André Silva vai vestir a camisola 19 no FC Porto - Foto: A BOLA
André Silva vai vestir a camisola 19 no FC Porto - Foto: A BOLA

Seis anos depois de Fábio Silva, há um português na área portista

Contratação de André Silva veio preencher um vazio. Última referência lusitana para a posição 9 foi Fábio Silva, em 2019/20. Nos anos mais recentes, FC Porto privilegiou estrangeiros, que criaram impacto. Olival também forneceu alguns nomes interessantes

Talvez nem André Silva tenha dado por isso, mas, ao ser contratado pelo FC Porto, o ex-Elche preencheu um vazio de seis anos: desde a época 2019/20 que os azuis e brancos não tinham um ponta de lança português no plantel, uma verdadeira referência na posição 9. Teve extremos vertiginosos, como Francisco Conceição, que tinha uma boa relação com a baliza, mas um homem mais fixo na área possuía, normalmente, outro passaporte e nacionalidade.

Foi o caso da época passada, com o quarteto formado por Samu, Deniz Gul, Luuk de Jong e Terem Moffi, e de outras temporadas até recuarmos a 2019/20, quando outro produto formado na casa, Fábio Silva, deu cartas no FC Porto. Em comum com André, para além do apelido e talento, Fábio teve também pouco tempo para desfrutar do estatuto ganho no clube do coração: por 40 milhões de euros foi transferido para o Wolverhampton, ao cabo de uma temporada apenas, em que marcou três golos e fez duas assistências em 21 jogos pela equipa principal.

O FC Porto teve, no passado, tradição no golo genuinamente lusitano: Fernando Gomes, o Bibota, com 355 tentos, ainda é a maior referência goleadora da história dos dragões, símbolo de uma era em que a eficácia na área fazia a diferença jogo após jogo. Ao seu lado, na galeria dos grandes nomes, surge Domingos Paciência, produto da formação portista que se afirmou como um dos avançados mais marcantes do clube, ultrapassando a barreira dos 100 golos pela equipa principal e deixando uma marca consistente ao longo de várias épocas. Sem esquecer Hélder Postiga. Já Artur Jorge, destaque maior da década de 70 dentro das quatro linhas, viria mais tarde a reforçar o seu estatuto lendário ao conduzir o FC Porto, como treinador, à conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1987.

A globalização do futebol trouxe, neste século, outro perfil de n.º 9. Nomes como Jardel (168 golos), Jackson Martínez (92), Taremi (91), Marega (72), Evanilson (60), Tiquinho Soares (64) ou Aboubakar (58), entre muitos outros, impuseram leis no ataque. É um pouco assim no FC Porto de Farioli, com Samu, embora o espanhol atravesse agora um período muito duro de recuperação de uma lesão.

Recuando um pouco na única época de Fábio Silva nos AA do FC Porto, é curioso verificar que, no que toca a pontas de lança portugueses, os dragões sempre privilegiaram a prata da casa. Em 2018/19, André Pereira fechou o seu ciclo no FC Porto, adiando a promessa de ser um ‘segundo’ Domingos Paciência, e o filho deste, Gonçalo Paciência, teve a sua última passagem pelo ataque uma época antes, depois de meia temporada cedido ao V. Setúbal.

Na temporada 2016/17, a de despedida de André Silva, havia no plantel outro portista e avançado, Rui Pedro, cedido ao Boavista, mas que antes tinha feito parte do projeto, ainda que com parca utilização e aproveitamento. Recuando ainda mais, muitos portistas ainda se lembram do impacto criado pela ascensão de Hugo Almeida nos dragões, com apogeu em 2005/2206, última época antes de se transferir para o Werder Bremen.

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