Marco Silva elogia argentino e revela que o extremo sentiu «algo» no aquecimento
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Schjelderup e Prestianni: nem tudo foram rosas no Benfica

Chegaram muito novos à Luz, no inverno, tardaram a afirmar-se, estiveram de saída e serão o melhor da herança de Mourinho. Lidaram com problemas graves antes de serem miúdos-maravilha de Marco Silva

Chegaram à Luz em anos diferentes, provenientes de continentes diferentes e em diferentes momentos de carreira, mas chegaram ao dia em que nos encontramos passando por muito e com muito em comum. Gianluca Prestianni, 20 anos, e Andreas Schjelderup, 22 anos, foram elogiados por Marco Silva em Moreira de Cónegos, enchem de alegria e orgulho o coração dos benfiquistas e estão na lista de renovações prioritárias do Benfica, mas até aqui nem tudo foram rosas.

Prestianni e Schjelderup foram reforços de inverno, o argentino em 2024, o norueguês em 2023. Foram ambos recebidos por Roger Schmidt e foram ambos relegados para um papel secundário, sem peso na equipa. Subiram de nível com Bruno Lage, chegaram à afirmação com José Mourinho. Foi o ex-treinador do Benfica, atual líder técnico do Real Madrid, quem os catapultou para um patamar de classe internacional e serão, provavelmente, a face mais visível, do ponto de vista positivo, da passagem do técnico de Setúbal pela Luz.

Schjelderup, mais posicional, preferindo o lado esquerdo do ataque, chegou ao Benfica como jogador valioso, líder da tabela de goleadores da Dinamarca, com a camisola do Nordsjaelland, aos 18 anos, custando €14 milhões, ao passo que Prestianni era apenas uma promessa argentina de 17 anos, mas já capaz de entusiasmar, o que justifica o pagamento de €9, 5 milhões ao Vélez Sarsfield.

Prestianni, que fez lado direito, sobretudo, mas também costas do avançado e lado esquerdo, esteve a um passo de ser emprestado ao River Plate e não esteve muito longe de ser negociado com o Trabzonspor, da Turquia, já neste verão. Schjelderup foi mesmo emprestado, regressando ao Nordsjaelland, e também esteve com um pé de fora do Benfica, praticamente acordado com o Club Brugge. Tinha entendimento com os belgas, o Benfica quase, mas a Liga dos Campeões e as grandes exibições europeias levaram Mourinho a mudar de ideias e a travar o norueguês.

Jovens, com pouco espaço para afirmação, estiveram perto do adeus à Luz, conseguiram mostrar o que valem e são agora as estrelas da companhia. Dois fenómenos no talento, mas também na forma como deram a volta às respetivas carreiras, e vidas, pois não apenas problemas de natureza desportiva foram vividos de águia ao peito.

No caso de Schjelderup, uma questão relacionada com partilha de vídeo de teor sexual envolvendo menores custou-lhe o escrutínio público, a vergonha e o risco de cadeia, sendo condenado por um tribunal dinamarquês a 14 dias de prisão com pena suspensa. Valeram-lhe o arrependimento e as desculpas públicas, mas esteve em risco de não poder entrar nos EUA para disputar o Mundial. Foi o período da vida pessoal mais difícil desde que pisara a Luz, mas que viria a anteceder o melhor e a todos os níveis, particular e desportivo.

Outro erro grave saiu também muito caro, mas a Prestianni. No calor do jogo com o Real Madrid, em Lisboa, para a Liga dos Campeões, insultos a Vinícius Júnior foram imediatamente relatados pelo brasileiro ao árbitro, que fez o sinal de racismo, parando o jogo, e dando logo ali início a um caso que correu mundo e dividiu opiniões, deixando o argentino totalmente desprotegido, recebendo mensagens de reprovação e ódio dos quatro cantos do mundo. Até mesmo em julgo, no Algarve, num jogo particular com o Flamengo, Prestianni lidou com bancadas e colegas de profissão hostis.

Má condução do processo por parte do Benfica e do jogador fez, logo à partida, agravar a situação, colocando um rótulo de racismo a Prestianni, que a própria UEFA não entenderia, castigando o jogador, sim, mas por conduta discriminatória.

É diferente, mas igualmente censurável, pelo que foi punido com seis jogos de suspensão. Os dois processos, gravíssimos, fizeram crescer os jogadores. E como. E Marco Silva, com o seu futebol ofensivo, pelos vistos, está também a conseguir fazê-lo, mesmo que haja, por agora, muito mais Prestianni do que Schjelderup. Juntos, em 2026/27, já valem 9 golos e 5 assistências, prometem mais.

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