«Sete meses no FC Porto equivalem a dois ou três anos de experiência noutro lugar»
Na sua primeira conferência de imprensa como novo treinador do Anderlecht, Vítor Bruno mostrou-se descontraído e ambicioso, afirmando que a decisão de se juntar ao clube belga foi «fácil» devido à sua dimensão e ao projeto apresentado. Apesar de se ter desculpado pelo seu inglês «não ser perfeito», o ex-treinador do FC Porto comunicou com clareza, demonstrando saber algumas palavras em francês, fruto da sua passagem como adjunto de Sérgio Conceição pelo Nantes.
Vítor Bruno reconheceu que as expectativas são elevadas, mas não se sente intimidado. «Sei que a grandeza do Anderlecht diminuiu um pouco nos últimos anos. Quero trazer o clube de volta ao lugar a que pertence», afirmou, acrescentando: «Será um grande desafio, mas eu gosto de desafios.»
O treinador português desvalorizou o conceito de pressão no futebol: «Pressão? Pressão é quando se chega a casa e não há comida ou quando se tem de trabalhar em más condições. Aqui temos boas condições. Queremos levar todos a serem a melhor versão de si mesmos, e assim aproximamo-nos dos nossos objetivos. Isso é uma boa pressão. A pressão deve ser um desafio.»
Consciente do longo jejum de títulos do clube, que não conquista o campeonato desde 2017, Vítor Bruno defendeu uma abordagem gradual. «Sei que já passou muito tempo desde que o Anderlecht conquistou um título. O caminho ainda é longo, mas não podemos saltar etapas. Acredito no passo a passo. O primeiro passo é o Hammarby, a 23 de julho», comentou, destacando a importância de dar autonomia aos jogadores.
Não sou um Waze que guia os jogadores do ponto A ao ponto B
«Não sou um Waze que guia os jogadores do ponto A ao ponto B, mas quero dar-lhes as ferramentas para chegarem ao seu destino. Isso inclui cometerem erros. Não há problema, desde que retirem as lições certas desses erros», apontou.
No que toca ao mercado de transferências, o diretor desportivo Antoine Sibierski admitiu que o processo está a ser lento devido ao Campeonato do Mundo, mas sublinhou a necessidade de reforçar a equipa em várias posições. «A presença do Vítor também irá acelerar esse processo», garantiu, lembrando a passagem do treinador luso pelo comando da equipa A do FC Porto.
«Sete meses à frente do FC Porto equivalem a dois ou três anos de experiência noutro lugar para mim. Não conhecia Vítor Bruno pessoalmente, mas recolhi informações através de pessoas da minha rede que tinham trabalhado com ele», referiu o dirigente.
Se tiveres o número do Lukaku...
Vítor Bruno expressou confiança nos jogadores atuais e manifestou o desejo de manter a jovem promessa Nathan De Cat. «Estamos a fazer o nosso melhor para o manter. Contamos com ele», disse. Quando questionado sobre um possível regresso de Romelu Lukaku, o treinador português brincou com a situação. «Lukaku? Estás a pressionar o Antoine, não a mim», sorriu, dirigindo-se ao diretor desportivo. «Estamos contentes com o Cvetkovic, o Sikan e o Bertaccini. Mas se tiveres o número do Lukaku, talvez lhe possa ligar», acrescentou em tom de brincadeira. «Alguém com as estatísticas dele... é difícil para nós. Mas se ele vier, terá de trabalhar arduamente como todos os outros», completou.