Recuperação épica deixa Académica mais perto da Liga 2
Do fundo do inferno, às portas do paraíso.
Quatro anos depois de ter caído no fundo, nas profundezas do terceiro escalão do futebol nacional, onde nunca tinha estado antes, a Académica ficou um passo mais perto de regressar à Liga 2.
Um passinho. Um passinho que antes do jogo parecia tão pequeno, até porque ia ser empurrado por um mar de gente – já lá vamos -, mas que durante o jogo aparentou crescer para lá do alcançável.
Ao minuto 53, quando Lenio Neves apontou o 3-0 para o Mafra, o sonho da subida já neste sábado pareceu esfumar-se. É que o dia não estava a ser, claramente, da Briosa.
Do outro lado estava um Mafra a fazer uma fase final de trás para a frente que ambicionava ainda chegar ao lugar de play-off de subida, precisando para isso de todos os pontinhos possíveis. E que fez por isso.
Jogando com a ansiedade academista, num ápice a equipa da casa colocou-se a vencer por 2-0, falhando até um penálti pelo meio. Ilhenacho marcou o 1-0 aos 10’, falhou dos onze metros aos 19’, e redimiu-se depois novamente de penálti para dar uma vantagem confortável que se registava ao intervalo.
E a abrir a segunda parte, chegou o tal 3-0 que fez alguns desacreditarem. Na bancada que os adeptos da Académica invadiram, literalmente, mas de forma consentida, a crença fez-se de cânticos incessantes. Porque em Mafra jogava-se uma partida, mas em jogo está algo muito maior.
O amor à Académica, que fez largas centenas de adeptos viajarem de Coimbra, mesmo sem bilhete - o clube apenas teve direito a 118 entradas - seria recompensado. Para muitos, começou a sê-lo ainda antes do apito inicial, uma vez que mais do dobro desse número conseguiu entrar, graças à boa vontade de muitos adeptos do Mafra que cederam os seus lugares.
Mas a recompensa a sério veio do relvado. Sob a forma de paixão. Bénito reduziu para 3-1 aos 57’. Cuba acendeu ainda mais a esperança aos 71’ e a partir daí ninguém mais se segurou. Então, cinco minutos depois, quando Triana selou o empate, a loucura tomou conta de mais de meio milhar de academistas que até conseguiram chamar Marinho, o herói da Taça conquistada em 2012, da tribuna presidencial para o meio da festa.