Sonho do Bodo/Glimt começou com humilhação a Mourinho e pode seguir-se o Sporting
Bodo é um conhecido destino para quem quer ver uma aurora boreal. A localização no círculo polar ártico proporciona um espetáculo visual que, tanto para turistas como para locais, quase se assemelha um sonho. Um sonho que agora transparece na Champions League, à boleia da genial equipa local que chegou aos oitavos de final da prova, ao eliminar o gigante Inter, vice-campeão europeu, no play-off.
O feito do Bodo/Glimt ganha destaque quando se nota que, na Noruega, as épocas decorrem ao longo do ano civil. A equipa está a escrever história mesmo enquanto atravessa o habitual período de pré-época. Tanto que só tem quatro jogos em 2026, todos na Champions, todos ganhos: primeiro foi o Manchester City (3-1), depois o Atlético Madrid (2-1) em Espanha; e seguiu-se o Inter, 3-1 na Noruega e 2-1 no mítico Giuseppe Meazza.
Como de diz «desfavorecido» em norueguês?
Estes resultados são ainda mais notáveis quando se explora o ambiente em torno deste clube. Em 2017, a equipa estava na 2.ª divisão norueguesa. Depois de uma temporada de adaptação, o Bodo ficou nos dois primeiros lugares do campeonato local desde a época de 2019, ganhando o título quatro vezes (2020, 2021, 2023 e 2024).
As luzes das competições europeias chegaram assim ao Estádio Aspmyra, com capacidade para 8,2 mil espectadores e com relvado sintético. As duras condições atmosféricas fazem com que seja praticamente impossível haver um relvado natural e, portanto, a UEFA autoriza que haja um sintético (desde que cumpra com certas regras).
Outro aspeto notável da caminhada é que o Bodo/Glimt quer valorizar o talento local e nacional: do onze que foi a jogo em Itália esta terça-feira, apenas dois jogadores não eram noruegueses, o guardião russo Nikita Haikin e o avançado dinamarquês Kasper Hogh.
Pesadelo de José Mourinho
O primeiro título de campeão norueguês surgiu mesmo em 2020 e assim veio o regresso às provas europeias – a última participação fora na Europa League na época 2004/05. Em 2021, o Bodo/Glimt entrou na edição inaugural da Conference League e ficou no mesmo grupo da Roma de José Mourinho. O primeiro encontro entre ambos foi memorável para todos.
A jogar na Noruega, a Roma foi atropelada e perdeu por 1-6 e Mourinho, na altura, não fugiu da responsabilidade dessa derrota:
A responsabilidade é minha. Quis dar uma oportunidade àqueles que trabalham arduamente e para rodar o plantel num campo sintético com tempo frio. Perdemos contra uma equipa que mostrou mais qualidade. É tão simples quanto isso.
Mourinho viria a vingar-se e eliminou este mesmo Bodo/Glimt mais tarde, nos quartos de final, com um agregado de 5-2, antes de vencer a competição.
Depois de FC Porto e SC Braga, segue-se o Sporting?
Depois desta terça-feira, o Sporting sabe que vai enfrentar um de três adversários nos oitavos de final da Champions League: o vencedor do duelo entre Benfica e Real Madrid ou o Bodo/Glimt. E os noruegueses têm um histórico muito positivo com equipas portugueses e que remonta à época passada.
Logo na jornada inaugural da fase de liga da Europa League, o FC Porto, então treinado por Vítor Bruno, foi à Noruega perder por 2-3. Duas jornadas depois, foi a vez da equipa norueguesa visitar Portugal e, na Cidade dos Arcebispos, vencer o SC Braga por 2-1, com um golo aos 90+4’. A equipa só caiu nas meias-finais, perdendo para o eventual vencedor Tottenham.
Agora, quer sejam Sporting ou Manchester City, o Bodo/Glimt certamente causará muitas dificuldades enquanto continua a provar que o rótulo de favorito quase nada significa quando a bola começa a rolar.
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