Real Madrid? Exigências? Reuniões? — «É tudo especulação». O que disse Mourinho antes do SC Braga
— Como está o espírito da equipa nesta reta final do campeonato e, por outro lado, que Braga espera encontrar, tendo em conta que o adversário jogou a meio da semana para a Liga Europa?
— Acho que estamos com a mentalidade certa de quem joga duas finais. O último jogo em casa também tem um significado extra. Quanto ao adversário, o facto de ter jogado a meio da semana... acho que eles tiveram, por regulamento mas também por justiça, o jogo de ontem adiado para segunda-feira, o que lhes dá o quarto dia após o jogo na Europa League. Todos nós sabemos que a grande dificuldade é jogar ao terceiro dia; ao quarto dia penso que não têm problema absolutamente nenhum, até pelo próprio estilo de jogo que o Braga tem. Normalmente os adversários têm de correr mais do que eles porque eles são muito fortes em posse. Penso que eles ainda precisam de qualquer coisa para confirmarem a quarta posição, portanto, seguramente, motivação não lhes faltará.
— Tendo em conta todas as críticas do Benfica, acha que a verdade desportiva foi posta em causa esta temporada? E, já agora, há fundo de verdade na lista de dez exigências que fez [para treinar] ao Real Madrid, que saiu esta semana na imprensa espanhola?
— Relativamente à verdade desportiva, remeto-a para o jogo de ontem da equipa B do Benfica contra o Académico de Viseu. Basta analisar esse jogo para perceber muita coisa. Não sei do que fala relativamente às minhas exigências ao Real Madrid, como tal, não posso sequer responder à sua pergunta.
— Pegando ainda neste assunto do Real Madrid, perguntar se é verdade que tem interesse em regressar ao Real Madrid e se efetivamente pode dizer 'não' a Florentino Pérez?
— Há uma coisa que eu gostaria de frisar: no mundo do futebol não são os profissionais que têm interesse em ir ou não ir. Acho que as coisas, quando começam (não me estou a referir ao meu caso concreto, estou a referir-me no geral), quando alguma coisa acontece com jogadores, com treinadores ou com dirigentes profissionais, são os clubes que têm interesse e são os clubes que iniciam ou não procedimentos para tentarem ter as pessoas que querem. Continuam a falar do Real Madrid, eu continuo a fugir, mas a fugir com toda a honestidade: não tive qualquer contacto nem com o presidente, nem com nenhuma das pessoas importantes na estrutura. Por decisão minha — decisão igual a outras que tive ao longo da minha carreira, principalmente agora numa fase final de épocas — não falo com ninguém. Portanto, não tive qualquer contacto com o Real Madrid, não tive, e até ao último jogo do campeonato contra o Estoril também não o vou ter. Depois, há ali uma janela de uma semana onde eu terei a liberdade de falar com quem eu achar que devo falar. Mas todas essas histórias que têm saído — exigências, reuniões — é tudo especulação.
— Face à ausência de Otamendi por castigo, pergunto sobre Tomás Araújo: está de regresso após lesão, está cem por cento disponível para esta partida ou se ainda há alguma prudência com ele? Nesse sentido, que impacto tem a ausência do capitão num jogo importante com o Braga?
— A ausência do capitão é sempre importante. É um jogador que sempre esteve disponível e esteve quase sempre a jogo. Obviamente que numa final como esta é uma perda, da mesma maneira que a ausência do Richard Ríos também é uma perda importante para nós num jogo como este. Mas o Tomás está bem. O Tomás treinou com a equipa sem qualquer limitação na sexta e no sábado. Hoje voltará, se tudo correr bem, à normalidade. Não temos receios, as sensações são todas elas muito boas. Não vale a pena estar aqui a tentar esconder aquilo que depois se consegue saber mesmo que nós tentemos esconder: portanto, não há nada para esconder, joga o Tomás e joga o António. Como se calhar vocês perceberam pelo jogo de ontem da equipa B, o Gonçalo Oliveira não jogou na equipa B para poder estar no banco amanhã e poder dar-nos a proteção de que nós eventualmente podemos precisar.
— Antes do jogo contra o Famalicão, disse que até preferia que o Benfica tivesse de lutar pelos nove pontos e não ter tanta margem de erro. Sente que esta posição em que o Benfica não tem qualquer tipo de margem de erro faz com que se sinta mais confortável e prefere que a equipa jogue com esta sensação?
— Eu disse antes do jogo com o Famalicão (que podia parecer contraditório ou podia até parecer idiota da minha parte), mas acho que você e vocês no geral perceberam aquilo que eu queria dizer. Amanhã é um bocadinho assim: já não temos de simular estados de alma porque o estado de alma é perfeitamente objetivo. Temos de ganhar. Não temos outra solução. Mas de facto em Famalicão, apesar de podermos perder dois pontos da maneira como perdemos, era possível continuar em controlo do nosso destino. A realidade é que nós fomos lá com a mentalidade certa, fizemos 60 minutos absolutamente fantásticos com uma qualidade, com uma intensidade e com uma ambição enorme. Depois entraram em campo outros fatores que nos levaram a não ganhar o jogo, mas a atitude foi a atitude correta. A semana de trabalho foi longa mas boa. Ok, temos duas ausências importantes, mas temos gente que também está à espera de uma oportunidade para jogar e que eu tenho a certeza de que vai dar uma boa resposta. O estádio é importante, é o último jogo da época em casa e é um jogo obviamente decisivo. Penso que o estado de alma do estádio também é importante para a equipa. E vamos lá, vamos lá com tudo aquilo que temos e com a força de conseguir ganhar o jogo e continuar a depender de nós próprios.
A BOLA, durante a conferência de Imprensa, pediu para fazer uma pergunta ao treinador do Benfica, mas não lhe foi proporcionada essa oportunidade.