Tiago Fernandes - Foto: Sporting CP
Tiago Fernandes - Foto: Sporting CP

Regresso a Londres e conversas com Varandas e Borges: tudo o que disse Tiago Fernandes

Técnico interino do Sporting colocou totalmente o foco no jogo com o Shakhtar para a Champions, mas revelou detalhes discutidos com a direção e o antecessor

— O que espera encontrar amanhã?

— É um adversário como nós já conhecemos das equipas ucranianas nos últimos anos. Aposta em jogadores com muito talento, muita criatividade, sabemos dos pontos fortes. Uma equipa bastante criativa, rápida e objetiva no último terço, na chegada à baliza com jogadores virtuosos. Joga num 4x3x3 com muita mobilidade, um treinador que tem um estilo de jogo bem identificado a jogar a partir de trás. O pouco tempo que tivemos para treinar deu para alertar os jogadores para isso. Estamos preparados para fazer um bom jogo, senti os jogadores confiantes e recetivos à informação. Tenho confiança de que vamos fazer um bom jogo e anular a equipa do Shakhtar.

— Fica só um jogo e tem a ambição de ser treinador do Sporting?

— Foi como da última vez, o Sporting precisou do meu contributo de forma interina. A direção falou comigo e foi a preparação para um jogo como aconteceu no passado, da melhor forma possível, tentando falar com os jogadores de forma aberta, sincera e honesta. Temos de fazer um bom jogo, foi só isso. Estou aqui para servir o Sporting, estamos aqui na equipa B, estamos a fazer um grande trabalho, estou muito feliz. A minha ambição é claramente estar no Sporting, que é o meu clube e retribuir ao clube tudo o que apostou em mim. Não passa pela minha cabeça mais nada.

— O que lhe pediu o presidente e o que lhe diria o seu pai?

— O presidente pediu-me, como disse há pouco, o normal. É uma situação que tenho de fazer pelo Sporting, sabemos que isto acontece no futebol. O mais importante é que os treinadores entram e saem, o clube fica sempre. Quando cá estamos temos de dar ao máximo por este clube. Vou fazer isso no tempo que cá estiver. O meu pai não sei o que me diria, diria talvez para aproveitar a oportunidade. Ele fica sempre feliz quando o Sporting está bem, independentemente de ser com o filho ou não. Nunca colocaria o filho à frente do clube, em qualquer situação.

— Teve alguma conversa com Rui Borges?

— Sim, falámos normalmente, ontem, como colega que sou dele. Agradeceu-me por tudo o que o ajudei no Sporting e vice-versa. Uma pessoa que também está muito grata ao Sporting e eu também tenho uma boa relação com ele, conheci-o na academia. Nada de mais, uma conversa entre dois colegas, treinadores, de forma natural.

— Vai manter o plano de jogo ou vai dar o cunho pessoal?

— Mais importante é os jogadores sentirem-se confortáveis com a estratégia e o plano para amanhã. Independemente da forma como jogamos, é os jogadores entenderem o jogo que vai ser com o Shakhtar. A equipa técnica que ficou foi muito importante no conhecimento do grupo, deram-me excelentes informações. Preparámos o jogo da melhor forma, o mais importante é sentir que amanhã vamos jogar bem, com liberdade, confiança, criativiadade, paixão, que é isso que nos caracteriza como clube e equipa. Os jogadores vão querer fazer um bom jogo, contra um bom adversário num bom estádio, queremos somar nove pontos e seguir em frente.

— É líder da Liga 2, amanhã podemos ver jogadores da B no jogo?

— Sporting tem um plantel recheado com jogadores de qualidade. Alguns podem jogar na B, outros na A. Há um lote de jogadores que flutua entre as duas equipas e algum poderá entrar, ou não. O Sporting é dos clubes que mais talento tem na sua formação. A qualquer momento qualquer um pode chegar aqui e jogar, depende do momento e do contexto. Estão preparados para isso e a trabalhar na equipa B para um dia chegarem a este nível, em que a exigência é muito maior. O funil aqui aperta um pouco e chegar aqui não é tão fácil. Podemos ter um ou outro jogador, que é o normal neste clube, lançar jovens quando sentirmos que estão preparados para o fazer.

— O que espera do ambiente?

— Foi importante o apoio dos adeptos, sentimos como clube que estão ao nosso lado, não só em Londres. Acompanham-nos, há sportinguistas em todo o lado. Da última vez penso que vieram 10 mil, amanhã também virão muitos. Os jogadores precisam do apoio e vamos lutar pelos três pontos juntos. Os adeptos são sempre algo especial neste clube.

— O que mudou desde a última visita a Londres como treinador do Sporting, oito anos atrás?

— Passaram oito anos... a semelhança é que é a mesma semana de novembro. Estou mais consciente, mais experiente. Aprendi com alguns erros e com o meu percurso como treinador, passando por outros clubes também, estou mais preparado, como é normal. Estou no Sporting, um grande clube, quero dar o meu melhor sempre. Sinto-me preparado para o jogo de amanhã, para ajudar o Sporting, este clube sempre que for possível. Comigo no banco vai ser um jogo importante, os jogadores também o sentem e querem dar uma resposta. A diferença é mesmo na idade, maturidade. Não sei se é melhor estar mais experiente e consciente ou não, mas o mais importante é fazer um bom jogo e um bom resultado.

— Como tem evoluído Derry? Pode jogar amanhã?

— Jesse é um jovem com muito talento e especial, nós reconhecemos. Tem estado a aproveitar o facto de estar a jogar num grande clube como o Sporting, vai aproveitar as oportunidades quando elas surgirem. Ainda não teve tanto espaço competitivo como gostaria, mas é um miúdo com vontade de aprender e evoluir. Vai trabalhar para ter a sua oportunidade e certamente vai conseguir agarrá-la.

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