José Mourinho
José Mourinho - Foto: IMAGO

«Parece que os árbitros recebem uma medalha quando expulsam Mourinho»

Eládio Paramés, antigo porta-voz, conselheiro e amigo do treinador, disse ainda que o Benfica «deveria ter tomado uma posição imediatamente» após polémica: «Não digo que o clube o deixou sozinho, mas deixou-o sozinho»

Em dia de jogo da segunda mão do play-off da Champions entre Benfica e Real Madrid, no Bernabéu, Eládio Paramés, antigo porta-voz, conselheiro e amigo de José Mourinho, saiu em defesa do treinador das águias, no meio do caos mediático que tem atingido a equipa desde o encontro da Luz.

Em declarações no programa La Tribu, da Radio Marca, Eládio Paramés recordou as dificuldades enfrentadas sobretudo quando trabalhou com o special one nos merengues — «Foi muito, muito duro» —, e mostrou-se corrosivo em relação à arbitragem: «Para os árbitros, parece que é algo especial, como uma medalha, expulsar o José. Parece que os árbitros recebem uma medalha quando expulsam o José.»

Aproveitou a ocasião também para desmistificar a imagem pública do treinador: «O José treinador e o José pessoa são coisas absolutamente diferentes.» Segundo Paramés, fora dos holofotes, é «muito bom amigo, uma pessoa muito solidária», completamente diferente da personagem que se vê no banco.

Nesse sentido, explicou uma das suas grandes qualidades como líder: «O José muitas vezes é quem leva os golpes, quem se coloca à frente das balas para proteger os seus jogadores.»

O caso Prestiáni e a polémica com Vinícius

Um dos assuntos mais delicados foi a análise do incidente entre Prestianni e Vinícius Júnior, após o brasileiro ter acusado o argentino de chamar-lhe «macaco». «Algo se passou», afirmou, embora ressalvando: «Não posso condená-lo sem saber o que realmente aconteceu.»

Na sequência desse episódio, Mourinho criticou Vinícius Jr. e acabaria por receber reações críticas por tentar justificar um suposto caso de racismo com o comportamento da suposta vítima. «O José não tem nada de racista», declarou, explicando que a intenção não era dizer-lhe como celebrar, mas sim alertá-lo para o contexto e o impacto dos festejos em determinados ambientes. «Pode celebrar como quiser, mas tem de ter um pouco mais de cuidado.»

Para Eládio Paramés, o Benfica deveria ter reagido mais cedo à tempestade mediática: «O clube deveria ter tomado uma posição imediatamente.» E concluiu com uma frase significativa: «Não digo que o clube o deixou sozinho, mas deixou-o sozinho.»

O possível regresso a Madrid

Questionado sobre os rumores de uma segunda passagem pelo comando dos merengues, Paramés foi claro: «Não acredito na possibilidade de ele regressar ao Real Madrid.»