Ribeiro com caudal forte apagou o Caldeirão (crónica)
Depois de ter perdido pela primeira vez na última jornada, o Santa Clara regressou às vitórias no campeonato e não deixou o Sporting fugir. A formação açoriana reagiu da melhor forma à derrota sofrida frente ao Benfica, aprofundando simultaneamente a crise dos madeirenses, que somaram o oitavo jogo consecutivo sem vencer na prova. Tiago Ribeiro, com uma primeira parte de grande fulgor, abriu caminho à conquista dos três pontos, com Neneca a segurá-los e Vinícius a embrulhá-los.
Para este clássico das ilhas, o técnico do Marítimo, Mitchell van der Gaag, voltou a apostar numa linha defensiva com três centrais — à semelhança do que fizera a meio da semana diante do Sporting na Taça da Liga —, e do outro lado, Petit viu-se obrigado a reorganizar o Santa Clara devido às ausências forçadas de Pedro Ferreira (que partiu o nariz frente ao Benfica) e do guardião Lucas França, com uma lesão muscular. Esta baixa abriu espaço para a estreia – em grande estilo - de Neneca na baliza açoriana.
A entrada forte do Marítimo permitiu a Bassouamina dispor de uma excelente oportunidade para inaugurar o marcador – com corte em cima da linha de Pedro Pacheco -, com o Santa Clara a assentar depois o seu jogo, com maturidade e confiança. Depois de Tiago Ribeiro ter lançado o aviso com um remate aos ferros, marcou mesmo, numa verdadeira obra de qualidade da equipa de Petit. O lance nasceu numa bonita triangulação pelo corredor esquerdo, envolvendo Fernando, Djé Tavares e Guilherme Romão. Já junto à linha de fundo, o lateral esquerdo descobriu um espaço vago para a entrada de Tiago Ribeiro, que apareceu entre Romain Correia e Rodrigo Andrade para, com um desvio rasteiro e intencional, colocar a bola junto ao poste esquerdo. Um golo que vale tanto pela finalização do médio como, sobretudo, pela qualidade da jogada que o definiu.
A reação do Marítimo surgiu, particularmente, na segunda metade. Contudo, morreu nas mãos de Neneca – nas tentativas de Butzke, num mau atraso de Emanuel Moreira que quase deu golo na própria baliza e numa enorme defesa a disparo de Martin Tejón atirou no interior da área -, e ainda na falta de pontaria.
Sem perder a organização, o Santa Clara foi cínico e eficaz. Os açorianos deram um murro nas ambições dos madeirenses numa transição rápida, com Emanuel Moreira a lançar Vinícius Lopes nas costas de Romain Correia, para se isolar e finalizar rasteiro perante Vieites. Simples e competente, como tem sido o seu percurso nesta Liga.
Inconformado, lutou contra a sorte e o destino que o marcador ditava, obrigando Neneca a grande defesa aos 70’ num disparo no interior da área e num remate em arco, que rasou o poste esquerdo. Raçudo, procurou espaços interiores com a projeção de Paulo Henrique no corredor esquerdo, para tentar desequilíbrios. Tal como o resto da equipa, mostrou vontade, mas faltou calma na definição.
As notas dos jogadores do Marítimo (3x4x3): Fran Vieites (5), Rafael Fernandes (5), Romain Correia (5), Gábor Szalai (5), Igor Julião (6), Rodrigo Andrade (5), Raphael Guzzo (6), Paulo Henrique (5), Bassouamina (5), Adrián Butzke (6) Martín Tejón (6), Simo (5), Alani (5), Ayuma (5), Samy Bamba (-) e Maurice Boakye (-).
O médio coroou mais uma boa exibição com o primeiro golo do Santa Clara. Antes de marcar acertou na barra (10') e obrigou Vieites a uma defesa boa (31'). Aos 36', surgiu no espaço certo para concluir uma excelente triangulação pela esquerda. Dinâmico e perigoso, o médio confirma o bom momento de forma e reafirma a sua importância na equipa açoriana e dá sinais de confiança.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x2x3x1): Neneca (7), Lucas Soares (5), Pedro Pacheco (6), Emanuel Moreira (6), Guilherme Romão (5), Daniel Borges (5), Djé Tavares (5), Vinícius Lopes (7), Tiago Ribeiro (7), Brenner Lucas (5), Fernando (5), João Vasconcelos (5), Tiago Duarte (5), Henrique Silva (-), Welinton Torrão (-) e Sorriso (-).