Javier Saviola - Foto: Irene Palma

Saviola exige «mão pesada» para o racismo e recorda «fase bonita» no Benfica

Antigo astro dos encarnados abordou a polémica entre Prestianni e Vinícius e aconselha as águias a não especular no duelo decisivo com o Real Madrid

Numa entrevista ao jornal AS, Javier Saviola, antigo avançado do Benfica, Barcelona e Real Madrid, defendeu uma punição severa para atos racistas no futebol, a propósito do incidente entre Prestianni e Vinícius. O argentino recordou ainda a sua passagem pela Luz e analisou vários temas da atualidade futebolística.

A FIFA e a UEFA estão muito envolvidas na erradicação do racismo, foi feito um trabalho enorme e este episódio manchou a vitória do Madrid e um jogo emocionante

Saviola, que atualmente se dedica à representação de jovens jogadores e desempenha funções como embaixador da La Liga, presidente honorário das escolas do River Plate e colaborador da Fundação do Barça, foi perentório quanto ao racismo. «Infelizmente, isto salpica o futebol porque os jovens veem. A FIFA e a UEFA estão muito envolvidas na erradicação do racismo, foi feito um trabalho enorme e este episódio manchou a vitória do Madrid e um jogo emocionante», lamentou. O ex-jogador sublinhou que, apesar de ser a «palavra de um contra o outro, se for verdade que houve um ato de racismo, é preciso aplicar mão pesada».

O antigo internacional argentino guarda um carinho especial pelo Benfica, onde viveu «uma das fases mais bonitas» da sua carreira. Ao lado de figuras como Aimar, Di María, Luisão e David Luiz, e sob o comando de Jorge Jesús, ajudou a interromper a hegemonia do FC Porto. «Isso não se esquece na Luz», afirmou.

Dar a iniciativa ao Real Madrid significará perder o jogo. Recuar e especular não é uma boa ideia

Ao analisar o confronto entre Benfica e Real Madrid, Saviola destacou a diferença de atitude dos encarnados. No primeiro jogo, «o Benfica perdeu o medo, deu luta, pressionou o adversário e criou muito perigo num grande jogo». Em contraste, no segundo encontro, «parecia que o primeiro não tinha existido», com o Real Madrid a dominar por completo. Para o argentino, a chave para o sucesso do Benfica passa por não ceder a iniciativa. «Dar a iniciativa ao Real Madrid significará perder o jogo. Recuar e especular não é uma boa ideia», avisou, prevendo um empate a dois no Bernabéu, com a qualificação dos espanhóis.

Saviola abordou também a ascensão de jovens talentos do River Plate, como Mastantuono, cuja trajetória se assemelha à sua. Pedindo paciência na sua adaptação, garantiu: «A qualidade dele é imensa. Essa explosão vai chegar, não tenho dúvidas». No entanto, alertou para as comparações com Lamine Yamal, considerando-as prejudiciais. «Essa comparação joga contra Mastantuono porque o Lamine não precisou de um período de adaptação», explicou, recordando que ele próprio foi comparado a Zidane. «Essas comparações não são boas».

Essa comparação joga contra Mastantuono porque o Lamine não precisou de um período de adaptação

O ex-avançado acredita que Mastantuono se tornará «o jogador que o Real Madrid espera» e manifestou admiração por outros talentos do River Plate, como Echeverri e Julián Álvarez.

Sobre os jogadores espanhóis, teceu rasgados elogios, identificando-se com o seu estilo.«Fazem-me recordar o meu futebol. São médios ofensivos que se relacionam muito com a bola, jogam muito bem de costas para a baliza e são tecnicamente muito dotados».

Por fim, Saviola projetou a Finalissima, que oporá a Argentina à Espanha dentro de um mês. Embora considere o confronto equilibrado, atribuiu um ligeiro favoritismo à sua seleção. «Vejo a 50% neste momento. Bom, vamos dar 60% à Argentina porque eu sou de lá [risos]», brincou. O argentino destacou a importância do teste frente a uma das melhores seleções do mundo, que «joga de forma fenomenal» e tem «três ou quatro jogadores de altíssimo nível por posição». «Para nós é importante defrontarmo-los para sabermos como estamos. Seguramente irei ao estádio e vou desfrutar», concluiu.