Roberto Martínez: «Ronaldo é tópico de elevador. Todos têm uma opinião»
Roberto Martínez voltou a elogiar Cristiano Ronaldo, durante a participação no videocast The Overlap. O selecionador nacional frisou a popularidade do capitão da equipa lusa que ultrapassa em larga escala as quatro linhas; «O Cristiano em Portugal é o que eu chamo de 'tópico de elevador'. Falas do tempo e depois do Cristiano Ronaldo. Toda a gente têm uma opinião, é mais escrutinado do que todos. Tive uma situação engraçada num táxi em Lisboa. O motorista disse-me 'Com Ronaldo em campo, como é que vamos ganhar um jogo?'. Passado uns dias, ganhámos nos penáltis e o mesmo motorista disse-me 'A experiência do Ronaldo é deu-nos a vitória!', Se ganhamos, é a experiência. Se perdemos, perguntam como é que vamos jogar com ele.»
O técnico de 52 anos destacou a «qualidade, experiência e atitude» necessárias para jogar na equipa das Quinas. Cristiano Ronaldo excede em todos os requisitos: «A nível de futebol, os números não mentem: marcou 25 golos nos últimos 30 jogo. É o que queremos. É um finalizador de elite, sabe exatamente onde a bola vai cair. Jogou 5 Mundiais, 5 Europeus, ninguém tem a experiência que ele tem. Depois tem uma atitude incrível e apetite para ajudar os mais jovens.»
Martínez admite que o avançado «já não é o Ronaldo da primeira passagem pelo Manchester United que driblava toda a gente», mas destaca a evolução para o centro do ataque. O técnico espanhol frisa, ainda assim, que os golos não ocupam na totalidade a mente do capitão luso: «O Ronaldo teve fases, queria ser o melhor marcador, agora mudou. Lembro-me do jogo no Euro contra a Turquia [22 de junho de 2024], esteve na cara do guarda-redes. Ainda não tinha marcado, havia barulho, mas assistiu o Bruno Fernandes. O poder daquela assistência foi maior do que marcar um golo.»
O comandante da equipa das Quinas frisou que Ronaldo «não está preocupado em marcar 1000 golos», mas sim em «deixar marca».
Kompany como exemplo de longevidade
Roberto Martínez abordou também a gestão de Cristiano Ronaldo no Campeonato do Mundo de 2026. O selecionador recuou até 2018 para explicar a importância do psicológico na disponibilidade física dos atletas em final de carreira em grandes competições: «Antes do Mundial, o departamento médico da Bélgica disse-me que o Kompany não podia jogar três jogos numa semana. Depois lesionou-se no primeiro de três amigáveis que fizemos e disseram-me que ia falhar a fase de grupos por lesão. O Vincent olhou-me nos olhos e disse: 'Há dois mundiais: a fase de grupos e o resto. Vou estar pronto para o resto do torneio'. Ele foi tão convincente que não podia dizer não. Jogou 10 minutos na terceira jornada da fase de grupos e jogou todos os minutos da fase a eliminar. Não há explicação científica para isto. Podes fazer num período curto quando tens um cérebro de elite.»
Martínez considera que Ronaldo integra um lote restrito de «cérebros de elite» que comandam o corpo de «uma maneira que a ciência não explica.» O técnico espanhol destacou ainda disponibilidade do capitão luso, quer de início, quer a partir do banco de suplentes: «Depois do Euro foi duro, Lembro-me contra a Escócia, na Liga das Nações [a 8 de setembro de 2024] que ficou no banco, A reação dele foi entrar e marcar para ganhar o jogo.»