Rali de Portugal: todos contra Ogier
O rali de Portugal começou por ser organizado pelo Grupo Desportivo e Cultural da TAP e, só a partir de 1975, passou para as mãos do Automóvel Club de Portugal (ACP), mantendo o espírito de aventura e uma maratona por estradas sinuosas e espetaculares!
A primeira edição realizou-se em 1967 e os pilotos partiram de 10 cidades europeias -onde a companhia aérea tinha representação. Os participantes concentraram-se em San Sebastian, Espanha, onde começou verdadeiramente o rali, que tinha 2.332 km, seis etapas, oito classificativas e dezenas de controlos horários apertados. Depois de quatro dias de intensa competição, a prova terminou no Estoril com a vitória de José Carpinteiro Albino, num Renault 8 Gordini, que recebeu o prémio de 60 contos, hoje 300 euros.
Desses tempos, sobram as estradas espetaculares e sinuosas que fazem da etapa portuguesa uma das mais espetaculares do Mundial, onde todos os grandes nomes querem competir e tornar-se heróis.
No ano passado, a organizaçã contabilizou mais de um milhão de espetadores. Este ano, mais de 3000 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) vão estar mobilizados para operação Vodafone Rally de Portugal 2026, que tem como foco principal a componente da segurança de equipas e público, quer nas zonas de espetáculo, como na gestão do trânsito nas principais vias de ligação dos concorrentes.
Além da GNR, a organização conta com 450 marshals, mais de 800 voluntários e equipas dedicadas à logística, preparação das classificativas e segurança.
Que o digam Sébastien Ogier, heptacampeão, e Markku Alén, detentor do penta durante 37 anos. Ao longo de 58 edições!
O Campeonato de Portugal de Ralis está presente nos dois primeiros dias de competição do Rali de Portugal. Este ano, sem a presença de concorrentes estrangeiros nas contas nacionais, as primeiras 10 especiais de classificação da etapa portuguesa do WRC vão contar para as contas do Nacional que teve a primeira prova do calendário em abril, o Rali Terras d’ Aboboreira, onde o piloto açoriano Rúben Rodrigues levou o Toyota GR Yaris Rally2 à vitória.
Porém, Armindo Araújo (Skoda Fabia) parte como favorito, até pela experiência de quem já foi o melhor português na prova por 14 vezes, incluindo uma vitória na geral.
Esta é a prova mais dura e extensa do calendário nacional, uma vez que os troços ficam mais degradados devido à passagem dos concorrentes internacionais.
O Campeonato de Portugal de Ralis, tem no comando Rúben Rodrigues (Toyota) com 25 pontos, seguido por Armindo Araújo (Skoda) com 23, Pedro Almeida (Toyota) com 19 e José Pedro Fontes com 15 pontos, que estreou no Terras d’Aboboreira o Lancia Y HF Rally2.
Com três vitórias - 2003, 2004 e 2006 - Armindo Araújo é, de longe, o português mais bem sucedido na prova e o único a intrometer-se entre os grandes nomes internacionais. Mais impressionante ainda é o facto de duas dessas vitórias terem sido alcançadas aos comandos de um carro apenas com tração dianteira, o pequeno Citroën Saxo Kit Car.
Hoje, a tecnologia faz diferença, que o diga a Toyota que domina com cinco vitórias em cinco provas disputadas, arrebatando também a totalidade de três pódios. Este incrível domínio foi apenas interrompido com o 2º lugar dos Hyundai de Adrien Fourmaux no Safari do Quénia e a 3ª posição do regressado rali na Croácia.
Mas se há local onde o romantismo dos ralis se mantém vivo é em Portugal e todos os pilotos querem sair de Fafe com um bom resultado, até porque ninguém pode dizer que está tranquilo na classificação.
Elfyn Evans lidera o campeonato (101), mas apenas com dois pontos de vantagem para o seu colega de equipa Takamoto Katsuta (99). E, logo a seguir, mais dois Toyota, o de Sami Pajari ( 72) que tem muito perto Oliver Solberg (68). Só depois aparece o primeiro Hyundai, de Adrien Fourmaux com 59 pontos, apenas mais um que o Toyota do campeão Sébastien Ogier com 58.
A edição de 2026 terá 23 classificativas especiais, num total de 344,91 quilómetros cronometrados, inseridos num percurso de 1.874 quilómetros. Com o quartel-general instalado na Exponor, a cerimónia de partida regressa a Coimbra. Entre os troços, destaca-se a especial mais curta, a super especial da Figueira da Foz, com apenas 1,93 quilómetros, enquanto Amarante surge como o maior desafio, com 26,24 quilómetros. Certo é que não faltará adrenalina e milhares na rua para acompanhar o evento.
E é precisamente o francês que todos querem bater, evitando que conquiste a 8.ª vitória no Rali, a terceira consecutiva.
Não só os concorrentes diretos da Toyota, como também a Hyundai, que continua a ter no belga Thierry Neuville, campeão mundial em 2024, o chefe de fila. Contudo, o piloto belga enfrenta uma crise de confiança, agudizada pelo despiste no último troço do Rali da Croácia, quando liderava com mais de um minuto de vantagem.
Uma mão cheia de aperitivos para animar mais uma edição de um dos maiores eventos desportivos realizados em Portugal, que, no passado, por exemplo, gerou um impacto económico recorde de 193 milhões de euros.