que viralizou ao longo do Mundial?
— Toda a gente ficou surpreendida. Ninguém esperava que ele tivesse 28 milhões de seguidores depois do Campeonato do Mundo, não era algo realista. Mas o Vozinha é excelente, tem uma personalidade fantástica. É um velhote, tem 40 anos, mas trabalha sempre arduamente. Está sempre lá para os jogadores jovens, especialmente para mim, para o Wagner [Pina], que somos dos jogadores mais novos da equipa. Ele ajuda-nos em tudo, se precisarmos de alguma coisa posso sempre ligar-lhe ou pedir-lhe ajuda. Ele tem muito experiência. Estamos todos muito felizes por ele.

— Como é que o grupo reagiu às notícias que saíram durante o Mundial sobre a acusação de violação do capitão Ryan Mendes?
— Falámos com o próprio Ryan, ele disse que tudo o que está nas notícias não é verdade. Isso é a única coisa que sei e que quero dizer. 

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