Cristiano Ronaldo celebra golo marcado à Croácia (Foto: Miguel Nunes)
Cristiano Ronaldo celebra golo marcado à Croácia (Foto: Miguel Nunes)

Ronaldo cumpriu o sonho de duas crianças com distrofia muscular

Família tem CR7 como grande ídolo e fez a sua história chegar ao capitão de Portugal... e tudo graças a um pouco de rímel

Dois irmãos que sofrem de distrofia muscular, Michael e Vladimir Berestovsky, receberam duas bolas de futebol autografadas por Cristiano Ronaldo, um sonho tornado realidade graças a um encontro fortuito durante o Mundial 2026, sendo que surpresa aconteceu durante o jogo de atribuição da medalha de bronze, entre a Inglaterra e a França.

Tudo começou quando Alina Hoberg, Coordenadora de Direitos Humanos e Sustentabilidade da FIFA, realizava verificações de rotina de acessibilidade durante o jogo entre a Colômbia e Portugal, em Miami — o último da fase de grupos. Ao percorrer as secções de lugares para pessoas com mobilidade reduzida, encontrou a família Berestovsky.

«Eles abordaram-me e disseram-me que tinham tido o melhor dia das suas vidas, porque foi o primeiro jogo em que viram o Cristiano Ronaldo jogar ao vivo», recordou Hoberg à FIFA. «Mesmo na conversa com eles, achei-os especiais. Os rapazes sorriam. Estavam felizes por estarem ali. Disseram que tinham tido o melhor dia das suas vidas. Por isso, quando me deram a carta, soube que tinha de fazer alguma coisa e que não os podia desiludir.»

A ligação da família a Ronaldo, especialmente da mãe, Anna Berestovsky, já vem de longe. «Vimos o Cristiano Ronaldo jogar (na televisão), quando eu tinha 15 anos, e desde então assisti a todos os campeonatos, Euros e Mundiais», afirmou. O seu filho Vladimir tornou-se fã do avançado português desde os cinco anos:

Ele costumava jogar futebol todos os dias depois de voltar da escola, até já não conseguir andar. E mesmo depois de já não conseguir andar, continuava a usar a camisola do Ronaldo para ir para a escola.

A magia do rímel

A família tinha passado por um ano difícil, com os rapazes a serem submetidos a cirurgias às pernas pouco antes do Mundial. Na esperança de realizar o sonho dos filhos, Anna escreveu uma carta a contar a história da família e enviou-a a vários canais de televisão e organizações, mas sem sucesso. «Como já era durante o Campeonato, disseram-me que era um pouco tarde para organizar grandes eventos», explicou.

Família Berestovsky com as bolas autografadas por Ronaldo (Foto: FIFA)

Ainda assim, a família conseguiu bilhetes para o jogo de Portugal com a ajuda de familiares e amigos. Foi aí que, quase por acaso, uma segunda carta chegou às mãos certas. «O meu marido tinha uma carta na mochila. Foi acidental, não foi planeado», contou Anna. O marido sugeriu entregá-la a um representante da FIFA ou a um jornalista. Sem caneta, improvisaram: «Eu tinha um rímel e ele escreveu o meu número de telefone com o rímel.» A carta foi oferecida a várias pessoas, mas foi Alina Hoberg quem a aceitou.

Dias depois, Anna recebeu uma mensagem que a deixou em lágrimas. «Honestamente, comecei a chorar. Liguei-lhe e ela disse que havia uma hipótese de o sonho que todos esperávamos se tornar realidade.» A FIFA convidou a família para o jogo de atribuição da medalha de bronze, onde a Inglaterra venceu a França por 6-4, sem que saberem que seria aí que receberiam a surpresa.

A experiência marcou profundamente a família, como denotou Anna, que no mesmo dia lançou um canal de Instagram para partilhar a sua história. «Tudo isto é verdadeiramente inspirador», disse. «OS meus filhos queriam tentar ser bloggers famosos um dia. Apenas inspirar outras famílias, outras crianças, de que sonhar é ótimo, mas para que os sonhos se tornem realidade, é preciso fazer coisas para isso.»

«É preciso trabalhar arduamente todos os dias, mas sem nunca deixar de sonhar. Isso é muito importante», concluiu.

A iniciar sessão com Google...