«É uma loucura!»: calor extremo em Roland Garros leva tenista ao colapso (vídeo)
O tenista checo Jakub Mensik, de 20 anos, colapsou em campo imediatamente após garantir a vitória na segunda ronda do Open de França, num dia marcado pelo calor intenso em Paris, onde as temperaturas atingiram os 35 graus. O jovem jogador caiu no chão, visivelmente exausto e com cãibras, depois de uma batalha de quatro horas e 40 minutos contra o argentino Mariano Navone.
A vitória de Mensik foi selada com os parciais de 6-3, 2-6, 6-4, 1-6 e 7-6 (13-11), mas o esforço foi de tal forma exigente que o checo, 26.º cabeça de série, precisou de oito match points para fechar o encontro, já com dificuldades de mobilidade. Após o ponto final, o seu adversário, Navone, atravessou a rede para o felicitar e tentar ajudá-lo a levantar-se, mas Mensik não conseguiu mover-se.
No. 26 Jakub Mensik collapsed after a 4 hour 41 minute match with Mariano Navone 😳 pic.twitter.com/76kDoPAbWh
— TNT Sports U.S. (@TNTSportsUS) May 27, 2026
A equipa médica interveio de imediato, colocando sacos de gelo na cabeça, pescoço e peito do atleta, que permaneceu deitado no campo durante vários minutos. Um dos sacos de gelo foi mesmo usado como almofada. Eventualmente, Mensik foi ajudado a reerguer-se e conseguiu sair do campo pelo próprio pé, mas voltou a sentir-se mal a caminho dos balneários, tendo de ser transportado numa cadeira de rodas. A sua participação no encontro da terceira ronda, contra Alex de Minaur, está agora em dúvida.
«É uma loucura jogar com este tempo e, sobretudo, de frente para o sol», disse Mensik. «Ficar ali mais de quatro horas e meia é simplesmente uma loucura e, mesmo com os intervalos, não se tem muito tempo; o apanhador de bolas não consegue trazer-nos uma toalha durante a troca de lados. Tens apenas um minuto, o que, obviamente, antes de te sentares, já são apenas 30 segundos. Por isso, não há muito tempo para te refrescares», explicou no final da partida.
Posteriormente, Mensik afirmou que lhe deveria ter sido concedido mais tempo para recuperar entre os pontos. «Aqui é super rigoroso, o que respeito totalmente, mas, obviamente, com este calor e nestas condições, é uma loucura. As regras são regras, claro, mas normalmente quando um espectador assiste, pensa: ‘OK, tenham piedade dele, mais cinco segundos, mais 10 segundos’, o que obviamente eu não tive. Eu [recebi um aviso e] perdi o meu primeiro serviço por causa disso», atirou.
O encontro de Mensik decorreu num dos campos secundários de Roland Garros, que não possuem qualquer tipo de sombra. No entanto, mesmo no Court Philippe Chatrier, que tem um teto retrátil, o calor fez-se sentir. Novak Djokovic, por exemplo, esteve quase quatro horas em campo sob o sol abrasador para derrotar o francês Valentin Royer por 6-3, 6-2, 6-7 (7-9) e 6-3.
Na passada segunda-feira, Casper Ruud já se tinha queixado das condições, afirmando que sentia que estava «a andar como um zombie» e que temia ter sofrido uma insolação após jogar com temperaturas de 33 graus.
A organização do Open de França monitoriza a temperatura através de sensores e tem um protocolo definido. Se um determinado limite for atingido, pode ser introduzida uma pausa de 10 minutos após o segundo set nos jogos femininos e após o terceiro nos masculinos. Em casos de calor extremo, os jogos podem ser suspensos, embora tal nunca tenha acontecido na história do torneio.