Luis Suárez abriu o marcador na conversão de um penálti (Foto Miguel Nunes)
Luis Suárez abriu o marcador na conversão de um penálti (Foto Miguel Nunes)

Acabou a novela e Suárez continua como ator principal (as notas do Sporting)

Colombiano abriu o sorriso e leão ficou a gargalhar para a vitória. Assinou o tratado de paz com as rubricas do costume. Sabe sempre bem um Super Maxi numa noite escaldante de verão. 'Disco voador' de Debast e verde e brancos em modo Zen(o)
Melhor em campo: Luis Suárez (7)

Sai, não sai; fica, não fica; quer ir embora; não quer ir embora. O colombiano protagonizou a grande novela do verão — inevitável para quem garante tantos golos. Ficou em Alvalade e é, sem margem para dúvidas, o ator principal da companhia liderada por Rui Borges. Dizia-se que andava triste, melancólico, condoído, incapaz de sorrir. Por isso, ao converter o penálti que abriu o marcador, virou-se para as câmaras, levou os dedos aos lábios e desenhou o gesto de quem molda o próprio sorriso. Mas o que colocou Alvalade verdadeiramente a gargalhar foi o lance do segundo tento: uma cavalgada desenfreada e um passe de primeira, oferecido de bandeja para Flávio Gonçalves encostar. Estão seladas as pazes com as bancadas num tratado assinado pelo cafetero com as rubricas do costume: remates certeiros e classe pura.

Rui Silva (6) — Numa noite de calor asfixiante, esteve atento ao único calafrio da primeira parte, em cima do intervalo, ao responder com uma estirada de mão direita a um remate envenenado de Miguel Baeza. No segundo tempo, limitou-se a recolher sem sobressaltos um disparo firme, mas à figura, efetuado por Deivison.

Fresneda (6) — Vai recuperando o ritmo após paragem prolongada. Notavelmente mais solto no apoio ofensivo, esbarrou num opositor feroz: o guardião Marín, que em apenas um minuto (75’) o travou duplamente. A primeira intervenção do guarda-redes, aliás, foi daquelas para deixar qualquer um de boca aberta.

Debast (7) — Lançou os verde e brancos em modo Zen(o) ao desferir um disco voador — parecia lançado à mão — que aterrou nos pés de Suárez antes do segundo golo. Frente a blocos que concedem espaço na profundidade, o camisola 6 tem o trunfo de variar o jogo com mestria através do passe longo e aproveitar as costas das defesas contrárias. A defender, noite absolutamente tranquila.

Gonçalo Inácio (5) — Se os passes falhados dessem cromos, teria preenchido a caderneta e ficado com uma montanha de repetidos. Compensou com maior firmeza nos duelos individuais : atitude obrigatória, até porque a concorrência promete não dar tréguas.

Maxi Araújo (7) — Numa noite típica de verão, soube a um Super Maxi, o gelado que habita no imaginário de várias gerações. Quando a qualidade técnica se cruza com uma raça indomável, quem ganha é a equipa. Rotação perfeita no lance do penálti, em que acabou abalroado por Léo Santos. Viu o cartão amarelo ainda o jogo mal tinha acordado (5’), mas o aviso só serviu de embalo para uma exibição de alto nível e emocionalmente equilibrada.

Altimira (6) — O novo disco rígido do computador leonino ainda não processa à velocidade máxima, mas raramente comete um erro de execução. Pede-se maior capacidade de rotura e chegada à área adversária, algo que, com o tempo e entrosamento, acabará por surgir com naturalidade.

Issa Doumbia (6) — Revela melhor sintonia com Altimira no ecossistema do miolo. Impôs-se no regresso dos balneários, fechando com eficácia as vias de progressão dos médios opostos. Mostrou-se mais comedido nas abordagens, parecendo ter guardado na gaveta os manifestos de anarquia de outros jogos.

Galeria de imagens 32 Fotos

Geny Catamo (6) — É o autêntico abre-latas das defesas contrárias. Esteve hiperativo, embora com algumas precipitações na tomada de decisão. Só não festejou porque o guardião rival assinou uma defesa fantástica ao seu movimento de assinatura: puxar da direita para o pé esquerdo e rematar em arco ao segundo poste.4

Zalazar (5) — Parece que a grande exibição frente ao Estrela da Amadora aconteceu noutra vida, mas foi há escassamente um mês. Vagueou pelo relvado sem encontrar a vaga do brilhantismo. Ansioso por reencontrar os golos, vale-lhe a atitude de ter sido o primeiro a dar sinal de vida ao ataque leonino, num tiro forte logo aos 10 minutos.

Flávio Gonçalves (6) — Por vezes excessivamente preocupado em fazer bonito — pecado natural da juventude —, terá de aprender que a eficácia está primeiro. Ainda assim, voltou a faturar. Fácil, difícil? O mérito esteve no instinto de lá estar, outra vez, para finalizar.

Ioannidis (6) — O avançado grego só não tocou no Olimpo porque a barra e o guardião forasteiro fecharam a porta. Ainda assim, todo o trabalho de receção e rotação que antecedeu o remate foi de enorme categoria.

Irankunda (5) — Entrou cheio de disponibilidade , mas ainda procura os espaços certos para definir a diferença. Alvalade continua em pulgas para o ver soltar a sua célebre dança à Michael Jackson.

Luís Guilherme (5) — Tem uma passada larga e envolvente, contudo necessita de incorporar compromisso defensivo no momento de fechar o corredor.

Vagiannidis (5) — Cumpriu a missão. Estritamente o necessário.

Silas Andersen (—) Somou minutos na ponta final. Já não foi mau...

A iniciar sessão com Google...