A BOLA revela os bastidores de uma saída que surpreendeu pelo timing - Foto: MIGUEL NUNES
A BOLA revela os bastidores de uma saída que surpreendeu pelo timing - Foto: MIGUEL NUNES

As últimas horas de Rui Borges: o telefonema de domingo, a tristeza do balneário e o «não» a Londres

A BOLA revela os bastidores de uma saída que apenas surpreendeu pelo 'timing'. O agradecimento frio de Varandas e a prioridade de continuar na Europa após uma pausa para descanso e como os jogadores receberam a notícia, cara a cara, esta manhã em Alcochete

As últimas horas em Alvalade foram de ritmo vertiginoso, mas o desfecho começou a desenhar-se ainda no domingo. Ao contrário do que se possa imaginar, Rui Borges não foi apanhado totalmente de surpresa pelo desfecho — acompanhou com atenção o pulsar das notícias nos últimos dias —, mas o timing da decisão do despedimento, sabe A BOLA, abalou o planeamento do técnico, que se encontrava focado e totalmente preparado para liderar a comitiva do Sporting no embate europeu diante do Shakhtar.

Rui Borges estava a preparar a deslocação a Londres até... ontem - Foto: MIGUEL NUNES

A confirmação formal chegou no domingo, através de uma chamada de Frederico Varandas. Durante a conversa, foi transmitido ao treinador que o ciclo tinha chegado ao fim, mas com um pedido insólito em cima da mesa: que Rui Borges orientasse a equipa em Londres, cumprindo no banco o seu jogo 100 ao serviço do clube. A resposta foi um «não» perentório. O técnico transmontano recusou estar presente já formalmente demitido, considerando que assumir a liderança em tais condições não respeitaria o grupo de trabalho nem a dimensão da instituição leonina, além de esvaziar por completo a sua autoridade perante o plantel num compromisso de tão elevada exigência.

Rui Borges esteve esta manhã na Academia para se despedir pessoalmente dos jogadores - Foto: MIGUEL NUNES

Manhã de emoções fortes em Alcochete

Esta manhã, o cenário de despedida transferiu-se para Alcochete. Frederico Varandas chegou às instalações leoninas por volta das 9h02; nove minutos depois, às 9h11, cruzava os portões Rui Borges. O encontro entre ambos foi breve e estritamente institucional: uma conversa rápida na qual o líder leonino agradeceu o trabalho desenvolvido à frente da equipa principal, sem espaço para desenvolvimentos adicionais.

O tom mudou radicalmente no balneário. Rui Borges já havia endereçado uma mensagem prévia ao grupo a comunicar a saída, mas fez questão de olhar cada jogador nos olhos antes do adeus definitivo. O ambiente foi marcado por grande emoção e tristeza visível entre os futebolistas, reflexo da relação de enorme proximidade e cumplicidade construída ao longo dos meses. O impacto do momento foi tal que o primeiro apronto sob o comando de Tiago Fernandes arrancou com cerca de 25 minutos de atraso.

Rescisão pendente e rumo ao descanso

Apesar da saída consumada no relvado, o processo da rescisão continua por fechar. As primeiras conversas formais entre as partes ainda não resultaram em acordo quanto aos termos da rescisão contratual. O processo negocial mantém-se ativo e existe a expectativa de que possa ficar selado nas próximas horas. Por essa razão, Rui Borges vai permanecer instalado em Lisboa e apenas viajará para Mirandela, a sua terra natal, depois de todos os documentos estarem formalmente assinados.

Rui Borges ficou triste pela forma como decorreu todo o processo da saída - Foto: MIGUEL NUNES

Mais do que magoado com a direção leonina, o treinador sai triste pela forma e pelo contexto em que todo o processo foi conduzido. No horizonte imediato está um período de pausa e reflexão para recarregar energias junto da família. A médio prazo, a ambição permanece intacta: Rui Borges pretende preparar com tempo os próximos passos da carreira, mantendo como prioridade absoluta um projeto competitivo no futebol europeu.

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