Ruben Guerreiro tem sido afetado por lesões nos últimos dois anos
Ruben Guerreiro tem sido afetado por lesões nos últimos dois anos

Ruben Guerreiro sem contrato para 2026

Corredor português de 31 anos terminou o vínculo à Movistar e tem a continuidade da carreira sob interrogação

Ruben Guerreiro encontra-se sem contrato para a temporada de 2026. O ciclista português, de 31 anos, terminou a ligação de três épocas à Movistar a 31 de dezembro, sem que o vínculo tenha sido renovado, e ainda não assinou por qualquer outra equipa para prosseguir a carreira a nível profissional.

Nos últimos dois anos, Guerreiro tem sido condicionado por problemas físicos persistentes, em particular por uma hérnia diagnosticada em janeiro de 2024, que o impediu de manter o nível competitivo apresentado entre 2020 e 2023. Esse período correspondeu às suas melhores temporadas, primeiro ao serviço da EF Education (2020-22) e depois na época de estreia pela Movistar, em 2023.

O corredor de Pegões ganhou projeção internacional com a vitória numa etapa e a conquista da camisola de rei da montanha na Volta a Itália de 2020, bem como com o triunfo no Mont Ventoux Dénivelé Challenge, em 2022. Estes resultados, e a sua combatividade, despertaram o interesse da Movistar, que avançou para a sua contratação no final desse ano, vendo no português um ciclista ambicioso e versátil, com perfil para provas de um dia e corridas por etapas de uma semana.

Na primeira temporada pela equipa espanhola, em 2023, Ruben Guerreiro venceu o AlUla Tour, na Arábia Saudita, foi terceiro classificado n’O Gran Camiño, apenas atrás de Jesús Herrada e do vencedor Jonas Vingegaard, e terminou a Volta à Occitânia no 9.º lugar. Acabaria por abandonar o Tour de França durante a 14.ª etapa.

Em 2024 surgiram os primeiros sinais da lesão que comprometeu a sua preparação de inverno e o rendimento ao longo da época competitiva, problemas que se prolongaram sem melhorias significativas em 2025. A última prova disputada pelo ciclista português foi o Grande Prémio de Montreal, no Canadá, a 14 de setembro, corrida que não concluiu.

Em dezembro passado, o jornal AS noticiou, citando fontes da Movistar sob anonimato, que durante a temporada de 2025 Ruben Guerreiro terá falhado, numa ocasião, a comunicação de uma ausência de domicílio ao ADAMS (Sistema de Administração Antidopagem), como é exigido pelos regulamentos.

Recorde-se que todos os ciclistas profissionais são obrigados a comunicar previamente as suas deslocações, de forma a permitir a realização de controlos antidopagem a qualquer momento, bem como a declarar o uso de medicamentos ou substâncias suscetíveis de originar um resultado positivo.

Ainda que, segundo a mesma publicação, se tenha tratado de uma única infração, sem consequências disciplinares, o episódio terá levantado dúvidas internas na Movistar e contribuído para a decisão de não renovar o contrato do corredor. Neste contexto, tudo indica que Ruben Guerreiro não deverá prosseguir a carreira no pelotão continental português, sendo a retirada do ciclismo profissional o cenário mais provável.

Refira-se, por fim, que a Movistar tem estado sob escrutínio nos últimos meses, depois de o seu antigo ciclista Oier Lazkano, atualmente na Red Bull-Bora-hansgrohe, ter sido suspenso provisoriamente pela UCI devido a anomalias no passaporte biológico detetadas durante a sua passagem pela equipa espanhola, entre 2022 e 2024.