Michael Phelps, o olímpico mais medalhado da história: «Não quero que os meus filhos passem pelo que passei»
Michael Phelps, recordista, entre outros feitos, de medalhas olímpicas conquistadas, tanto de campeão como no total: 28 (23+3+2), abordou vários temas num podcast, reiterando a ideia de proteger os seus filhos da dureza de praticar um desporto de alta competição.
Atleta olímpico mais condecorado da história. Phelps, de 40 anos, conquistou nada menos que 23 ouros entre as edições de Atenas-2004 e Rio de Janeiro-2016, às quais somou três pratas e duas de bronze.
Retirado da atividade após os Jogos no Brasil, o americano manteve-se próximo do fenómeno e, ao longo do tempo, revelou aspetos e fases de uma carreira e vida que incluíram muito abismo, luta interior e esforço, para além do brilho da glória.
Recentemente, falou sobre diversos temas de interesse no podcast Whoop, abordando a saúde mental, a sua própria luta contra a depressão e a ansiedade, bem como questões relacionadas com a natação americana e a situação da seleção nacional na perspectiva dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.
Uma das suas afirmações mais contundentes foi: «Não quero que os meus filhos pratiquem natação, nem que passem pelo que passei durante mais de vinte anos na equipa dos Estados Unidos.» Phelps é casado desde 2016 com Nicole Johnson, ex-Miss Califórnia, após uma relação que incluiu duas separações e um noivado de pouco mais de um ano.
Juntos, têm quatro filhos, todos rapazes: Boomer (9 anos), Beckett (8), Maverick (6) e Nico (2).
Michael Phelps, grupo de WhatsApp com celebridades que sofreram de depressão
O campeão admitiu que, durante muito tempo, evitou falar sobre a própria saúde mental. «Era difícil partilhar a minha experiência pessoal, mas esta é a minha realidade», sublinhou.
Enquanto estava em atividade, contava que se olhava ao espelho e não se via como uma pessoa, mas apenas como a imagem do atleta com óculos de natação e touca. Não se percebia como alguém com sentimentos e emoções, mas como o homem que conquistava medalhas de ouro e perseguia recordes mundiais.
Mais ainda, nunca se viu através das emoções, mas sim como o retrato traçado pelos seus êxitos desportivos.
«Agora sinto-me bem comigo mesmo», confessou no referido podcast, onde também disse que faz parte de um grupo restrito de WhatsApp, onde se encontram outras figuras públicas extremamente conhecidas que enfrentaram a depressão ao longo do tempo, como o ator e ex-lutador Dwayne Johnson, mais conhecido por The Rock. «Podemos enviar mensagens a qualquer hora», garantiu Phelps.
E acrescentou que, afinal, compreendeu algo essencial: aceitar o facto de que, por vezes, não se sentir bem faz parte do processo. O seu caminho na vida será sempre marcado pela saúde mental, mas o simples facto de conseguir cuidar de si próprio é um triunfo pessoal, acredita ele.
Michael Phelps, crítico da federação americana
Michael Phelps reiterou as suas críticas à USA Swimming e acentuou que está cético quanto à evolução dos compatriotas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. «Durante décadas dominámos claramente, agora o resto do mundo alcançou-nos», disse, assinalando o progresso visível dos australianos, que, segundo ele, estão presentes em quase todos os pódios.
Além disso, cada vez mais países têm acesso a vitórias e medalhas em competições importantes, alguns a prepararem-se em universidades americanas. «Espero que haja mudanças antes de Los Angeles-2028 porque já estamos atrasados», acredita Phelps.
No que diz respeito à federação americana, parece-lhe incrível que tenha sido necessário 372 dias para nomear um novo diretor executivo. Ofereceu a sua ajuda, mas disseram-lhe que não sabia do que estava a falar. «Os atletas precisam de ser tratados com muito mais justiça, e eu não vou parar até conseguir essa mudança», concluiu Michael Phelps.