Sérgio Conceição aborda conflito entre Ronaldo e Jesus: «Não me parece justo...»
Sérgio Conceição, em declarações à La Tripletta, da Gazzetta dello Sport, passou em revista vários temas da atualidade, desde a recente polémica do filho, Francisco, na Juventus, ao conflito entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional, que terminou com o abandono do avançado da concentração da equipa durante a Liga das Nações.
Questionado sobre o caso envolvendo o capitão e o selecionador, o antigo treinador do FC Porto preferiu uma postura diplomática: «É um tema sensível no meu país. O Cristiano é uma lenda, um dos cinco melhores futebolistas de sempre. Enquanto Jesus é o selecionador, um treinador estimado e com grande experiência. Sinceramente, não me parece justo tomar o partido de um ou de outro.»
Em relação à polémica que envolveu o filho, nomeadamente a reação intempestiva ao ser substituído frente ao Celta na Liga Europa, desvalorizou: «Partimos de um princípio claro: o treinador tem sempre razão. Se Spalletti achou que era melhor fazer aquela substituição, terá tido os seus motivos. Contudo, também se deve compreender a frustração de um jogador que queria dar mais. Na minha equipa quero sempre um jogador que tenha personalidade e se zangue por uma substituição, em vez de um a quem não importe nada. São episódios normais no futebol, talvez não muito bonitos, mas que não devem ser empolados.»
«Sobre o Chico há uma narrativa de que não gosto: é um extremo, não é um ponta de lança. Todo o trabalho que faz, tanto a nível ofensivo como defensivo pelos companheiros, não é valorizado: cria superioridade, corre, finta, abre espaços... Quando joga bem ou marca golo diz-se sempre que pode dar mais, enquanto se não marcar chovem críticas. O chicote está bem, mas de vez em quando também não faria mal um pouco de cenoura. É o meu julgamento como treinador, e reparem que até o treinei. Porque como pai, pelo contrário, irrito-me com ele cada vez que remata e não marca golo [risos]», sublinhou.
O técnico abordou também o sentimento especial do jogo entre a Juventus e a Lazio deste domingo — por um lado, o filho representa os bianconeri, por outro, ele próprio estreou-se com a camisola romana em agosto de 1998 frente à vecchia signora, marcando o golo decisivo no triunfo por 2-1 — e brincou na altura de dizer por quem vai torcer: «Se estivesse em casa, pelo Francisco, porque a família é a família. Mas no estádio quem sabe [risos].»
O treinador português recordou ainda a passagem pelo Milan e deixou mensagem ao compatriota Ruben Amorim. «Quando lá estive, [o dono do Milan, Gerry] Cardinale nunca foi a Milanello. Penso que me enviou uma mensagem a felicitar após a Supertaça, mas não respondi porque nem sequer tinha o número dele e só a li muito tempo depois (...) Amorim conheço-o bem: vivemos duelos intensos em Portugal, eu como treinador do FC Porto e ele do Sporting. Desejo-lhe que faça um bom trabalho em Milão.»
Num tom descontraído, o técnico respondeu também sobre quem foi o melhor extremo português, entre ele próprio e o filho: «O Sérgio [risos]. Mas o melhor continua a ser Luís Figo». Mesmo com Ronaldo em equação? «Ui, essa é difícil. Porém, como extremo talvez escolha ainda Figo, um verdadeiro campeão».