António Salvador lidera o SC Braga há mais de 20 anos - Foto: IMAGO
António Salvador lidera o SC Braga há mais de 20 anos - Foto: IMAGO

Será preciso brilhar lá fora para despertar a força interior?

O SC Braga joga hoje a possibilidade de alcançar mais uma página notável numa história de 105 anos. Detentor de três Taças de Portugal e outras tantas Taças da Liga, o emblema minhoto procura chegar à final da Liga Europa, repetindo assim a presença de 2011, ano em que perdeu o troféu para o FC Porto, em Dublin.

Sem esquecer a Taça Intertoto atribuída em 2008, os guerreiros do Minho olham para Istambul como nova oportunidade para alcançar um feito de outra dimensão. Conquistar a prova europeia pode impulsionar o clube para ser maior ainda, se bem que ficar aquém disso nunca será motivo para perder ambição, sobretudo a nível interno.

Pensar que o projeto bracarense pode ir mais além nunca será ignorar o crescimento conseguido com a gestão de António Salvador, mas assumir a evidência de que há condições para ambicionar mais, tal como foi, de resto, manifestado pelo próprio presidente. Aqui e ali já ficou a ideia de que o SC Braga podia ter aproveitado épocas menos constantes dos três emblemas que dominam o futebol nacional. Com um pouco mais de investimento, porventura, ou apenas com apostas mais certeiras (tantos anos com problemas no eixo defensivo, por exemplo…)

O aparecimento da Qatar Sports Investments promete reforçar o potencial do clube, mas os pilares já lá estavam. O SC Braga pouco ou nada perde para FC Porto, Benfica e Sporting na qualidade do trabalho desenvolvido na formação, tão pouco no recrutamento para o futebol profissional, mesmo nas infraestruturas. Forma talentos em casa, descobre jovens promissores no estrangeiro, não deve deixar cair a tradição de olhar para outros clubes da Liga ou mesmo de escalões inferiores. Sabe acrescentar uma pitada de experiência e já não é de agora que resiste à tentação de vender as principais figuras.

Houve momentos em que faltou estabilidade — talvez um diretor desportivo —, mas desta vez até houve paciência com Carlos Vicens. Mais do que o nome do treinador, importa ser coerente no perfil escolhido para encontrar a consistência que o projeto revela em muitos parâmetros.

Imaginar o SC Braga a discutir o título não é assim tão descabido — já aconteceu, de resto —, mas neste caso, ao contrário do que é mais natural, talvez a glória europeia tenha de surgir primeiro para que seja interiorizada a ideia de que é possível fazer o mesmo na Liga.

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