Óscar Tojo em entrevista a A BOLA

Revolução nas equipas técnicas das seleções: as novas caras para vencer

Em conversa com A BOLA, Óscar Tojo, diretor técnico nacional, partilhou a estratégia por trás destas alterações

A estrutura técnica nacional tem novas caras. Além da chegada de Jorge Jesus à Cidade do Futebol para assumir o cargo de selecionador nacional da equipa principal, sucedendo a Roberto Martínez, a revolução de treinadores da FPF inclui a chegada de outros protagonistas. Nomes como Oceano Cruz, Emílio Peixe, José Lima, Pedro Espinha, Pedro Silva e Carlos Sacadura despediram-se, outros abraçaram o desafio de liderar as seleções jovens, com destaque para Vasco Faísca, que assume os sub-20, ou Vítor Gazimba, que será responsável pelos sub-16.

Em conversa com A BOLA, Óscar Tojo, diretor técnico nacional, partilhou a estratégia por trás destas alterações, explicando que as alterações visam implementar um novo cunho pessoal e metodológico no desenvolvimento dos jovens jogadores. «É natural que em todo o lado, depois de algum tempo, exista a necessidade de alguma renovação, de algum cunho pessoal. E foi com base nisso que no início desta época tomámos decisões», afirmou, sublinhando a importância de reconhecer o contributo dos que saem, que fizeram «um trabalho fantástico» no desenvolvimento do jovem talento.

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«Olhamos claramente para duas etapas diferentes, uma entre os 15 e os 17 anos. Uma etapa de descoberta do desenvolvimento, em que queremos olhar os aspetos mais individuais do jogador e desenvolver as nossas competências como equipa, como coletivo e minimizar o efeito mais estratégico do jogo. É uma mensagem que queremos passar também para os clubes», explicou, salientando que a partir dos sub-17 é a etapa de rendimento: «Aí sim, com uma dimensão estratégica diferente. O perfil tem de ser outro. Um treinador muito mais estratégico, em termos da própria liderança.»

Tiago Matos, que já era treinador-adjunto na Federação, assume o comando dos sub-15 com o objetivo de levar a geração ao Europeu de Sub-17. Para os sub-16, a aposta recai sobre Vítor Gazimba: «Fez todo o seu processo de treinador na Noruega em clubes de referência no desenvolvimento do talento e dos jogadores que estão nas seleções da Noruega. Tem experiência como treinador principal, mas também como adjunto e acreditamos que pode ser um input importante, e tem a responsabilidade de ficar com os sub-16 para levá-los ao Campeonato de sub-17 do próximo ano.»

Nos sub-17, Filipe Ramos lidera, após um «percurso com os sub-16 de muito valor». Nos sub-18 será Ricardo Duarte o responsável — «fez trajeto como treinador principal e esteve na estrutura também como coordenador técnico nacional, vai acumular as duas funções». «Depois temos o Bino, que vai dar continuidade ao seu processo de geração dos sub-17, sub-18 e sub-19, vai liderar também a geração de sub-19, com o objetivo de conseguirmos qualificar-nos para o Campeonato da Europa, que é algo que nos últimos anos temos tido alguma dificuldade pelas próprias características da geração, porque encontramos jogadores que já estão num patamar muito acima e não é fácil».

Para o lugar de Oceano, «que fez um trabalho muito válido nos sub-20», a escolha recaiu sobre Vasco Faísca. «Ganhámos o Torneio de Toulon no último ano, algo que já não acontecia também há bastante tempo (...) Tinha de haver uma necessidade de mudança. O Vasco foi ex-jogador, representou Portugal nos vários escalões, foi campeão europeu também nos sub-18. Consegue também passar esta mensagem que para nós era importante também neste processo de renovação.»

E reforçou a aposta: «Quando procuramos treinadores competentes e que encaixam num perfil de exigência, é sempre um processo difícil (…) E quando lançámos o repto ao Vasco, sentimos esta vontade de ele poder estar connosco. E em boa hora, porque acreditamos muito no trabalho dele e em dar continuidade àquilo que de qualidade foi feito pelo Oceano.»

Nos sub-21, Luís Freire continua a manter a confiança da estrutura. «Acreditamos muito que pode ser o ano em possamos estar em condições de poder ganhar o Europeu de sub-21, que seria um feito histórico da Federação. Além disso, o Luís tem um envolvimento muito próximo com toda a estrutura. Ajudou-nos muito nesta relação com os sub-23, nas mudanças em termos regulamentares da própria Liga», sublinhou, acrescentando: «Vamos aumentar o número de empréstimos. A relação com os clubes vai ser diferente. A janela de transferências também vai ser alterada só para este tipo de jogadores que possam representar Portugal no escalão de sub 21 de sub 23.»

As mudanças recentes trazem otimismo à Cidade do Futebol: «As primeiras semanas têm sido muito agradáveis, não só na sua integração, mas também de toda a equipa técnica. E agora estamos em processo de análise para que possamos chegar à primeira data FIFA nas melhores condições possíveis e que as seleções possam dar esta resposta.»

Questionado sobre o impacto que as mudanças podem ter na comunicação entre Jorge Jesus e as várias áreas da FPF, o diretor técnico nacional mostrou-se otimista e salientou a criação de duas novas áreas de scouting e inteligência desportiva para apoiar as equipas técnicas na tomada de decisão com base em dados, apontando para a necessidade de potenciar o recrutamento na comunidade de lusodescendentes — com jogadores que, «de acordo com a sua capacidade e o seu talento, podem alimentar as seleções nacionais». A promoção do desenvolvimento regional, relacionado com a FPF Academy, também foi motivo de destaque.

Sobre o técnico neste processo, foi perentório: «A entrada de Jorge Jesus é muito importante, porque é a primeira vez que está em contexto de seleção. São dinâmicas totalmente diferentes, mas há outras que são muito próximas. Além da maneira como nos pode ajudar, como nos pode influenciar, como pode partilhar a sua visão juntamente com a sua equipa técnica para que possamos ser melhores.»

Questionado sobre se esta reestruturação poderá ajudar a criar uma identidade de jogo na Seleção Nacional, uma lacuna apontada por Bernardo Silva durante o Mundial, foi perentório: «Sim, penso que sim. Cada país tem o seu contexto, é difícil compararmos. Se nós olharmos o número de praticantes em Espanha e em Portugal e os feitos que Portugal tem conseguido, acho que estamos num patamar muito, muito elevado, o que também representa bem a nossa qualidade, não só o trabalho da FPF, mas também o trabalho feito pelos clubes, pelas academias, principalmente pelos grandes clubes. Há muita coisa bem feita que nós temos de ter a responsabilidade de conseguir potenciar, melhorar.»

No feminino, a estrutura não sofrerá «grandes alterações», por ser um setor «num processo de muitos desenvolvimentos». «Tivemos a saída do Carlos Sacadura, que teve aqui também um trajeto de muito valor, e a entrada de dois elementos novos, a Liliana Dinis e o João Lourenço».

Além do futebol, Óscar Tojo também salientou as mudanças no futsal — «Praticamente mantivemos a estrutura toda, temos a entrada de duas novas pessoas que é o Luís Silva e o Nuno Silva» —, e sublinhou a importância do futebol de praia e do walking football, destacando o crescimento desta última vertente: «É um trabalho não só de associações, mas também da Rute Silva, coordenadora nacional, que me parece importante registar, pela potencialidade e pela importância que tem em termos da introdução dos hábitos ativos junto das pessoas mais velhas que necessitam deste acompanhamento e que precisam, a partir de uma certa idade, de ter este estímulo de atividade física.»

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