Artur Moraes ajudou o SC Braga a chegar à final da Liga Europa em 2011, em Dublin (Foto A BOLA)
Artur Moraes ajudou o SC Braga a chegar à final da Liga Europa em 2011, em Dublin (Foto A BOLA)

SC Braga atrás do sonho: há 15 anos «ninguém duvidava» após derrota com Benfica

Artur Moraes convoca memórias das ‘meias’ da epopeia de Dublin para alimentar sonho de Istambul; como os guerreiros do Minho se encheram de confiança com o desaire da primeira mão

FRIBURGO — A epopeia dos guerreiros do Minho na UEFA Europa League conhece, hoje, decisivo capítulo. A vantagem trazida da Pedreira (2-1) é mínima, é verdade, mas a ambição e a motivação dos bracarenses é máxima e não coube no avião que ontem trouxe a comitiva até Friburgo. Todos estão cientes que para voltar a escrever página dourada na centenária história emblema minhoto será preciso ter noite de superação no Estádio a-Park. Tal como aconteceu no Minho na primeira mão, as bancadas prometem ferver. Mas a turma de Carlos Vicens já provou que não se deixa afetar por ambientes hostis e quer repetir a presença na final conseguida em 2010/11.

Artur Moraes foi o guarda-redes dessa caminhada histórica até Dublin. 15 anos depois, o brasileiro, agora com 45 anos, espera que o SC Braga possa inspirar-se nas meias-finais com o Benfica em 2010/11. Ao contrário de agora, os bracarenses jogaram fora na primeira mão e perderam por 1-2 na Luz, com Vandinho a assinar o golo que dava esperança para o duelo decisivo em Braga, que os minhotos venceriam por 1-0, com histórico golo de Custódio Castro, aos 19 minutos.

Artur Moraes no jogo da primeira mão das 'meias' da Liga Europa em 2011, na Luz, que o SC Braga perdeu por 1-2
Artur Moraes no jogo da primeira mão das 'meias' da Liga Europa em 2011, na Luz, que o SC Braga perdeu por 1-2 (foto A BOLA)

A equipa defendia muto bem, fomos dos 16-avos até à final sem sofrer golos em casa

«O que recordo é que o jogo na Luz deu-nos uma confiança grande por causa do golo do Vandinho, então era muito importante marcar fora de casa. E até fizemos um jogo muito positivo, consistente, éramos uma equipa confortável a defender, defendíamos muito bem, e o 1-2 na Luz, só precisando depois de uma vitória simples em Braga… tínhamos confiança que era possível, não tínhamos ninguém no plantel que não acreditasse ser possível ir à final», recordou, em conversa com A BOLA, vincando o ADN da formação então orientada por Domingos Paciência:

«Sentimos isso [confiança] no primeiro jogo e foi com esse sentimento que fomos para o segundo. Marcámos cedo, aos 19 minutos, com golo do Custódio, e depois aguentámos a vantagem até final. Mas em toda a trajetória não sofremos golos em Braga, a equipa defendia muto bem, fomos dos 16-avos até à final sem sofrer golos em casa, e fizemos o que sempre fazíamos, fechávamos o meio-campo. Eu estava numa fase especial, estava tudo a dar certo na baliza, estava numa forma incrível, jogámos com a nossa ideia e tínhamos a certeza de que podíamos ser felizes. Aguentámos o 1-0 até final e depois foi uma alegria gigantesca no estádio, na cidade, no grupo…» 

Em 2010/11, o SC Braga chegara à UEFA Europa League depois de ter caído da primeira participação de sempre na fase de grupos da UEFA Champions League, à qual chegou após ultrapassar a 3.ª pré-eliminatória e o play-off. Nessa época, fez 19 jogos na Europa (54 em toda a temporada), final de Dublin incluída. Hoje, fará o 20.º jogo uefeiro de 2025/26, o 59.ª da temporada. Ufa…

Custódio Castro a festejar na Pedreira o apuramento para a final da Liga Europa depois de ter marcado o golo solitário que conduziu o SC Braga a Dublin
Custódio Castro a festejar na Pedreira o apuramento para a final da Liga Europa depois de ter marcado o golo solitário que conduziu o SC Braga a Dublin (foto A BOLA)

«O SC Braga fez um trajeto muito importante esta época, encontrou adversários importantes, são momentos diferentes, claro, hoje o SC Braga é diferente do de há 15 anos, mas este é um trajeto que espero que o SC Braga, pela sua história, consiga ir à final, será muito importante, pelo clube, pelos amigos que lá tenho, pelo futebol português», sublinhou.

SC Braga vai ter de estar muito bem organizado, com uma concentração muito grande e uma mentalidade muito forte

REPETIR BERLIM

Os bracarenses têm recordações mistas da Alemanha (cinco jogos, duas vitória e três derrotas), mas na última visita saíram a sorrir, com o triunfo por 3-2 sobre o Union Berlin, na fase de grupos da Champions 2023/24.

«É muito difícil jogar fora de casa na Alemanha e com o Friburgo o SC Braga vai ter de estar muito bem organizado, com uma concentração muito grande e uma mentalidade muito forte. Não vai ser fácil, mas vou estar na torcida para que tudo dê certo», rematou Artur, crente que o balneário saberá ultrapassar o peso das limitações do capitão Ricardo Horta em tão importante momento.

«A lesão dele foi um azar muito grande, mas a experiência que tenho nestes momentos e nos grupos fortes é que, quando se perde um jogador importante, o valor do grupo fala mais alto e os jogadores conseguem dar resposta, pelo que acredito que o SC Braga vai conseguir ultrapassar isso e vai correr tudo bem, se Deus quiser vamos conseguir passar à final», assentou.

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