«Sempre gostei mais do golfe do que da escola»
Daniel da Costa Rodrigues tinha cinco anos e morava no Porto quando o Canal Panda foi ao campo de golfe da sua cidade. Foi até lá com o único objetivo de ver o canal infantil, mas acabou por atrair a atenção do treinador, que disse que «tinha jeito para aquilo». A partir desse momento, não largou mais o golfe. Praticava todos os dias e com oito anos começou a competir no sub-10, o escalão mais baixo. Já aí sabia que o golfe era «aquilo» que queria fazer. Hoje, com 23 anos, Daniel soma troféus como atleta profissional. Numa visita à redação de A BOLA, contou-nos como tem sido a sua jornada.
Já sabia que não se ficaria apenas por ser atleta amador, iria tornar-se atleta profissional. Com essa decisão, veio outra que encarou com naturalidade — a de ir estudar (e praticar, acima de tudo) para os Estados Unidos da América. Com esses dez anos, já falava à mãe deste objetivo de estudar fora, sempre a visar o jogo. Em 2020, iniciou os estudos na Universidade A&M Texas, onde entrou para os Aggies, a equipa universitária de golfe, a competir no circuito norte-americano e onde chegou a ser, nos últimos anos, líder de equipa.
«Sempre foi aquilo que dá mais visibilidade a um golfista. Eu decidi muito cedo. Lembro-me de estar na escola e de já haver referências no golfe que tinham ido por esse caminho. Sempre quis experimentar», conta Daniel, explicando que sempre viu a ida para os Estados Unidos como uma etapa necessária para a sua carreira. «Ficar na Europacorta um bocado as pernas. Eu não sabia para que universidade queria ir, mas sabia que queria ir para lá. (..) Já sabia que queria tornar-me profissional no futuro e que esse era o passo necessário para conseguir, dali a quatro ou cinco anos».
Daniel explica que a decisão de subir ao profissional foi «quase inevitável». O desporto ocupava (e continua a ocupar) a maioria do seu tempo, e por isso fazia-lhe todo o sentido levar a prática ao mais alto nível: «Sempre gostei muito mais do golfe do que da escola, por isso foi uma decisão muito natural», conta. Em 2024, regressado da universidade e do circuito universitário norte-americano, deixou o golfe amador e desde então soma já duas vitórias como atleta profissional. Conquistou o primeiro título no NAU Morgado Open, a 4ª prova da PT World Tour, em janeiro de 2025, e o segundo ao vencer o VI Solverde Players Championship, em Espinho. O objetivo de Daniel? Ser o melhor do mundo.
«Se não for esse o meu objetivo acho que não vale a pena. Toma tanto do meu tempo que é um bocado injusto para mim próprio se disser que só quero alcançar determinado ponto porque isso já é bom. Se desde os quatro anos faço isto da minha vida e é a única coisa que faço seria injusto se não dissesse que quero ser o melhor jogador que posso. Sendo um desporto individual e sabendo que dependo só de mim para chegar onde quero, é esse o meu objetivo», explica.
«O golfe é a minha prioridade a 100%. É o meu trabalho e é o que eu quero fazer para sempre». Questionado sobre o porquê de gostar tanto do que faz, Daniel refletiu e acabou por responder: «o golfe é um vício de querer dominar algo que é impossível de dominar».