Revolução no Sporting tinha de ser agora
1 Tinha de ser agora. O ciclo vitorioso do Sporting que começou em 2020 teria protagonistas para mudar. Até aqui a escolha foi segurar as trutas, saída apenas de uma por ano, como na época passada com Viktor Gyokeres.
Mas desta vez o ciclo terminava mesmo e as dúvidas, se alguém na administração leonina as tinha, ficaram desfeitas com a final da Taça de Portugal, não apenas a derrota com equipa da Liga 2, e o Torreense bem fez por merecê-la, mas a atitude de alguns jogadores cansados… de ganhar, ainda que numa temporada em que nada conquistaram!
Tinha de ser agora. Se era para mudar o ciclo, tinha de ser com segurança, pelo menos financeira para poder precaver as saídas. A administração leonina fez mais, antecipou-as e só por isso está a passar um furacão por Alvalade, capaz de arrancar pela raiz as árvores mais fortes, mas sem levantar ondas de choque no universo leonino capaz de olhar para esta revolução sem convulsão.
Tinha de ser agora. Depois de uma campanha milionária na UEFA Champions League, de outra entrada na prova milionária assegurada e da chegada dos milhões de vendas passadas no exercício que terminou em junho, o Sporting conseguiu contratar o novo meio-campo ainda antes do antigo partir; conseguiu contratar o novo Trincão ainda antes dele assinar pelo Al Ahli; conseguiu agarrar um central substituto de Diomande ainda antes de fechar o marfinense com o Nottingham Forest.
O risco de tanta mudança é alto, mas se calculado como foi pode acontecer sem tragédias ou medos. E se amanhã outra truta sair, acredita-se que novo elemento chegará rapidamente porque está acautelado. E isso dá segurança a quem tem de trabalhar nesta mudança. E quem tem de trabalhar assim é Rui Borges.
Será nele que muitos holofotes vão incidir. Porque falhanço ser-lhe-á também apontado, ainda por cima agora que se quebra de vez com algum legado que ainda tinha ficado de Ruben Amorim. Nos jogos de pré-temporada, praticamente sem titulares do passado e só com o novo sangue das contratações e o sangue novo dos jovens, a imagem de que o treinador está a fazer a sua parte neste processo passou. A prova é de fogo mas é apenas mais uma. O risco, esse, é grande para treinador e para quem desenha o plantel, dentro e fora de campo. Mas se a aposta for ganha nesta primeira temporada, podem contar com o leão para outro ciclo de vitória como o que terminou agora.
2 Breve nota final para o Mundial que a Espanha ganhou. Nuestros hermanos a mostrarem que ter uma identidade construída em alicerces fortes, uma estratégia pensada para anos e colocada acima de qualquer vertigem do momento ou de egos parolos mais cedo ou mais tarde dá frutos. E foi bom ver Trump ter de entregar a Taça a Espanha...
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