Fenerbahçe, Galatasaray, Besiktas e Trabzonspor reforçaram-se com estrelas - Foto: IMAGO

Os milhões e as estrelas chegaram: Portugal vê surgir uma nova ameaça no ranking UEFA

Portugal continua confortavelmente à frente no ranking UEFA, mas a Turquia começa a surgir como uma ameaça a ter em conta, impulsionada pelo forte investimento dos seus clubes e pela ambição de ganhar cada vez mais espaço no futebol europeu

O caso turco já deixou de ser apenas uma sucessão de contratações sonantes: começa a ter também reflexo no mapa europeu. E Portugal, que durante anos se habituou a olhar para a Turquia de cima no ranking UEFA, vê agora surgir uma ameaça cada vez mais real. A diferença ainda é confortável, mas a tendência merece atenção.

O crescimento turco percebe-se, antes de mais, pelo dinheiro colocado no mercado. No início do verão de 2024, Mário Jardel ainda era a referência histórica: a transferência do FC Porto para o Galatasaray, em 2000, tinha estabelecido o máximo da Super Lig durante mais de duas décadas. Em julho de 2024, Youssef En-Nesyri chegou ao Fenerbahçe por 19,5 milhões de euros e ultrapassou finalmente o brasileiro.

As grandes figuras da liga turca

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Mas aquilo que então parecia apenas a queda de um recorde histórico rapidamente ganhou outra dimensão e o antigo recorde de Jardel começou a perder terreno na lista.

Depois veio a verdadeira mudança de escala. Em 2025, o Galatasaray pagou 75 milhões de euros por Victor Osimhen, estabelecendo um novo recorde absoluto do futebol turco. Era um aviso para o que aí vinha.

E o mais curioso é que a transformação não se resume aos milhões pagos por jogadores. A liga turca tornou-se também um destino cada vez mais apetecível para grandes nomes que chegam sem custos de transferência. A capacidade financeira dos grandes clubes turcos permite-lhes oferecer salários, protagonismo e projetos ambiciosos a jogadores que, noutras circunstâncias, poderiam continuar noutros dos principais campeonatos europeus.

É aí que entram algumas das ligações a Portugal. Rafael Leão é o mais recente exemplo de um nome de enorme dimensão a escolher a Turquia, com o internacional português a trocar o Milan pelo Galatasaray. Orkun Kokçu, depois de duas épocas no Benfica, regressou à Turquia para representar o Besiktas, enquanto Kerem Akturkoglu fez o caminho da Luz para o Fenerbahçe.

Tudo isto coloca uma questão inevitável: até onde pode a Turquia chegar na corrida a Portugal no ranking UEFA?

A distância ainda é significativa. Portugal fechou 2025/26 com 20,5 pontos numa época europeia particularmente forte, enquanto a Turquia somou 11,075. Mas o problema para Portugal está também no futuro: a classificação UEFA é construída sobre cinco temporadas e, à medida que se renovam os ciclos, o investimento turco pode transformar-se em resultados europeus — e são esses, mais do que os milhões gastos no mercado, que verdadeiramente contam.

Na Turquia, já não se fala apenas de contratar grandes jogadores. Fala-se cada vez mais em construir uma liga capaz de competir pelo espaço que Portugal conquistou na Europa.

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