Se(abra) a baliza de Kaique com Nandín e Gozálbez (crónica)
Na corrida aos pontos em direção à meta da permanência, o Arouca fugiu ao Nacional e ganhou fôlego para encarar o FC Porto, Famalicão e Benfica, os adversários que se seguem, com alguma margem de folga para os perseguidores. O Nacional averbou o quarto jogo consecutivo sem vencer e viu aproximarem-se os opositores do fundo da tabela.
No lançamento, Tiago Margarido projetou um jogo entretido e não se enganou. Houve (muitas) situações de perigo nas duas balizas, golos anulados – aí é que, certamente, as previsões do treinador do Nacional saíram furadas, porque a sua equipa ficou em branco – e expulsões.
Ao intervalo, o nulo não correspondia às oportunidades criadas pelas duas equipas. O Nacional foi o primeiro a desperdiçar por Jesús Ramírez (3’) de cabeça, mas as melhores ocasiões pertenceram aos lobos da Serra da Freita, que viram dois golos anulados, ambos por posição irregular: primeiro foi Trezza (27’), por escassos 13 centímetros, e depois Lee Hyunju (44’), por 109. Além disso, Kaique (24’), com enorme defesa, impediu que Barbero fizesse a festa e Bas Kuipers (43’) também entrou na contabilidade do desperdício.
O reinício foi muito complicado para o Nacional. Sofreu o primeiro golo a abrir o período, por Trezza (48’), um golaço, saliente-se, com a bola a entrar no ângulo superior esquerdo, e depois de Veron, no minuto seguinte, ter desperdiçado boa chance para igualar, ficou reduzido a dez, pela expulsão de Laabidi. Foi um duro golpe nos madeirenses, que mesmo assim ainda tentaram reagir - Paulinho Bóia (55’) falhou em boa posição – mas quebraram depois, com o Arouca a disparar no marcador.
Nessa fuga dos lobos, Vasco Seabra foi sagaz, quando lançou Nandín e Gozálbez. Os dois atacantes foram determinantes nos dois golos que aniquilaram os madeirenses. Lee Hyunju (67’) fez o segundo após uma perda de bola do Nacional em zona proibida, com Nandín a servir Gozálbez e o coreano a recargar de cabeça, depois de Kaique ter evitado o remate do espanhol. O terceiro culminou uma vistosa jogada de envolvimento do Arouca, com Nandín a dar de calcanhar a Trezza, que lançou Pablo Gozálbez para cruzar rasteiro para o avançado uruguaio, que iniciou e finalizou o lance.
Se dúvidas houvesse, este jogo foi mais uma prova de que a máquina finalizadora do Arouca continua afinada: nos últimos quatro jogos marcou 11 golos, o que dá uma média de, praticamente, três por jogo.
As notas dos jogadores do Arouca (4x2x3x1): Arruabarrena (5), Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (5), Jose Fontán (5), Bas Kuipers (6), Fukui (5), Espen van Ee (6), Trezza (7), Lee Hyunju (7), Djouahra (5), Barbero (6), Gozálbez (7), Nandín (7), Diogo Monteiro (-), Yellu Santiago (-) e Puche (-)
As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (5), Alan Nuñez (5), Léo Santos (5), Zé Vitor (5), Lenny Vallier (5), Miguel Baeza (4), Matheus Dias (5), Laabidi (4), Gabriel Veron (5), Jesús Ramírez (5), Paulinho Bóia (6), Deivison (4), Joel Silva (4), Pablo Ruan (4), Daniel Júnior (4) e Witi (4)
Vasco Seabra, treinador do Arouca
«Fizemos um jogo muito completo, a nossa equipa foi madura durante todo o tempo. Começámos a dominar depois dos cinco minutos e o Kaique faz duas defesas muitíssimo boas e há a oportunidade do Bas Kuipers, além dos golos anulados. Na segunda parte entramos forte e associámo-nos muito bem em termos coletivos. Foi uma vitória justa.»
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«Primeira parte repartida, não houve oportunidades claras, tirando o cabeceamento do Barbero. A segunda foi complicada para nós, entramos a perder. Procuramos reagir e temos a bola do Veron que dava o empate e depois há a expulsão que dita o que se passou depois. Mesmo com o 2-0 procuramos pressionar mais alto e a equipa acaba por se abrir e sofreu outro golo.»